2015/09/08

Significado de Ezequiel 1

Significado de Ezequiel 1

Significado de Ezequiel 1


Ezequiel 1

1.1—3.27 — O chamado e o comissionamento de Deus a Ezequiel e seu ministério profético são apresentados em três estágios: (1) uma revelação do caráter de Deus por meio de uma visão sobrenatural e simbólica (Ez 1.1-28); (2) uma descrição da escolha dos ouvintes concluindo a visão (Ez 2.1-3.15); e (3) uma explicação da tarefa e do desafio divino apresentados ao profeta (Ez 3.16-27).

1.1 — Ezequiel se preparava para ser um sacerdote quando os babilônios atacaram Judá em 597 a.C., e o levaram, com várias outras pessoas, para o cativeiro (2 Rs 24.10-14). No trigésimo ano provavelmente se refere à idade de Ezequiel. Nessa idade, um homem já podia tornar-se sacerdote (v. 3) e começar o serviço no templo (Nm 4-1-3). Nesse caso, foi o período em que Deus chamou Ezequiel como profeta.

Estando eu. De todos os profetas que registraram suas mensagens, somente Ezequiel se refere a si mesmo inicialmente com o pronome na primeira pessoa, mencionando seu nome apenas no versículo 3 (Is 1.1; Jr 1.1; Os 1.1; Jn 1.1; S f 1.1). Rio Quebar. Afluente do rio Eufrates que corre para o sudeste da Babilônia.

Abriram[-se] os céus. Assim como ocorreu com todos os profetas verdadeiros do Israel antigo, a visitação divina a Ezequiel foi iniciativa do Criador. É Ele quem chama algumas pessoas para assumir responsabilidades especiais (Jr 1.1-9).

E eu vi visões de Deus. A palavra visão aqui deriva de um verbo bastante comum no hebraico que significa ver, e não do termo visão, utilizado especificamente para designar visões proféticas, como em Isaías 1. A forma plural, visões, também chama a atenção para as visões de Ezequiel, que não tinham paralelos com a de outros profetas tanto em natureza como em quantidade.

1.2 — Esse era o quinto dia do quarto mês (v. 1). O trigésimo ano de Ezequiel foi 597 a.C., quando o rei Joaquim foi deportado para a Babilônia por Nabucodonosor (2 Rs 24). O estabelecimento de 593 a.C. como sendo o quinto ano do cativeiro do rei Joaquim é determinado pelo calendário babilônico, que começa em março. A deportação de Joaquim para a Babilônia ocorreu após esse rei ter decidido render-se, em vez de submeter Jerusalém ao cerco dos babilônios. Ele permaneceu aprisionado durante 36 anos (2 Rs 25.27), antes de ser liberto pelo sucessor de Nabucodonosor, Evil-Merodaque. Durante seu cativeiro, Joaquim recebeu concessões por parte do governo. Ele pode ter obtido permissão para manter suas terras em Judá, que foram colocadas sob o controle de um administrador.

1.3 — Ezequiel usou a expressão introdutória veio... a palavra do S en h o r cinquenta vezes neste livro. Ela é usada sempre para iniciar uma mensagem divina e, às vezes, para assinalar um novo trecho.

O nome Ezequiel deriva do verbo que significa apanhar, segurar firme + o termo el, Deus. Portanto, o nome Ezequiel indica que ele era um homem que o Senhor havia tomado para si. Veja também Ezequiel 3.8, para outra dimensão do significado desse nome: aquele a quem Deus fortaleceu. E ali esteve sobre ele a mão do SENHOR. A mão do Senhor estava sobre ele. A origem divina da mensagem de Ezequiel é enfatizada nos primeiros versículos.

1.4-14 — Essa é uma ilustração vívida e marcante do Deus todo-poderoso, onisciente e onipresente. Os estudantes da Bíblia não precisam ter dificuldade com tais revelações simbólicas (literatura apocalíptica). Basta que se lembrem de: (1) enfocar a ideia principal da visão, e não os detalhes; (2) deixarem-se guiar por qualquer interpretação divina fornecida no contexto imediato e por passagens paralelas e (3) tratar o texto como linguagem figurada, a qual não deve ser entendida literalmente.

