2019/08/19

Interpretação de Deuteronômio 28

Interpretação de Números 1

Interpretação de Deuteronômio 28 



Deuteronômio 28

B. Proclamação das Sanções. 28:1-68.
Retornando ao primeiro estágio da cerimônia da renovação da aliança, Moisés pronunciou as sanções. Na seção correspondente no livro da Aliança do Sinai (Êx. 23:20-33), as bênçãos predominaram. Agora, depois de passados os quarenta anos da história da apostasia israelita, Moisés enfatiza fortemente as maldições; assim, as bênçãos (Dt. 28:1-14) e as maldições (vs. 15-68). Esta ênfase foi antecipada nas promessas e ameaças de seção semelhante em Levítico (cap. 26), escritas depois da primeira rebelião de Israel contra a Aliança do Sinai. A notável pré-estréia, em Deuteronômio 28-30, da história de Israel, especialmente sobre o longínquo exílio, tem sido a principal pedra de tropeço ao reconhecimento da origem mosaica deste documento para a alta crítica naturalista.
1) Bênçãos. 28:1-14 (cons. 7:12 e segs. ;11:13 e segs.; 22 e segs.).
1. Se atentamente ouvirdes. Embora a herança de Israel e continuado desfrute das promessas não fosse uma questão de mérito legal, havia uma ligação entre a piedade da nação conjunta e sua prosperidade. Pois o teocrático reino do V.T. prefigurava o reino de Deus consumado, no qual a justiça e a glória estariam unidas. De acordo com isto, para tornar clara a mensagem do quadro típico-profético, Deus permitiu que os israelitas desfrutassem de bênçãos do reino típico apenas quando ela, e especialmente seus representantes oficiais, exibiam uma medida apropriada da justiça do reino. Uma vez que toda a justiça que Israel possuísse era um dom da graça do Deus da sua salvação, o princípio que informa Deuteronômio 28 não tem afinidades com a religião da salvação pelas obras (veja coment. sobre 6:1-3). Os versículos 3-6 apresentam seis bênçãos que são paralelas às seis maldições de 16-19. (Sobre o aparente uso destas na posterior cerimônia em Canaã, veja comentado sobre 27:12,13), As bênçãos descrevem uma plenitude inclusiva da bem-aventurança. Os opostos emparelhados, por exemplo, expressam a totalidade (cons. vs. 3, 6). O que foi concisamente apresentado em fórmula litúrgica nas seis beatitudes está desenvolvido nos versículos 7-14. O arranjo das bênçãos é, assim, um relacionamento com estrangeiros (vs. 7 e 12b, 13); negócios domésticos (vs. 8 e 11, 12a); e na posição central, relacionamento com o Senhor (vs. 9, 10).
Se Israel obedecesse ao Senhor, ela sobressairia em todos os encontros militares e comerciais com outras nações. Dentro do reino haveria abundância de produção. Canaã seria verdadeiramente um paraíso onde fluiria o leite e o mel. E, principalmente, Israel prosperaria no relacionamento com o Senhor da aliança. Esse era o segredo de toda a bem-aventurança, pois o Seu favor é a vida. Dos penhores visíveis que o favor de Deus concederia a Israel, toda a terra reconheceria que és chamado pelo nome do Senhor (v. 10). Isto é, ficaria claro que a aliança de Deus fora estabelecida com Israel e que Ele, o Suserano, era o Senhor e Defensor de Israel (cons. Is. 63:19; Jr. 7:10, 11; 15: 16). Novamente faz-se lembrar o pré-requisito da lealdade à aliança (Dt. 28; 9b, 13b, 14).
2) Maldições. 28:15-68.
Banimento da herança prometida era a maldição extrema. Significava a perda da presença e favor especiais de Deus, perda do estabelecido acesso sacramental a ela em sua santa colina de Sião, e a perda da condição de povo do reino de Deus. Nesta prolongada seção de maldições, portanto, o cerco e o exílio aparecem repetidamente como o clímax do infortúnio. Há uma série de quadros paralelos do desastroso futuro avultando diante desta nação tão inclinada à infidelidade (vs. 20.26, 27-37, 38-48, 49-57, 58-68). As três primeiras e a última destas figuras culminam com a desgraça da vitória do inimigo, e suas terríveis conseqüências (vs. 25, 26; 36, 37; 48; 63-68); a quarta é inteiramente devotada a este maldito acontecimento (vs. 49-57). Esta extensa descrição de males particulares segue-se a uma formulação introdutória e ritualista das sanções da maldição da aliança (vs. 15-19).
