João 12 — Comentário Devocional

João 12

Título: A Unção, a Entrada Triunfal e as Predições de Jesus.

Introdução:
O capítulo 12 de João marca um ponto de viragem significativo na narrativa do Evangelho, à medida que conduz à crucificação de Jesus. Este capítulo destaca eventos importantes, incluindo a unção de Jesus, Sua entrada triunfal em Jerusalém e Suas previsões sobre Sua morte iminente.

Seção 1: A Unção de Jesus por Maria (João 12:1-11)
O capítulo começa com a história de Maria, irmã de Lázaro, ungindo os pés de Jesus com perfume caro e enxugando-os com os cabelos. Este ato de devoção e adoração é criticado por Judas Iscariotes, que questiona o uso do perfume caro. No entanto, Jesus defende as ações de Maria e sugere que ela O ungiu para Seu sepultamento.

Seção 2: A Entrada Triunfal (João 12:12-19)
À medida que se aproxima a festa da Páscoa, Jesus entra em Jerusalém montado num jumento, cumprindo a profecia de Zacarias. As multidões O acolhem com ramos de palmeiras e gritos de “Hosana”, reconhecendo-O como o Rei de Israel. Os fariseus expressam preocupação com a crescente popularidade de Jesus.

Seção 3: Jesus Prediz Sua Morte (João 12:20-36)
Gregos que visitam a Páscoa aproximam-se de Filipe, expressando seu desejo de ver Jesus. Jesus responde falando sobre Sua morte iminente e a necessidade de um grão de trigo cair e morrer para produzir frutos. Ele prediz Sua crucificação e enfatiza a necessidade de Seus seguidores andarem na luz enquanto a possuem.

Seção 4: A Incredulidade do Povo (João 12:37-50)
Esta seção reflete sobre a incredulidade de muitos, apesar dos sinais e ensinamentos de Jesus. Também sublinha a importância de acreditar em Jesus como o Filho de Deus e reconhecê-lo como a luz do mundo.

O capítulo 12 de João é um capítulo crucial que prepara o cenário para os eventos que levaram à crucificação de Jesus. Enfatiza os temas de devoção e adoração, reconhecimento de Jesus como o Messias, Sua previsão de Sua morte e o significado da crença Nele. O capítulo serve de prelúdio ao profundo sacrifício que Jesus está prestes a fazer pela redenção da humanidade. Chama-nos a reconhecer Jesus como o sacrifício máximo e a segui-Lo com fé, mesmo quando confrontados com a realidade do Seu sofrimento e morte iminentes.

Devocional

12.3 A essência de nardo era um óleo perfumado, importado das montanhas da índia Por esta razão, era extremamente caro. A quantidade que Maria usou valia o salário de um ano de um trabalhador comum.

12.4-6 Judas frequentemente tirava dinheiro da bolsa dos discípulos para uso particular. É obvio que Jesus sabia o que ele fazia (2.24,25; 6.64), mas nunca fez ou disse algo sobre isto. Semelhantemente, quando escolhemos o caminho do pecado. Deus muitas vezes nada faz imediatamente para deter-nos, mas isto não significa que Ele aprove as nossas atitudes. Cada um do nós colherá o que plantou.

12.5,6 Judas usou uma frase piedosa para ocultar suas verdadeiras motivações. Mas Jesus conhecia o que estava no coração do discípulo. A vida de Judas havia se tornado uma mentira, e Satanás tinha entrado nele (13.27). Satanás é o pai da mentira, e um caráter mentiroso abre a porta para a sua influência. Por sabermos que Jesus nos conhece, deveríamos ter o desejo e a atitude de manter as nossas ações coerentes com as nossas palavras. Por nada termos a temer em relação a Ele, nada temos a esconder.

12.7,8 A atitude e a resposta de Jesus a Judas não nos ensinam a ignorar os pobres e a gastar o dinheiro de um modo extra vagante na obra de Cristo. Este foi um ato singular para uma ocasião especifica: uma unção que antecipava o sepultamento de Jesus e uma declaração pública de fé nEle como o Messias. As palavras de Jesus devem ter ensinado a Judas uma valiosa lição a respeito do valor do dinheiro. Infelizmente, Judas não prestou atenção; logo venderia seu Mestre por 30 moedas de prata.

12.10,11 A cegueira e a dureza de coração dos principais sacerdotes causaram-lhes uma degradação mais profunda. Rejeitaram o Messias e planejaram matá-lo, então tramaram também o assassinato de Lázaro. Um pecado leva a outro. Sob o ponto de vista dos líderes judeus, podiam acusar Jesus de cometer blasfêmia, por Ele afirmar ser igual a Deus. Mas Lázaro nada havia feito, Eles desejavam a morte de Lázaro simplesmente por que ele era uma testemunha viva do poder de Jesus. Este fato serve para nos advertir a evitarmos o pecado, pois um conduz a outros; é um declínio que pede ser detido apenas por meio rio arrependimento sincero e do poder do Espírito Santo, capaz de mudar o nosso comportamento.