1.4 — Vento tempestuoso [...] grande nuvem [...] fogo a revolver-se. Compare com as descrições das manifestações de Deus em Êxodo 19.16-20; Salmo 18.7-15; Miqueias 1.2-4. Veja também o versículo 13 em diante.

Olhei, e eis que um vento tempestuoso vinha do Norte. Norte geralmente indica a direção a partir da qual a maioria dos inimigos de Israel se aproximava dessa nação. Por exemplo, o império babilônico se estendia desde a terra dos caldeus até o norte da Terra Santa.

No meio uma coisa como de cor de âmbar, que saía dentre o fogo. O termo hebraico traduzido como âmbar também pode ser compreendido como algo semelhante a cor de âmbar (v. 27), metal brilhante (v. 27 a r a ) , ou bronze (v. 27 n t lh ) .

1.5 — No capítulo 10, esses quatro animais são relacionados aos querubins — seres celestiais associados à santidade e à glória de Deus, e, às vezes, de modo poético, a ventos tempestuosos sobre os quais Deus “voa” (SI 18.10). Existem duas interpretações básicas para esses quatro seres viventes: 1) como uma representação profundamente simbólica da divindade ou 2) como representações profundamente simbólicas de seres angelicais que servem diante de Deus. Provavelmente esses seres são angelicais, porque o próprio Deus só é revelado no final do trecho (v. 26). Essas criaturas espirituais espantosas são uma espécie de séquito da majestade divina.

1.6 — Quatro rostos. Essa descrição pode sugerir percepção completa; nada fica para trás nem de lado para essas criaturas. Veja os versículos 8 e 10. Quatro asas. Veja o contraste com a seis asas dos serafins em Isaías 6.2; as asas são descritas com mais detalhes nos versículos 9 e 11.

1.7 — Essa ilustração assinala força e beleza.

1.8 — A descrição dos querubins inclui mãos e rostos [pode ser por mero antropomorfismo ou para assinalar realmente alguma característica humana. De qualquer forma, as mãos apontam para força e ação. As mãos dos querubins trabalhavam pela causa divina, punindo os pecadores e favorecendo os justos].

1.9 — Não se viravam quando andavam; cada qual andava diante do seu rosto. Aparentemente, eles podiam deslocar-se nas quatro direções (v. 6). [Isso assinala a determinação de eles cumprirem todos os propósitos divinos, sem nenhuma hesitação ou impedimento.]

1.10 — Homem [...] leão [...] boi [...] águia. Figuras fantásticas com essas combinações clássicas foram encontradas em iconografias mesopotâmicas e egípcias. Os pontos fortes idealizados de cada figura supostamente estavam presentes no ser vivo descrito. O rosto de homem pode representar o âmbito da inteligência das criaturas de Deus; o rosto de leão, a majestade da criação; o rosto de boi, o serviço e a paciência com que a criação reage a Deus; e o rosto de uma águia, a rapidez para enxergar e trazer o julgamento onde necessário.

1.11,12 — O par de asas estava estendido para frente, em atitude de reverência; o outro par era utilizado para cobrir o corpo, em submissão casta. Compare esta descrição com a dos serafins em Isaías 6.2.

1.13-15 — Fogo [...] relâmpagos. Esses fenômenos geralmente estão relacionados a descrições das aparições de Deus ao Seu povo (Ex 19.16-20). Veja também o versículo 4. Brasas de fogo são um símbolo de julgamento e santidade. Por meio delas, os lábios de Isaías foram purificados (Is 6.7). Chamamos a atenção para as brasas de fogo sobre o altar. Elas se destinam a queimar sacrifícios oferecidos em prol dos pecadores. O fogo do juízo visto nesta visão em breve seria lançado sobre o remanescente judeu rebelde que ainda permanecia na terra.

