2019/09/02

Estudo sobre Ezequiel 14

Estudo sobre Ezequiel 14

Estudo sobre Ezequiel 14




Ezequiel 14

A idolatria entre os exilados (14.1-11)
Havia falsos profetas não somente em Judá e Jerusalém; entre os exilados, também havia os que tentavam seduzir os compatriotas a adotarem as práticas religiosas dos seus vizinhos babilônios. Quando os líderes da comunidade do exílio vieram consultar Ezequiel acerca da vontade de Deus, ele não pôde fazer o que eles pediram porque nutriam tendências idólatras nos seu coração; a única resposta que eles poderiam receber seria uma de juízo direto do próprio Deus.
v. 1. autoridades de Israel: cf. 8.1, em que, no entanto, eles são chamados “autoridades de Judá”. v. 3. tropeços ímpios: a NEB traz ”as coisas pecaminosas que causaram a sua queda” (cf. 7.19), aqui se referindo a ídolos (gillulim, como em 6.4). v. 5. reconquistar o coração: BJ: “apoderar-me do coração” —com o propósito de causar temor e o consequente arrependimento, v. 7. Quando qualquer israelita...: a linguagem é semelhante à das leis criadas por caso de precedência do Código de Santidade (cf. Lv 17.3 etc.), qualquer estrangeiro residente em Israel: nesse contexto, esses estrangeiros residentes talvez sejam prosélitos (cf. 47.22,23). v. 8. Yoltarei o meu rosto contra aquele homem...: acerca das penalidades da idolatria, cf. Lv 20.3,5,6; Dt 13.1 ss. um exemplo e um objeto de zombaria: cf. 5.15; Dt 28.37; Jr 24.9. Eu o eliminarei do meu povo: a ideia é expulsá-lo da comunidade da aliança de Israel, v. 9. eu, o Senhor, terei enganado aquele profeta: com o propósito de testar o seu povo, como em Dt 13.3. Cf. o “espírito mentiroso” enviado com permissão divina para enganar os profetas de Acabe como uma ”isca” para levá-lo à morte em Ramote-Gileade (lRs 22.20-23). O verbo pittah é traduzido por “enganar” ali, aqui em Ez 14.9 e também em Jr 20.7, 10, em que os oponentes de Jeremias esperam que ele esteja enganado nas suas profecias, para que fracasse na sua missão, e ele mesmo teme que isso de fato aconteceu com ele: “Senhor, tu me enganaste. e eu fui enganado”, v. 10. O profeta saiu tão culpado quanto. a condenação do profeta no final do v. 9 é a de um idólatra em geral no v. 8 (cf. Jr 14.15,16). v. 11. Serão o meu povo, e eu serei o seu Deus: a promessa da aliança, como em 11.20.

5) A condição deplorável de Jerusalém é irremediável (14.12-23)
Que a presença de homens justos em uma comunidade, especialmente se forem grandes intercessores, pode protegê-la contra o desastre é um tema recorrente no ATOS: o exemplo clássico é a garantia divina dada a Abraão com relação a Sodoma (Gn 18.23-32). Mas a condição de Jerusalém agora é tão desesperadora que o homem mais justo que já tivesse vivido não poderia salvá-la da fome, dos animais selvagens, da espada e da peste. O mesmo tema é formulado em Jr 15.1-4, em que Moisés e Samuel (intercessores realmente grandes) têm o papel que Noé, Daniel e Jó têm no texto estudado aqui.
v. 13. para cortar o seu sustento: cf. 4.16; 5.16. v. 14. Noé, Daniel eJó: três homens que se sobressaíram por sua justiça; acerca de Noé, cf. Gn 6.9; 7.1 (contudo as únicas pessoas resgatadas em virtude da justiça dele foram pessoas da sua própria família), e acerca de Jó, cf. Jó 1.1,8 (e 42.8,10, em que ele ora com eficácia por seus três amigos). Daniel (heb. daríeí, NEB: “Danei”) é soletrado de forma diferente do herói do livro de Daniel, contemporâneo de Ezequiel, e possivelmente deve ser identificado com uma personagem comparável em antiguidade com Noé e Jó — o Danei que é celebrado na literatura ugarí-tica do século XIV a.C. como um governante justo e sábio, que julgou a causa da viúva e do órfão (cf. 28.3). (Pode ser coincidência que um “Danei” seja mencionado em Jubileus 4.20 como o tio e sogro de Enoque.) Se essa identificação puder ser sustentada, então todos os três homem justos desse texto eram não-israelitas (ao contrário dos israelitas Moisés e Samuel em Jr 15.1), mas, se eles vivessem em Jerusalém, a sua justiça serviria apenas para salvar a sua própria vida — nem mesmo (em contraste com a narrativa do Dilúvio) a vida das suas famílias. Isso pode ser uma antecipação do individualismo ético destacado em 18.1ss; 33.10-16.
v. 21. os meus quatro terríveis juízos: resumindo as ameaças em maiores detalhes dos v. 12-20. Três das quatro — a espada, a fome [...] e a peste — já foram mencionadas nos oráculos de 5.12 e 6.12, e a outra — animais selvagens — no de 5.17. v. 22. haverá alguns sobreviventes: cf. 12.16. Aqui a sobrevivência de algumas pessoas do cerco e saque de Jerusalém não é tanto um ato de misericórdia para os próprios sobreviventes quanto uma fonte de consolo para os exilados: quando eles virem os sobreviventes e ouvirem de suas experiências angustiantes, ficarão felizes por terem sido levados para o exílio já antes e vão entender que Deus teve um propósito nisso tudo.

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