2019/09/02

Estudo sobre Ezequiel 1

Estudo sobre Ezequiel 1

Estudo sobre Ezequiel 1 



Ezequiel 1

I. O CHAMADO DE EZEQUIEL (1.1—3.27)
1) Época e lugar (1.1-3)
v. 1. trigésimo ano: A visão inicial de Ezequiel tem uma datação dupla. A data mencionada no v. 2 é imediatamente inteligível, mas a época a partir da qual é contado o trigésimo ano é incerta. O profeta pode estar indicando a sua idade: no ano em que normalmente estaria entrando no seu serviço sacerdotal (cf. Nm 4.3), ele percebeu que estava sendo chamado para um ministério diferente. W. F. Albright (menos provável) sugere que o trigésimo ano é contado a partir da mesma época que as outras datas do livro e assinala o tempo em que foi concluída a compilação dos oráculos de Ezequiel (i.e., 568 a.C.), ou quando Ezequiel os ditou de memória a um escriba, assim como Jeremias ditou as suas profecias a Baruque (Jr 36.1-4). junto ao rio Quebar. i.e., o “grande canal” (o atual Shatt en-Nil), que se separava do Eufrates um pouco ao norte da Babilônia, passava ao lado de Nippur (c. 95 quilômetros a sudeste da cidade da Babilônia) e depois desembocava novamente no Eufrates ao sul de Ur. Os exilados eram os que viviam em Tel-Abibe (v. 3.15). Foi nessa situação deprimente, longe do lar, que ele viu os céus se abrirem e teve visões de Deus — significando (como indica a analogia de 8.3; 40.2) visões concedidas por Deus.
v. 2. no quinto dia do quarto mês: se o mês era de fato o quarto mês (tamuz), como no v. 1, então o dia foi 31 de julho de 593 a.C., pois o quinto ano do exílio do rei Joaquim durou desde 1- de nisã (30 de abril) daquele ano até 29 de adar (18 de abril) de 592 a.C. Sabemos, com base em uma fonte babilônica contemporânea, que o exílio de Joaquim começou em 2 de adar (16 de março) de 597 a.C. As autoridades babilônicas continuavam dando a ele algum reconhecimento como rei no exílio, e é o que evidentemente faziam os seus conterrâneos exilados; em reconhecimento das circunstâncias da época, no entanto, Ezequiel data as suas visões de acordo com o exílio de Joaquim, e não do seu reinado. O seu reinado havia durado pouco mais de três meses (2Rs 24.8; 2Cr 36.9). Acerca do seu sucessor Zedequias, v. 17.13ss; 21.35. v. 3. A palavra do Senhor veio: uma expressão comum no ATOS para descrever a experiência profética (cf. lRs 17.8; Os 1.1). E menos frequente encontrarmos fora de Ezequiel a expressão a mão do Senhor estava sobre um profeta. Quando a expressão é usada em relação a Elias (lRs 18.46) ou Eliseu (2Rs 3.15), indica uma capacitação sobrenatural especial; em Ezequiel, denota o início do êxtase profético.