1.16,17 — O aspecto das rodas e a obra delas eram como cor de turquesa. Na a r a , em vez de eram como cor turquesa, consta eram brilhantes como o berilo. Esse material [pedras preciosas (ntlh), o berilo (nvi) , topázio ou o crisólito] lembra pedras de cor amarelada.

Uma roda no meio de outra roda. As rodas eram capazes de seguir em qualquer direção sem girar sobre o eixo. A roda simboliza movimento. Em seu governo, Deus nunca está estático, mas sempre se move. O remanescente idólatra afirmava que o julgamento não viria. No entanto, a recompensa ou o castigo divino nunca falha.

1.18 — Essas rodas eram tão altas, que metiam medo. As rodas tinham uma grandeza ímpar. O movimento delas era determinado pelo espírito; isto alude à inteligência e à soberania divina, que determina sobre tudo. A palavra medo poderia ser traduzida literalmente como maravilha que causa espanto. E as quatro tinham as suas cambas cheias de olhos ao redor. Esses vários olhos nos aros das rodas apontam para a onisciência de Deus e a plenitude da sabedoria de Deus.

1.19-21 — O profeta enfatiza a ligação das rodas com os animais, bem como a habilidade das criaturas de seguir para onde desejavam. A expressão misteriosa o Espírito da criatura vivente estava nas rodas enfatiza o significado das rodas, que, aparentemente, representavam a flexibilidade e a mobilidade dos seres viventes. E uma ilustração da onipresença de Deus.

1.22,23 — Firmamentos. O mesmo vocábulo hebraico é utilizado em Gênesis 1.6. Ele significa vastidão. Compare também com o mar de vidro, semelhante ao cristal, em Apocalipse 4-6. Um aspecto de cristal terrível, como o brilho do gelo quando o sol reflete sobre ele.

1.24 — O ruído das suas asas. O simbolismo é o de uma força e um poder ilimitados. Nada pode impedir que Deus realize Seus planos e julgamentos. Até mesmo os anjos têm sido utilizados com frequência para executar esse propósito (2 Rs 7.6; Dn 10.6).

O adjetivo Onipotente está associado ao nome divino Shaddai, provavelmente baseado num vocábulo hebraico que significa montanha, para sugerir a onipotência e a majestade de Deus (Ez 10.5).

1.25 — Essa voz está relacionada com o homem do versículo 26. Em Gênesis 1, a voz de Deus ordena que a luz que se manifeste em meio às trevas (Gn 1.3). Em Ezequiel 1.25, acima do ruído das asas dos anjos, ouve-se uma voz. Em João 1.1, está revelado o termo que o apóstolo utiliza para descrever o Salvador: o Verbo.

1.26 — Enquanto Isaías descreve a altitude do trono do Senhor (Is 6.1), Ezequiel enfoca sua beleza.

Safira. Essa é a preciosa lapis lazuli, uma pedra de cor azul profundo com pontos dourados cintilantes. A mesma pedra é citada em Apocalipse 21.19. A figura entronizada com a semelhança de um homem é o ponto alto dessa visão.

1.27,28 — Fogo como metal incandescente (cor de âmbar, no versículo 4), e aspecto do arco que aparece na nuvem no dia da chuva, um resplendor semelhante ao do arco-íris rodeava o Ser sobre o trono (v. 26).

Semelhança da glória do Senhor. A semelhança humana aqui pode indicar a natureza pessoal da revelação de Deus sobre si próprio. Além disso, aponta para o plano de uma revelação mais pessoal de Deus ao manifestar-se por intermédio do Messias (Jo 1.1-18).

A glória indica a maravilha, a majestade e a dignidade do Deus vivo. Entre as rodas, as criaturas, as cores e a luz fulgurante estava uma figura que se parecia com um homem (v. 26). Compare-a à visão de Daniel, que enxergou um como o filho do homem (Dn 7.13).

Caí sobre o meu rosto. A reação do profeta Ezequiel foi a de prostrar-se em adoração e submissão. Todos os crentes devem reconhecer a glória de Deus e curvar-se em humildade perante Ele (Fp 2.10, 11).


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