12.13 Jesus começou sua última semana na terra, entrando em Jerusalém montado em um jumentinho. A multidão usou ramos de palmeira, para saudá-lo como seu Rei. Para anunciar-se como Messias, Jesus escolheu uma ocasião em que todo o Israel estava reunido em Jerusalém, um lugar onde a enorme multidão pudesse vê-lo, uma maneira inconfundível de proclamar a sua missão. Em um dia conhecido como “Domingo de Ramos” celebra-se a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.

As pessoas que exaltavam a Deus por dar-lhes um Rei tiveram uma ideia errada a respeito de Jesus. Estavam certas de que Ele poderia ser o líder que restauraria a glória anterior de sua nação, então, tornaram-se surdas às palavras de seus profetas e cegas quanto a verdadeira missão de Jesus. Quando se tornou patente que não tinha vindo para satisfazer ás expectativas do povo, muitos se voltaram contra Ele.

12.16 Após a ressurreição de Jesus, os discípulos entenderam, pela primeira vez, muitas profecias que não compreenderam antes. As palavras e as ações de Jesus passaram a ter um novo significado; fizeram mais sentido para eles. Em retrospecto, os discípulos viram como Jesus os conduziu a um mais profundo e melhor entendimento sobre a verdade. Pare agora e pense a respeito dos acontecimentos em sua vida que o trouxeram para onde você está agora. Como Deus tem lhe conduzido até este ponto? À medida que envelhecemos, olhamos para trás e vemos o envolvimento de Deus em nossa vida mais claramente do que podemos ver agora!

12.18 Multidões iam ao encontro de Jesus, porque tinham ou vido a respeito do grande milagre que operou ao ressuscitar Lázaro. Mas a adoração do povo foi efêmera e o seu compromisso superficial. Em poucos dias, teria a oportunidade de tentar fazer algo para impedir a crucificação de Jesus, porém nada faria. A devoção baseada apenas na curiosidade ou na popularidade desfalece rapidamente!

12.20-21 Esses gregos provavelmente eram convertidos ã fé judaica. Devem ter se dirigido a Filipe porque, apesar de ser judeu, ele tinha um nome grego.

12.23-25 Essa foi uma bonita ilustração sobre a necessidade do sacrifício de Jesus. A menos que o grão de trigo seja planta do no solo, ele não se tornará um ramo de trigo, produzindo muitos outros grãos. Jesus tinha de morrer, para pagar por nossos pecados, mas também para mostrar o seu poder sobre a morte. A sua ressurreição prova que Ele tem a vida eterna. Por ser Deus, Jesus pode dar esta mesma vida a todo aquele que nEle crê.

12.25 Devemos estar tão comprometidos em viver para Cristo, a ponto de “aborrecermos” a nossa própria vida. Isto não significa que devemos desejar morrer ou ser indiferentes ou destrutivos para com a vida que Deus nos deu, mas que é necessário estarmos prontos para morrer, se for necessário, a fim de glorificarmos a Cristo. Precisamos rejeitar nosso egoísmo, deixando de lado nosso esforço em obter vantagem, segurança e prazer, para servirmos a Deus de forma amorosa e livre. Abramos mão do controle de nossa vida, transferindo-o para Cristo, que traz vida eterna e genuína alegria!

12.26 Muitos criam que Jesus tinha vindo somente para os judeus. Mas quando Ele disse “Se alguém me serve, siga-me”, também se dirigiu àqueles gregos. Não importa quem sejam os seguidores sinceros de Cristo: Ele os recebe com alegria. Sua mensagem é para todos. Não permita que as diferenças sociais, étnicas e culturais se tomem barreiras para a divulgação das Boas Novas! Leve-as a todas as pessoas!

12.27 Jesus sabia que a sua crucificação estava próxima, e, por ser humano. Ele a temia, Sabia que teria de levar os pecados do mundo todo sobre si, e que isto o separaria por algum tempo de seu Pai. Gostaria de ser liberto desta morte horrível, mas Deus o enviara ao mundo para morrer em nosso lugar, por causa de nossos pecados. Jesus disse “não” aos seus desejos humanos, a fim de obedecer ao Pai e glorificá-lo. Apesar de nunca termos enfrentado uma tarefa tão difícil e apavorante, somos chamados à obediência. Devemos fazer tudo o que o Pai pedir-nos e fazer a sua vontade, a fim de que o seu nome seja glorificado.