15-19. O versículo 15 corresponde aos versículos 1, 2, e 16-19 são o correlativo de 3-6. A vingança da aliança (cons. Lv. 26: 25) poderia sobrevir ao povo, se violasse a aliança mesmo dentro do asilo de seu herdado paraíso terrestre. Sem santidade, nenhum homem pode habitar onde Deus revela Sua gloriosa presença, e ali não há acepção de pessoas.
20. Que me abandonaste. Tal era a essência do pecado de Israel – violação do primeiro mandamento da aliança. O Senhor mandará. Era direito e dever do próprio Senhor abandonado, Aquele a quem e por quem Israel fizera o juramento da aliança, vingar o juramento. Fosse qual fosse a origem humana ou terrena das diversas maldições, o Senhor era o seu Autor final. Até que sejas destruído (cons. vs. 24, 45, 51, 61). Aqui se declara repetidas vezes que o resultado final dos diversos tipos de maldições – epidemias (vs. 21, 22a), seca (vs. 22b-24) e guerra (vs. 25, 26) – nada seria em comparação com a destruição de Israel (vs. 20-22, 24, 26).
24. Por chuva da tua terra. . . pó e cinza. O siroco [Vento quente do sueste, sobre o Mediterrâneo – Aurélio] encheria o ar com areia e pó. O versículo 25 é o inverso do versículo 7 (cons. Lv. 26: 17).
26. O teu cadáver servirá de pasto a todas as aves do céu, e aos animais. O princípio da maldição é essencialmente a prostração do homem debaixo dos reinos sub-humanos, acima dos quais foi designado por Deus, no princípio, como rei. Por isso, as Escrituras descrevem o destino final da humanidade rebelde como uma festa escatológica na qual os homens mortos são devorados por aves e bestas (cons. Sl. 79:2; Ez. 39:4, 17 e segs.; Ap. 19:17, 18).
27-37. Vexame e frustração caracterizam as maldições desta seção. Observe as referências em quase todos os versículos ou à completa impotência dos israelitas para suportar suas aflições ou ao seu desamparo em face da opressão. Deus criou o homem como alguém que, dentro do programa do Seu reino, podia regozijar-se em seguir o divino padrão sabático de trabalho coroado de alegria e satisfação da realização. Mas os empreendimentos malditos de Israel no setor do casamento e do trabalho seriam recompensados sempre e apenas com o fracasso. Em vez de lograr o gozo sabático da realização, o povo de Israel ficaria louco com a vaidade e frustração de seus esforços (vs. 28, 34). O conteúdo dos versículos 27-35 estão arrumados em forma de “x”: a) doença incurável (v. 27); b) loucura (v. 28); c) opressão continua (v. 29); d) frustração (vs. 30-32); c) contínua opressão (v. 33); b) loucura (v. 34); a) doença incurável (v. 35). A semelhança das calamidades que sobrevieram a Jó é digna de nota.
A seção termina (vs. 36, 37) com a maldição da vitória de uma nação estrangeira – que não conheceste, nem tu nem teus pais – que foi antecipado nos versículos 32, 33. Deus afligiria os apóstatas abandonando-os ao seu próprio espírito depravado e à adoração de ídolos (v. 36; cons. v. 64; 4:27 ). Na idolatria o homem substitui a auto-consagração ao Suserano acima dele, pela subserviência às criaturas abaixo dEle. Fazendo assim, o homem confirma sua própria incapacidade para lidar com o pecado; pois, separando-se do Senhor-Protetor, a Rocha que se deleita em libertar os desamparados, busca em vão um senhor da aliança mais fraco do que ele próprio. A natureza essencial do princípio da maldição encontra novamente expressão nesta adoração prestada pelo homem ao sub-humano, acima do qual o Criador o fez rei.
37. Virás a ser. . . provérbio. Israel, herdeira da promessa de que todas as nações seriam benditas nela, tornar-se-ia proverbialmente identificada com a maldição por todos os povos.
38-48. As maldições de 28:38-42 são o oposto das bênçãos dos versículos 8, 11 e segs.
38, 39. O gafanhoto . . . o verme. As pestes que atacam os cereais, outro setor do total domínio anterior do homem (cons. Gn. 1:26), transformariam os israelitas em seus servos, que teriam de trabalhar para alimentá-los.
