segunda-feira, setembro 14, 2015

Interpretação de Ezequiel 28

Interpretação de Ezequiel 28

Interpretação de Ezequiel 28



Ezequiel 28

3) A Queda do Príncipe de Tiro. 28:1-19.
Da cidade o profeta passa para o seu governador, como representante do caráter da comunidade, a personificação do espírito da orgulhosa cidade comercial. Rei e povo constituem uma corporação solidária, cujo orgulho e auto-deificação estão condenadas. Outros exemplos da “insanidade da prosperidade” são Senaqueribe (II Reis 17:33-35); Faraó (Ez. 29:3); Nabucodonosor (Dn. 3:15; 4:30; observe particularmente o autoteísmo da Babilônia, Is. 47:7-10); Herodes (Atos 12:21-23); “o homem do pecado” (II Ts. 2:3, 4) e os conquistadores que confiam em suas armas (Hc. 1:11, 16); e todos aqueles que hoje em dia adoram “a deusa da prosperidade”.
O profeta descreve o castigo do orgulhoso príncipe (Ez. 28:1-10); e profere uma lamentação irônica sobre a sua queda (28:11-19).

a) O Castigo do Príncipe de Tiro por Causa de Sua Auto-Exaltação 28:1-10.
2. Príncipe de Tiro é chamado de nagîd, “líder”, um termo usado apenas para com os governantes israelitas, exceto aqui e em Dn. 9:25,26. Seu aparecimento aqui sugere que ele tinha essa posição apenas por designação divina. Ele é chamado “rei”, melek, no versículo 12, exemplificando o conceito do Crescente Fértil de que o governante era o representante dos deuses, e mais do que humano. Ittobaal II era rei de Tiro nessa ocasião (Josefo, Against Apion 1. 21), mas foi o autoteísmo de Tiro, mais que qualquer governante específico, que foi acusado. Cadeira de Deus. Antes dos deuses (RSV). Talvez se refira 1) a um trono vazio no templo tiro reservado para o rei, ou 2) a uma situação invencível de Tiro, ou 3) à ilha como lugar consagrado aos seus deuses.
3. Mais sábio que Daniel. Talvez seja o Daniel das tabuinhas de Ras Shamra (cons. coment. sobre 14:14, 20); ou o Daniel da Bíblia (Dn. 1:17-20; 2:48; 4:8, 9).
4, 5. Esta sabedoria foi dedicada para aquisição de uma grande fortuna.
7. Os mais terríveis estrangeiros dentre as nações; isto é, os caldeus. Veja também 7:21, 24; 30:11; 31:12; 32:12; Hc. 1:5-10. 8. À cova (shahat). Equivalente ao Sheol, o reino dos mortos debaixo da terra (cons. 31:15). Da raiz shûah, “afogar”; da mesma forma, “lugar vazio”, “caverna”.
10. A morte dos incircuncisos. Para os fenícios, que praticavam a circuncisão (Heródoto II. 104), morrer como um incircunciso desprezado era grande vergonha (cons. Ez. 31:18; 32:19, 21, 24 e segs.).

