2019/09/18

Estudo sobre João 14

Estudo sobre João 14

Estudo sobre João 14


14.1. Creiam em Deus; creiam também em mim. O uso frequente dessa expressão enfraqueceu o significado dessa afirmação. As palavras podem ser traduzidas de três maneiras: (a) “vocês crêem em Deus, (assim) creiam também em mim”; (b) “vocês crêem em Deus e crêem em mim”; e (c) “creiam em Deus e creiam em mim”. No geral, a última é preferível. Jesus está interessado em fortalecer a fé dos discípulos em face das provações que estão para começar. Como judeus, eles professam ter fé em Deus. Agora eles precisam aprender a renovar a fé em Cristo, v. 2. muitos aposentos: Jesus foi rejeitado pelos mordomos da casa de Deus na terra (cf. 2.16); assim, ele retorna à contraparte eterna no céu. Mas esses discípulos não devem pensar que eles foram deixados para trás por falta de hospitalidade do Pai. v. 3. voltarei4. A ideia final aqui certamente é escatológica — o segundo advento de Cristo. Mas isso de forma alguma esgota o que Jesus está dizendo. Jesus vai vir novamente no Espírito (cf. v. 18,21,23). Não há vácuo entre os seus dias na carne e a chegada final na casa do Pai, até mesmo para os discípulos (cf. 20.22 e comentário), não importam os empecilhos e a demora até que se complete a obra. v. 6. Eu sou o caminho, a verdade e a vida\ Não: “Eu mostro...”. Cristo é ele mesmo o elo vital entre o céu e a terra (cf. 1.51); assim, à parte do seu ensino (a verdade) e da sua obra (gerar vida), não há salvação. O que Jesus é não pode ser separado do que ele faz. v. 7. Se vocês realmente me conheces-sem\ O tempo mais que perfeito (gr. egnõkeité) é enigmático. A leitura em outros manuscritos, notavelmente Sinaítico, D (Codex Bezae, Cambridge) e P. 66, parece sugerir: “Se vocês têm me conhecido, vocês vão conhecer o Pai também”. A segunda metade do versículo sustenta essa formulação. Assim, o versículo poderia nos dizer que, quando esses homens descobrirem que Jesus é de fato o Caminho, eles vão datar a sua visão do Pai a partir dessa revelação, v. 8. As ocasiões em que Filipe aparece no evangelho são dignas de observação (cf. 1.45,46; 6.5ss; 12.21 ss; 14.8). A sua pergunta aqui é evidência da lentidão com que tinha se desenvolvido espiritualmente. v. 9. Mas não há nada no ministério de Jesus que não conduzisse os homens ao Pai, pois ele é de maneira singular a imagem de Deus (cf. Cl 1.15; Hb 1.3). E, como Jesus já indicou (cf. 10.25), a evidência das suas obras é a vereda humilde da fé em Deus (cf. 20.29).
v. 12. coisas ainda maiores do que estas: As obras realizadas pelo cristão são feitas em comunhão com o Salvador que vive. Mas são maiores na sua esfera de influência. As obras de Jesus foram limitadas aos dias da sua carne e à terra em que ele viveu. Mas a Igreja, que é o seu corpo, tem uma influência mundial na conquista de pessoas para ele. v. 16. outro Conselheiro (gr. paraklêtos): A palavra é tomada do uso jurídico. Aí denota um advogado de defesa, embora isso pareça especificamente secundário em João — exceto talvez 16.8-11, em que ele é o advogado de acusação. E derivado da palavra gr. parakaleõ, “chamar de lado”, assim “um ajudador”. Em outros trechos do NT, parakaleõ com frequência denota uma declaração memorável de caráter encorajador ou exortativo (cf. At 2.40). Barrett mostra que é uma combinação dessas duas funções que parece estar por trás dessa declaração aqui. O Espírito Santo fala do que “está por vir” (cf. 16.13) e por meio disso, enquanto traz convicção à consciência dos homens, fortalece os crentes (aqui, e cf. 16.7-15; lGo 14.3ss). Acerca do seu ministério de intercessão, outro aspecto essencial da sua obra como Parácleto, cf. Rm 8.26.
