2020/10/15

3 João 1 — Significado e Explicação

3 João 1 — Significado e Explicação



1.1-3 — O início desta epístola segue a fórmula grega clássica de identificar remetente e destinatário, saudando-o. A abertura que João faz é semelhante às introduções das cartas de Paulo: ele identifica a si e aos seus leitores, e garante-lhes que Deus dá graça, misericórdia e paz.  No versículo 3, encontram-se os dois temas mais marcados dessa carta: (1) a verdade sobre Jesus Cristo; e (2) a necessidade da caridade pelos outros.

 

1.1 — O ancião deve fazer referência ao apóstolo João. O título pode referir-se a um idoso — a uma pessoa mais velha que merece respeito, ou a um presbítero da igreja. Aqui, a palavra, provavelmente, faz alusão à autoridade do autor na igreja. A senhora eleita pode ser uma pessoa em especial, ou uma descrição figurativa da congregação local. Amo na verdade. João vincula a verdade ao amor. O segundo uso de verdade faz referência ao teor da doutrina que é a verdade. Trata-se da revelação de Deus, dos claros ensinamentos e mandamentos das Escrituras.

 

1.2 — Verdade. O motivo pelo qual os crentes têm amor mútuo é a verdade intrínseca a eles — que é o Espírito Santo, o Espírito da Verdade.

 

1.3 — Se quisermos vivenciar a graça, a misericórdia e a paz de Deus, temos de nos comprometer com a Sua verdade e transmitir a Sua caridade. A bênção provém igualmente do Pai e do Filho. João afirma a divindade de Jesus afirmando a igualdade do Filho com o Pai.

 

1.4 — A expressão andam na verdade significa que os filhos de Deus têm um autêntico relacionamento com Ele. Nossa caminhada com o Senhor, para ser genuína, deve basear-se em Sua Palavra.

 

1.5 — Mais especificamente, nossa caminhada com Deus fundamenta-se em Seu mandamento para que amemos uns aos outros (Jo 13.34,35).

 

1.6 — O amor de Deus se baseia em Seu desejo pela nossa obediência e é o motivo pelo qual Ele revelou a Sua vontade por meio de Seus mandamentos contidos em Sua Palavra. Provamos que somos obedientes a Ele demonstrando pelos outros o amor, um recurso infinito que nos está disponível a qualquer momento e que é tremendamente eficiente para avançar a obra de Cristo.

 

1.7-11 — Andar na verdade significa reagir corretamente aos enganadores, pondo-se em guarda contra eles e rejeitando-os. Tendo estabelecido que devemos obedecer a Deus demonstrando amor uns pelos outros, agora João tratará do problema dos falsos mestres na Igreja. Ele mostra que amar o Senhor significa apoiar a Verdade e rejeitar quem está contra ela.

 

1.7 — Uma das pedras de tropeço para os cristãos são os muitos enganadores, que, sutilmente, encobrem a verdade sobre Jesus. Andar na verdade implica também reagir contra os enganadores, pondo-se em guarda contra eles e rejeitando-os. A expressão veio em carne refere-se à encarnação, ao fato de que Jesus é o Deus-homem. A humanidade de Cristo é um teste pelo qual os falsos mestres podem ser identificados. A heresia gnóstica, contra a qual João escreveu em 1 e 2 João, incluía a negação do corpo físico de Jesus. No entanto, quem nega a realidade física de Cristo não é cristão.

 

1.8 — A sedução pelos falsos mestres é uma forma pela qual os cristãos podem perder seu galardão no juízo. Com isso em mente, João escreve que o motivo para se guardar contra enganadores é a nossa própria vontade de que não percamos nossa recompensa diante da tribuna de julgamento de Cristo. Jesus alertou a igreja de Filadélfia: Guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa (Ap 3.11a). Todo crente tem potencial para o inteiro galardão ou a perda total dele (1 Co 3.15); o fator determinante é nossa fidelidade a Cristo. Não se trata, aqui, de justificação, porque não é algo que tenhamos ganhado pelo nosso trabalho, e, sim, de um presente de Deus (Rm 4.1-6; Ef 2.8).

 

1.9 — A expressão prevarica tem uma carga forte de afastar-se da linha reta, desviar-se. Provavelmente, alude aos gnósticos, que se consideravam mais avançados do que os cristãos básicos. Deixar Cristo e abraçar uma doutrina errada demonstra que quem o faz não tem a Deus. Amar o Altíssimo significa apoiar a Verdade e rejeitar quem a ataca.