12.31 O príncipe deste mundo é Satanás, um anjo que se rebelou contra Deus. Satanás é real, não um ser simbólico, e está constantemente batalhando contra Deus e contra aqueles que lhe obedecem. Satanás tentou Eva no jardim do Éden e persuadiu-a a pecar; tentou Jesus no deserto, mas não o persuadiu a cair (Mt 4.1-1 I). O Diabo tem um grande poder, mas as pessoas podem ser libertas do remo das trevas por causa da vitória de Cristo na cruz. Satanás tem poder, mas Jesus é infinitamente mais poderoso. A ressurreição de Jesus destituiu o poder de Satanás (Cl 1.13.14). Mas, para vencermos o Diabo, precisamos ser fielmente submissos à Palavra de Deus, necessitamos de determinação para permanecer longe do pecado e ajudar outros crentes.

12.32-34 A  multidão não podia crer no que Jesus disse a respeito do Messias. As pessoas agitavam ramos de palmeira para um Messias vitorioso que estabeleceria um reino terreno, que nunca teria fim. Segundo a interpretação que tinham de certas passagens das Escrituras, pensavam que o Messias nunca morreria (Sl 89.35.36; 110.4; Is 9.7). No entanto, há outras passagens que mostram que Ele morreria (Is 53.5-9). As palavras de Jesus não estavam de acordo com o conceito que os judeus tinham a respeito do Messias. Primeiro Ele teria de sofrer e morrer, então, um dia, estabeleceria o seu Reino eterno. Que tipo de Messias ou Salvador você busca? Tome o cuidado de não tentar forçar Jesus a adequar-se a seu modelo; Ele não se amoldará!

12.35, 36 Jesus disse que ficaria com eles pessoalmente apenas por mais um curto período; eles deveriam aproveitar a sua presença! Como uma luz brilhando em um lugar escuro. Jesus indicava o caminho em que deveriam andar. Se andassem em sua luz, poderiam tornar se “filhos da luz”, passando a revelar a verdade e a conduzir as pessoas a Deus Como cristãos, somos portadores da luz de Cristo; se deixarmos que esta brilhe em nós. A luz de Cristo está brilhando em sua vida? Será que os outros podem ver Cristo em suas ações?

12.37, 38 Jesus tinha realizado muitos milagres, porém muitas pessoas ainda não criam nEle. Igualmente, muitos hoje não crerão apesar de tudo o que Deus faz. Não fique desencorajado se o seu testemunho de Cristo não levar tantos a se converterem a Ele quanto você gostaria! O seu trabalho e permanecer como uma testemunha fiel. Você é responsável por alcançar outros, mas estes são responsáveis por suas decisões.

12.39-41 Naquela época, assim como na do profeta Isaías. as pessoas não creram apesar das evidências ( 12.37). Como resultado. Deus endureceu o coração delas. Será que isto significa que Deus intencionalmente impediu o povo de crer nEle? Não, simplesmente confirmou a escolha que fizeram. Depois de uma vida de resistência a Deus, os judeus se tornaram tão obstina dos em seus caminhos que já não puderam sequer tentar entender a mensagem de Jesus. Era praticamente impossível que tais pessoas se aproximassem de Deus: o coração delas estava permanentemente endurecido. Há outros textos que falam sobre o endurecimento do coração devido á rebeldia constante. Leia Êxodo 9.12, Romanos 1.24-28 e 2 Tessalonicenses 2.8 12.

12.42, 43 Além daqueles que se recusaram a crer, muitos creram, mas se recusaram a aceitar Jesus. Isto também é ruim; Jesus proferiu palavras fortes para tais pessoas (ver Mt 10.32,33). Os que não tomam uma posição favorável a Jesus temem a rejeição ou a ridicularizarão pública. Muitos líderes judeus não queriam admitir a fé em Jesus porque temiam ser excomungados da sinagoga (seu meio de vida) e perder o prestigio que haviam conquistado na comunidade. Mas o elogio dos outros é volúvel e efêmero. Devemos estar muito mais preocupados com a aceitação eterna de Deus do que com a aprovação temporária das pessoas!

12.45 Muitas vezes queremos saber como Deus é. Como poderemos conhecer o Criador, se Ele não se apresentar de um modo visível? Jesus disse claramente que aqueles que o veem, veem a Deus porque Ele é Deus. Se você quer saber como Deus é, estude a pessoa e as palavras de Jesus Cristo.

12.48 O propósito da primeira missão de Jesus na terra não era julgar o povo, mas mostrar o caminho da salvação e da vida eterna Quando Ele voltar, um dos seus principais propósitos será julgai as pessoas pelo modo como viveram na terra. Não aceitar nem obedecer ás palavras cie Cristo serão motivos de condenação para as pessoas. No dia do Juízo, aqueles que aceitaram a Jesus e viveram em seu caminho ressuscitarão para a vida eterna (1 Co 15.51-67; 1 Ts 4.15-18; Ap 21.1-7), mas os que rejeitaram a Jesus e viveram satisfeitos em seus próprios caminhos, enfrentarão o castigo eterno (Ap 20.11-15). Decida agora de que lado você ficara, porque as consequências de sua decisão durarão para sempre!

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