v. 17. o Espírito da verdade: Essa qualificação sempre é empregada em conjunto com o Parácleto em João (cf. 15.26; 16.13; ljo 4.6). O mundo não pode recebê-lo: O mundo e o Espírito são contrastados por definição. O mundo é materialista e, por isso, basicamente hostil a qualquer coisa que não se conforme à natureza da matéria. Em 14.16,17, temos a primeira de cinco declarações acerca do Parácleto no discurso da sala do andar superior, sendo as outras quatro: 14.25,26; 15.26,27; 16.5-11 e 16.12-15. Juntas, essas cinco declarações apresentam uma doutrina do Espírito Santo antes de qualquer referência a ele em outros trechos nos Evangelhos, mas mostrando uma afinidade notável com a descrição da sua presença e ministério em Atos. v. 18. voltarei para vocês: Cf. o v. 3. Jesus, provavelmente, se refere às aparições após a ressurreição e à vinda do Espírito como também ao grande dia da sua vinda. v. 19. Porque eu vivo, vocês também viverão'. Um novo pensamento parece entrar na narrativa nesse ponto. Mas, provavelmente, seja preferível associar essas palavras à frase anterior, i.e., “vocês, porém, me verão. Porque eu vivo, vocês também viverão”, 
v. 20. compreenderão que estou em meu Pai: As aparições após a ressurreição seriam visitas sobrenaturais de Jesus depois da sua ressurreição, demonstrando visivelmente a eles sua incursão divina nas situações deles. A verdadeira base para a sua união com ele não serão suas aparições, mas o amor deles pelo Senhor pelo qual a visão deles vai mantê-lo sempre em vista. E a verificação do amor deles precisa se mostrar sempre na obediência aos seus mandamentos, v. 21. eu também [...] me revelarei a ele: Que Jesus combina essa visão beatífica e sua aparição escatológica, parece evidente com base na pergunta de Judas (cf. v. 22). A simples palavra (gr. emphanizõ) parece conter traços de teofania do AT (cf. Ex 33.18). Mas Jesus garante a Judas que isso não vai ser mera visita passageira. O Pai e ele juntos farão morada nele (v. 23). v. 27. Deixo-lhes a paz: Isso é mais do que as convencionais saudações ou despedidas. É a paz dele, diferente da estimativa que o mundo tem de tranquilidade, mas que traz conforto e força no meio da aflição, v. 28. o Pai é maior do que eu: Essas palavras não dão necessariamente apoio a uma doutrina reduzida de Cristo. O Pai é “maior” no sentido de que o Filho encarnado deriva a sua existência dele. E Cristo estava especialmente apto para declarar isso como a Palavra encarnada. Além disso, a “grandeza” do Pai significa que a sua revelação manifesta em Jesus está completa na medida em que isso era possível para uma pessoa humana. O mundo da criação e da história, no qual a Palavra é imanente, é o que é porque o Pai é o que é. Mas a sua natureza não depende da sua manifestação, v. 31. Levantem-se, vamo-nos daqui! (gr. egáresthe agõmen enteutherí): Foi nesse exato momento que Jesus deixou a sala? Foram os discursos dos caps. 15 e 16 falados durante o percurso para o Getsêmani? G. H. Dodd (Historical Tradition in the Fourth Gospel, p. 72) lançou luz sobre esse ponto: egeiresthe pode significar “movam-se”; semelhantemente, agõmen enteuthen pode significar “Vamos enfrentar o inimigo”, e nesse caso o elo com o versículo anterior seria excepcionalmente forte. Como R. V. G. Tasker diz: “Jesus está aqui expressando sua determinação espiritual de enfrentar o príncipe deste mundo” (p. 170). Nenhum movimento para fora da sala do andar superior precisa, portanto, ser pressuposto nesse ponto. E, como o dr. Dodd destacou, “levantar-se”, embora referindo-se ao sono em Mc 14.42, com frequência é usado como referência a “mexer-se” para sair de um estado de letargia. Westcott comenta apropriadamente que, embora ocorram palavras semelhantes em Marcos, elas são “tais que seriam naturalmente repetidas em circunstâncias semelhantes” (p. 211).

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