 

1.10 — Esta doutrina trata da crença cristã de que Jesus é Deus em carne (v.7), de que Ele é plenamente humano e divino. O servo do Senhor deve não só se recusar a receber os falsos mestres no sentido de ampará-los quando vierem visitar a comunidade, mas também evitar parecer apoiar seus ensinamentos. A resposta certa aos enganadores é rejeitá-los como descrentes. Isso demonstra o quanto devemos levar a sério as Escrituras e o cuidado que devemos ter ao avaliar os ensinamentos de qualquer pessoa.

 

1.11 — Quem o saúda tem parte. Saudar alguém quer dizer identificar-se publicamente com ele. Isso se refere tanto à saudação pessoal a um indivíduo (v.l) como à recepção pública de um falso mestre por parte da igreja (v.10).

 

1.12,13 — Tendo muito que escrever-vos. A segunda epístola de João é uma mini versão de 1 João. O autor está dizendo que, mesmo que pudesse prosseguir escrevendo, preferia ir ter com eles e tratar boca a boca consigo (sinónimo do século I para “face a face”), a fim de que fosse possível, de certa forma, restaurar a vida espiritual deles em Cristo. A saudação da eleita é, obviamente, outra congregação, talvez uma maior, onde João morava, será resolvido por ele quando lá chegar. Enquanto isso, João endossa que Demétrio é um mestre legítimo e merece abrigo e apoio (v.12).

 

1.5 — Procedes fielmente. O apoio de Gaio aos irmãos, inclusive aos que não conhecia pessoalmente, refletia sua fidelidade ao Senhor. Assim, ressalta-se a importância em servirmos a Deus sendo fiéis em nossas responsabilidades dentro de nossas igrejas locais.

 

1.6 — Digno para com Deus. Esses irmãos haviam falado a outras pessoas a respeito do ministério de Gaio na vida deles.

 

1.7 — Aqui, a expressão gentios se refere aos descrentes, e não aos cristãos gentios. A maioria dos cristãos nas igrejas da Ásia Menor era convertida gentia, e não judia.

 

1.8 — Nós nos tornamos cooperadores a serviço do Senhor quando apoiamos os ministérios de outros, pública e financeiramente. Receber significa identificar-se publicamente com as pessoas, recebê-las em nossos lares e atender às suas necessidades.

 

1.9 — Tenho escrito. João havia redigido outra carta, a qual foi extraviada ou, possivelmente, destruída por Diótrefes, que mantinha estrito controle sobre a igreja devido a suas ambições pessoais (1 Pe 5.1-5). Provavelmente, João escrevera à igreja de Diótrefes pedindo hospitalidade para os missionários em trânsito, os quais o apóstolo enviara (v.10), e Diótrefes se recusara a atender ao pedido de João.

 

1.10 — “Se eu for transmite” a ideia de “quando eu for”. João pretende ir repreender Diótrefes por seus atos e exercitar sua autoridade apostólica para castigá-lo. Trata-se de um alerta semelhante ao daqueles feitos por Paulo em 2 Coríntios 10.2; 13.1,2. Dentre os pecados de Diótrefes, constavam ataques verbais a João e a seus representantes, bem como oposição ativa aos que queriam ajudar ministros legítimos.

 

1.11 — A prova de nosso compromisso com o Senhor é rejeitar pessoalmente o mal e adotar uma vida pautada pelo bem. A ideia de alguém que não tem visto a Deus é melhor explicada em 1 João 3.4-9. A vida que mostramos é reflexo direto do quanto temos visto Deus. Se o víssemos perfeitamente, nunca pecaríamos. Nosso erro, contudo, resulta de uma visão distorcida do Altíssimo. Assim sendo, as Escrituras incentivamos a olhar para Cristo (2 Co 3.18; 4.16-18; Hb 12.2,3), porque no dia em que o virmos com perfeição, seremos iguais a Ele (1 Jo 3.2,3).

 

1.12 — Gaio pode confiar no endosso feito por João a Demétrio, que tem não só boa reputação, mas também testemunho da mesma verdade. Em outras palavras, a vida de Demétrio estava de acordo com os ensinamentos das Escrituras e os mandamentos de Cristo. Sua conduta coincidia com sua teologia.

 

1.13-15 — A concisão da carta reflete que João tem o plano de falar logo a seguir com Gaio. O apóstolo encerra a epístola com uma saudação de paz, característica de cartas gregas. A expressão pelos seus nomes demonstra que, provavelmente, João conhece bem os membros da Igreja e pede a Gaio que saúde cada um pessoalmente.  




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