2016/01/06

Livros Poéticos — Conteúdo do Antigo Testamento

Livros Poéticos do Antigo Testamento

Livros Poéticos — Conteúdo do Antigo Testamento


Os livros poéticos e sapienciais são outra porção importante do conteúdo do Antigo Testamento, seguidos do Pentateuco e dos Livros Históricos.

a. Jó.  Se o relato é real, então tudo ocorreu no norte da Arábia. Mas a ausência de qualquer genealogia indica, para alguns que o livro é um a espécie de romance filosófico, criado com o propósito de ensinar lições morais e espirituais, especialmente no que tange ao problema do mal. Por que o justo sofre? Satanás é retratado como um espírito dotado do poder de provocar toda a espécie de males contra os homens. Podemos aceitar essa exposição se supormos que Deus permite os acontecimentos tendo em vista o nosso bem, e também se lembrarmos que os judeus não sabiam explicar devidamente as causas, tendendo por esquecer-se de que há uma primeira causa (Deus), e muitas causas secundárias, que podem operar e realmente operam de modo independente de Deus. Para alguns, é motivo de perturbação saber que Deus deu ouvidos a Satanás, permitindo que um homem inocente sofresse, sob instigação do diabo. Mas isso exprime uma antiga teologia que não resiste ao teste da veracidade. Ou, alternativamente, Deus pode permitir que o crente sofra injustamente, a fim de acrisolá-lo, extraindo a escória e deixando sua fé mais pura — exatamente o que sucedeu a Jó.

Apesar desse senão, o livro aborda o tema do mal e do sofrimento com grande maestria, e isso em meio à mais excelente .poesia do tipo hebraico. É interessante como alguns estudiosos ficam desapontados diante do final da história, pois tudo terminou tão bem para Jó, ao passo que a vida humana, mais frequentemente, termina em tragédia, de fato, as tragédias gregas, nas quais o herói sofre perdas variadas e irreparáveis, são mais fiéis à realidade humana. Por causa desse “fim” benigno, alguns têm suposto que o final do livro de Jó não é autêntico aos fatos, em bora não haja a menor evidência textual para tal ideia. Nem sempre as tragédias terminam tragicamente. Apesar de sua vida terrena ter terminado tragicamente, houve um a reversão mais do que compensadora, mediante Sua gloriosa ressurreição, e Jesus recomendou aos Seus seguidores: “...tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33). Essa é a lição do livro de Jó.

b. Salmos.  Em sua maior parte, os cento e cinquenta salmos são orações ou cânticos de louvor e petição, que refletem as experiências diárias, com as suas muitas alegrias, tristezas, perigos e aspirações, tanto terrenas quanto espirituais. Dentre esses salmos, setenta e três são atribuídos a Davi. Mas como alguns salmos são anônimos, é possível que também tenham sido de sua autoria. Além dos salmos de natureza pessoal e humana, há aqueles de natureza teológica, reveladores da pessoa e do poder de Deus, tanto em Si mesmo como no Seu relacionamento com os homens. No Novo Testamento, o livro de Salmos é o mais citado de todos os livros do Antigo Testamento, e muitos deles têm um pronunciado caráter messiânico. Dez dos Salmos são atribuídos aos filhos de Coré (Sal. 42, 44 - 49, 84, 87 e 88), e doze a Asafe (Sal. 50, 73 - 83). O Salmo 90 é atribuído a Moisés; o Salmo 127 a Salomão; o Salmo 83 a Hamã; e o Salmo 89 a Etã. Salmos anônimos, entre outros, são os de números 103, 104 e 119. Alguns dos Salmos eram usados na liturgia veterotestamentária, e muitos deles exprimem a personalidade de Israel como uma corporação, e não apenas as emoções de alguns salmistas individuais.

c. Provérbios. Essa é um a grande coletânea de máximas vigorosas, de encorajamentos positivos e de advertências, por detrás da qual brilha a famosa sabedoria de Salomão, o qual falou sobre todas as situações imagináveis da vida diária. Alguns temas dizem respeito aos pais, outros à fidelidade aos votos conjugais, à honestidade nos contratos, aos sábios, aos insensatos, aos ímpios, aos presunçosos, aos bondosos e virtuosos, e outros são advertências acerca de vários vícios.

d. Eclesiastes. O filósofo Salomão fala do ponto de vista hum ano sobre a futilidade de todo esforço e empenho humanos, porquanto, à parte da providência e da orientação divinas, tudo resulta em nada. Alguns pensam que o livro teve dois autores, um dos quais totalmente negativo, que não acredita na existência da alma, ao passo que o outro seria mais esperançoso, crendo na existência e valor da alma. Mas, na conclusão, o livro termina em tom positivo, demonstrando que a finalidade da existência humana é caminhar pela senda do dever: temer a Deus e guardar os Seus mandamentos.

e. Cantares de Salomão.  Esse é o livro poético que mais tem suscitado debates. Alguns pensam que ele não deveria fazer parte do cânon do Antigo Testamento. As interpretações do livro são duas: ele exprime o puro amor conjugal, segundo foi ordenado por Deus na criação; ou então simboliza o amor de Cristo por Sua noiva celestial, a Igreja. Todos admitem que até o esboço do livro é difícil de ser acompanhado. Porém, homens e mulheres de ilibada santidade têm encontrado nesse livro um deleite espiritual dos mais profundos. Somente as mentes de forte pendor ascético, que imaginam que o amor marital é condenável, voltam-se contra o livro como indigno de fazer parte da Bíblia.  

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