2) A visão inicial (1.4-28a)
A descrição da visão inicial de Ezequiel é um dos trechos mais difíceis de traduzir em todo o ATOS; a tradução da NEB é extraordinariamente bem-sucedida. Mas a lição principal transmitida pela visão é clara: o Deus de Israel não está preso ao seu templo em Jerusalém. O seu trono, equipado com rodas e suspenso pelos querubins, é móvel; ele pode manifestar — e de fato manifesta — sua presença a Ezequiel na Babilônia tão facilmente como a havia manifesto, por exemplo, a Isaías em Jerusalém (Is 6.1ss); ele é o Deus do céu e da terra.
v. 4. uma tempestade, uma nuvem de tempestade repleta de raios e relâmpagos era um meio tradicional de teofania em Israel; cf. Êx 19.16-18; lRs 19.11,12; SL 18.7-15; 68.7-10. Se nessa ocasião ela vinha do norte, a presença do Senhor provavelmente seguiu a mesma rota que os exilados haviam tomado para a Babilônia, e as deidades locais não podiam impedir o seu avanço. Os quatro vultos que pareciam seres viventes (v. 5) são identificados em lO.lss como querubins, formas compostas simbolizando os ventos ou, de forma mais geral, as forças da natureza que suspendiam o Deus de Israel à medida que ele montava nas nuvens (SL 18.10; 68.4) e sustentavam o seu trono invisível no santíssimo lugar do templo em Jerusalém (lRs 6.23-28). Antes do estabelecimento do templo de Jerusalém, Javé dos Exércitos era conhecido em Siló como aquele “que tem o seu trono entre os querubins” (1Sm 4.4), e ele continuava a ser adorado com esse título em Jerusalém (SL 80.1; 99.1). Na visão de Ezequiel, destaca-se o aspecto de que esse trono não era estacionário; ele pode se mover em qualquer direção — para a frente, para trás, para os lados, para cima ou para baixo. Como em teofanias anteriores (SL 68.17) e posteriores (Dn 7.9), ele é um trono-carro (cf. lCr 28.18).
A palavra traduzida por metal reluzente (v. 4; cf. v. 27), heb. hashmal, é de significado incerto; a NEB traduz aqui: “um brilho como de latão” (LXX: êlektron-, Vulg.: electrum). G. R. Driver sugere que as imagens da visão de Ezequiel “devem ter sido sugeridas a ele, como era frequente, por algum objetivo ou processo conhecido, aqui a obra de um fundidor de latão babilônico (VT, 1, 1951, p. 52). Isso é no mínimo preferível a entender aqui a descrição de um dínamo, sem falar na sugestão de uma nave espacial, v. 7. Suas pernas eram retas: como as de um ser humano, embora os seus pés fossem fendidos, como bronze polido: a NEB é melhor aqui quando traz “como um disco de bronze”, v. 13. tochas-. cf. a “tocha acesa” que simbolizava a presença divina em Gn 15.17. O v. 14 está ausente na LXX.
v. 16. berilo, a BJ traz “crisólito”. v. 18. Seus aros eram altos e impressionantes-, é interessante traduzir, como faz a NEB: “Todas as quatro rodas tinham cubos, e cada cubo tinha uma projeção que tinha o poder da visão”, v. 20,21. o mesmo Espírito estava nelas [nas rodas]: a ARA traz: “porque nelas havia o espírito dos seres viventes”: de forma que as rodas funcionavam como extensões vivas dos seus corpos.
v. 22. o que parecia uma abóbada: o firmamento de Ezequiel, reluzente como gelo, é provavelmente idêntico ao “mar de vidro, claro como cristal [...] misturado com fogo” de João (Ap 4.6; 15.2); Ezequiel o viu de baixo, João o viu de cima. Os detalhes são fundamentados em parte na visão do Deus de Israel descrita em Ex 24.10. Lá Moisés e seus companheiros viram sob seus pés “algo semelhante a um pavimento de safira, como o céu em seu esplendor”. Assim, aqui Ezequiel vê Acima da abóbada [...] o que parecia um trono de safira, ou lápis-lazúli (v. 26).
Contudo, enquanto em Êx 24.10 não se faz nenhuma tentativa de retratar o próprio Deus de Israel, Ezequiel nos conta que bem no alto, sobre o trono, havia uma figura que parecia um homem. Se o homem foi feito à imagem de Deus (Gn 1.27), então não é inapropriado que, na falta completa de menção da aparição de Deus, ele fosse retratado antropomorficamente, ao menos na linguagem da analogia experimental. Assim, em Dn 7.9ss, enquanto o “ancião” (“Ancião de Dias”, ARA) é diferenciado daquele que é “semelhante a um filho de homem”, ele se assenta no trono chamejante equipado com rodas, e os seus trajes e cabelo são descritos, v. 28. Tal como a aparência do arco-íris: a referência ao arco-íris pode bem estar nos lembrando do seu significado da aliança em Gn 9.12-17 (em que está dissociada de linguagem teofânica).

3) O comissionamento do profeta i (1.28b—3.15)
Depois de ter recebido a visão de Deus, Ezequiel agora recebe a comissão profética. Ele deve ser o mensageiro ao povo de Israel exilado na Babilônia, mas o profeta não recebe a garantia de que a sua mensagem vai ser acolhida; aliás, com base na descrição daqueles a quem ele é enviado, ele pode esquecer a esperança de alguma reação favorável. Mas a tarefa do mensageiro é entregar a mensagem fielmente; a responsabilidade de dar atenção a ela está do lado dos ouvintes.
1.28b. a aparência da figura da glória do Senhor: a multiplicação dos termos qualificativos tem o propósito de causar reverência; Ezequiel não reivindica ter visto Deus diretamente. A glória do Senhor é a sua presença ou shekinã, como em Ex 34.18; 40.34,35; lRs 8.11.


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