41. Veja o versículo 32.
43. Mais e mais descerás. Aqui a bem-aventurança dos versículos 12b, 13 está invertida. Nos versículos 45-48 há um resumo das precedentes ameaças de maldição, tanto a causa (cons. v. 20) como o resultado. A causa seria o fato de Israel violar o juramento da aliança; o resultado seria que Israel sofreria a total vingança da aliança até o extremo da devastação do exílio.
46b. Entre a tua descendência para sempre. Se esta ameaça significa mais do que o apogeu do juízo do exílio de Israel no V.T. como um sinal perpétuo da vingança da aliança de Deus, se é uma maldição divina perpétua para Israel que está predita, então Moisés aqui está advertindo daquilo que Paulo declara que viria a se tornar um decreto permanente (I Ts. 2:16). O castigo (Dt. 28:48) devia ser de acordo com o crime (v. 47). O jugo maldito de Israel (v. 48) chegada ao ponto do retomo á condição da qual Deus a chamou para o amor da aliança (cons. Lv. 26:13). Embora Moisés não deprecie, a esta altura, a impressionabilidade destas maldições por meio de quaisquer qualificações, em outra passagem ele proclama o triunfo da graça da aliança através da restauração de um remanescente eleito e arrependido (Dt . 4:29 e segs.; 30: 1 e segs.).
49-57. O que constituiu o clímax em cada uma das séries precedentes é o assunto exclusivo deste quarto quadro profético de Israel, acometido pela maldição da aliança. Com vivacidade inclemente Moisés declara o desespero e degradação estarrecedores a que ficaria este povo, antes a cabeça das nações, quando fosse apanhado na maldição do cerco.
49. Uma nação de longe . . . virá como o vôo impetuoso da águia. O bárbaro invasor de longe, vindo sobre Israel como um abutre sobre a sua presa, seria impiedoso em sua rapacidade (vs. 50, 51). Mas a desumanidade do guerreiro inimigo empalideceria ao lado da desumanidade da mais meiga mãe israelita, transformada em canibal por causa do horror do cerco (vs. 52-57 ; cons. Lv. 26: 29; Lm. 4: 1-10).
51-53. O fruto da tua terra . . . o fruto do teu ventre. A passagem faz o contraste entre o apetite natural do bárbaro e a voracidade desumana dos israelitas. Não haveria refúgio em toda a terra para se escapar ao cerco (vs. 52a, c, 55, 57) para aqueles que confiaram nas defesas humanas mais do que em Deus, seu verdadeiro Refúgio. A história do Velho Testamento testemunha sucessivas execuções desta maldição, e foi finalmente exaurida na Queda de Jerusalém em 70 A.D.
58. Se não tiveres cuidado de guardar . . . esta lei. Neste parágrafo de conclusão, Moisés retorna à forma condicional com a qual o pronunciamento das maldições começou (cons. v. 15), pois no dia da assembléia em Moabe, a decisão entre as maldições e bênçãos ainda tinha de ser tomada por Israel. Para fugir às maldições, o povo de Israel devia obedecer às estipulações deste documento convencional em sinal de verdadeira reverência para com o Senhor que revelou a Sua glória e terríveis obras quando os salvou do Egito.
62, 63. Ficareis poucos em número . . . sereis desarraigados da terra. A desobediência provocaria a perda das bênçãos prometidas na Aliança Abraâmica, isto é, a multiplicação do povo e a posse de uma terra própria. Em lugar das bênçãos haveria toda a possibilidade extraordinária e persistente de aflição (vs. 5 9-61).

64. O Senhor vos espalhará entre todos os povos. Profeticamente, após o povo sitiado, derrotado e levado para o exílio (vs. 64-67), Moisés descortina com algumas poucas pinceladas todo o sentimento do Israel incrédulo e errante através dos séculos – uma vez o povo de Deus, mas agora em seu exílio igual aos pagãos, sem Cristo, sem esperança, sem Deus no mundo (Ef. 2:12). Repudiando sua eleição e vocação contratual, em virtude da qual foi libertado da escravidão do Egito para tornar-se o filho teocrático de Deus, o povo de Israel teve o destino de recair em uma escravidão ainda pior do que a do Egito (v. 68), na escravidão de Satanás e do pecado, da morte e do Inferno. 


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