b) Lamentação sobre a Queda do Rei de Tiro. 28:11-19.
Ezequiel aplica ao rei de Tiro uma fábula conhecida entre os fenícios. Ela só tem semelhanças superficiais com a narrativa do Jardim do Éden em Gênesis 2 e 3. No Jardim de Deus, no Éden, vivia com o querubim que o guardava, uma pessoa 1deal ( o Urmensch, ou primeiro homem), a perfeição em sabedoria e beleza. Embora fosse apenas um homem, ele em seu orgulho proclamou-se deus. Pelo seu pecado foi expulso do jardim pelo querubim. De acordo com a palavra de Deus a Ezequiel, o rei de Tiro, seria arruinado por causa de uma ofensa semelhante. Alguns Pais da Igreja Primitiva interpretaram esta parte como se referindo principalmente à queda de Satanás, ou o Anticristo (cons. Is. 14:4-20). Este ponto de vista continua mantido por alguns grupos evangélicos hoje em dia.
12. Lamentações. A lamentação de Ezequiel sobre o rei de Tiro, embora fosse em métrica qinâ, é mais uma ironia que uma lamentação. Tu és o sinete da perfeição. O T.M, diz: Tu és (ou eras) aquele que sela, ou aferidor (hôtem) de proporções, medidas, simetria, isto é, "perfeição" (toknît). No V. T. este uso não se encontra em nenhum outro lugar e as versões variam consideravelmente. Um manuscrito, a LXX, a Siríaca e a Vulgata dão: Tu és (ou eras) o anel do sinete (selo) (hôtam) da proporção, etc., como no T.M. A Siríaca e a Vulgata dão: o anel do selo da imagem (tabnît) de Deus. Outra tradução proposta é a seguinte: Tu eras sábio até a perfeição ('atâ hakam letaklît).
13. Estavas no Éden, jardim de Deus. Observe “monte de Deus” nos versículos 14, 16. Éden deriva-se do acadiano edinu, “planície”, um lugar que comporta irrigação e fertilidade. Também é um jogo com as palavras 'eden, “luxo, gulodice, deleite” (Gn. 49:20; Jr. 15:39; Sl. 8. Veja também Ez. 31:9, 16). De todas as pedras preciosas te cobrias, isto é, eram o teu manto. Nove das doze pedras do peitoral do sumo sacerdote foram mencionadas. Veja Êx. 28:17-30, que faz paralelo com Êx. 39:10-13. Veja também Ap. 21:19, 20. A terceira carreira, omitida aqui, encontra-se na LXX. De ouro se te fizeram os engastes e os ornamentos. O T.M. diz: e (de) ouro (era) o acabamento (me'lakâ) de seus tamborins (o contexto exige “engastes”) e dos seus encaixes (penetrações, neqeb; provavelmente, “gravuras”. Cons. Ac. e Ug.).
14. Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci. O T.M. diz Tu (át) eras um querubim. Leia-se com a LXX e a Siríaca: Com ('et) um querubim. O T.M. diz: ungido (ou “de expansão”; hapax legomenon) que cobre (que faz sombra) e eu te dei (coloquei). Monte santo de Deus. Localizado no recesso do norte (Is. 14:13). Para os fenícios este monte deveria ter sido o Monte Saphôn ou Casius, entre Antioquia e Laodicéia. Cons. o deus tiro, Baal Saphôn, “senhor do Norte”. Brilho das pedras. Pedras que reluziam como fogo (cons. Enoque 18:6-9; 24:1; 25:3); ou, fenômeno que acompanhava a presença divina (cons. Ez. 1:13; 10:16). Cons. o jardim com árvores cheias de jóias no Gilgamesh Epic (IX, v. vi. ANET, pág. 89 ).
15. Perfeito eras (tamîm, “em boa condição, inigualável, inocente”)... até que se achou iniqüidade ('awlaltâ, para o mais costumeiro 'awel) em ti. Não há nenhuma referência ao querubim aqui, pois a Bíblia não fala da queda de algum querubim; e os seres celestiais existiram antes da criação (Jó. 38:7).
16. Na multiplicação do teu comércio. A primeira parte do versículo é provavelmente uma glosa do versículo 5; 26:12; 27:12, 18, antecipando o versículo 17. Pelo que te lançarei profanado fora. O T.M. diz: E eu te profanei (lançando-o fora) do monte de Deus. E o querubim guardião te expulsou (RSV). Esta tradução segue a LXX, we'ibbedka (cons. Gn. 3:24), em lugar do T.M.: E eu te destruí (wa'abbedka), ó querubim da guarda (cons. Ez. 28:14).
17. O teu coração. Esta é uma aplicação direta da história ao rei que representa a cidade (27:3) e os seus habitantes (27:8, 9).
18, 19. Profanaste os teus santuários. O profeta prediz a ruína da própria Tiro. O rei profanou os templos que fadam de Tiro uma ilha santa, provocando a sua destruição por causa do seu próprio pecado. Ele ficou abaixo do padrão da verdade que a sua religião preservou para ele.

F. Oráculo Contra Sidom. 28:20-26.
Outras maldições contra Sidom aparecem em Joel 3:4-8; Zc. 9:2. Sidom (atualmente Saida, provavelmente ligada ao deus Sid, da raiz sûd, “caçar”) está localizada 40 quilômetros ao norte de Tiro. Foi mencionada nas Cartas de Amarna (75, 85, 149, etc.) e por Homero, na Ilíada, 7:290. A tribo de Aser não expulsou os sidônios (Jz. 1:31; 10:12). Sidom mais tarde ficou sujeita à sua filha, a cidade de Tiro (Josefo, Antiq. IX. 14: 2). Foi destruída por Esaradom em 677; junto com Tiro ficou sujeita a Faraó Hofra em 588; a Cambises em 526 (Heródoto VII. 89; VIII. 67); vendeu cedros para a reconstrução do Templo de Jerusalém (Esdras 3:7); foi destruída pelos persas em 345; submeteu-se a Alexandre, o Grande, em 333; e passou para os romanos em 64. Em diversas referências do N. T, está ligada a Tiro (cons. introd. ao cap. 26) e Paulo passou por seu porto (Atos 27:3).
20-23. Eis-me contra ti, ó Sidom. A grandeza do Senhor está reconhecida pelos juízos que são proferidos contra Sidom. Sidom, e outras nações, sempre foram “um espinho que pica e um abrolho que causa dor” para Israel (v. 24).
24-26. A casa de Israel. O castigo para as nações resultará na restauração da casa de Israel. A providência de Deus está claramente visível nestes versículos. O cativeiro de Israel entre seus vizinhos (v. 24) resultará no seu arrependimento e restauração (v. 25), no juízo divino dos seus inimigos ímpios e na paz e prosperidade para Israel (v. 26).