2019/09/02

Estudo sobre Ezequiel 18

Estudo sobre Ezequiel 18

Estudo sobre Ezequiel 18 




Ezequiel 18

Responsabilidade pessoal (18.1-32) 
Quando vinha o sofrimento, em forma de invasão, cerco e exílio (como dessa vez) ou de outra forma, havia a tendência entre os que o experimentavam de dizer que os pecados dos pais estavam sendo visitados nos filhos, que eles não estavam sofrendo por causa de um pecado deles mesmos, mas por causa de delitos dos seus antepassados. Essa atitude poderia encontrar alguma base no decálogo (Ex 20.5; cf. 34.7) e no juízo anunciado por Jeremias e pelo autor de Reis segundo o qual a apostasia de Manassés, menos de um século antes, somente poderia ser expiada por meio de domínio estrangeiro e do exílio (Jr 1.15, 16; 5.1-17; 17.1-4; 2Rs 21.10-15; 22.16-20; 23.26,27; 24.1-4). Mas, quando destacada em excesso, essa posição tinha a tendência de destruir todo o senso de responsabilidade pessoal; por essa razão, Ezequiel apresenta um contrapeso a isso no que tem sido chamado de “atomismo moral” desse capítulo. Em Sl e por Sl só, esse “atomismo moral” seria tão unilateral quanto a atitude que tenta corrigir, mas, quando o seu propósito corretivo é reconhecido, a pertinência em relação à situação do momento pode ser apreciada. Que um homem poderia sofrer o castigo de outros era algo com que Ezequiel estava familiarizado (4.4-6) e seria exemplificado de forma suprema no Servo do Senhor (Is 53.11,12). O conteúdo do cap. 18 é resumido mais tarde em 33.10-20.
a) Um provérbio enganoso (18.1-4). v. 2. ‘Os pais comem uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotam’-, i.e., os filhos estão pagando pelas ações dos seus pais. O provérbio é citado também em Jr 31.29,30 e refutado de forma semelhante: “cada um morrerá por causa do seu próprio pecado. Os dentes de todo aquele que comer uvas verdes se embotarão”. v. 4. Pois todos me pertencem (“Eis que todas as almas são minhas”, ARA): cada pessoa individualmente (heb. nephesh) é uma criação única de Deus; a pessoa que pecar (e não os seus descendentes) é que morrerá (ou sofrerá) pelo seu pecado.
b) Mudança moral de geração a geração (18.5-20). v. 5. Suponhamos que haja um..:. essa é a introdução comum a uma lei criada por caso de precedência na legislação israelita (cf. Êx 21.7,20,26,33; 22.1 etc.). Os detalhes de conduta nos v. 6-9 que tornam um homem justo são especialmente evidenciados no Código de Santidade (Lv 17—26), embora sejam encontrados em outras partes da Lei também, v. 6. come nos santuários que há nos montes-, provavelmente uma referência às refeições sagradas nos altares idólatras (cf. 6.2ss; 20.28,29), proibidas por dedução em Dt 12.2-28. Josias havia abolido a adoração nos altares dos lugares altos (2Rs 23.8ss), mas as suas reformas tiveram vida curta, olha (“levantando os olhos”, ARA): cf. SL 121.1, provavelmente deveria ser traduzido por “Deveria eu levantar os meus olhos para os montes?” — e a resposta subentendida é: “Não”. nem se deita com uma mulher..:, cf. Lv 18.19;
20.18. v. 7. devolve o que tomou como garantia-. cf. Êx 22.26,27; Dt 24.10-13. v. 8. não empresta visando lucro-, cf. Êx 22.25; Lv 25.36; Dt 23.19; SL 15.5. v. 9. ele viverá: cf. Lv 18.5: “o homem que os praticar viverá por eles”.
v. 10. Suponhamos que ele tenha um filho violento..., a justiça do pai não pode ser creditada a um filho ímpio. São os que fazem as obras de Abraão que são os verdadeiros filhos de Abraão (Jo 8.39). v. 12. comete práticas detestáveis', i.e., idolatria, v. 13. com certeza será morto-, eco de uma fórmula jurídica (cf. Ex 19.12 etc.), ele será responsável por sua própria morte-, cf. Lv 20.1 lss, Ele (e ninguém mais) será responsável por sua morte, o castigo do seu próprio mau comportamento.
v. 14. Mas suponhamos que esse filho tenha ele mesmo um filho..., a maldade do pai não pode ser debitada ao filho justo. v. 20. Aquele que pecar é que morrerá', repetição do v. 4. Cada geração é responsável por Sl mesma com relação à recompensa ou ao castigo por comportamento justo ou ímpio. O filho não levará a culpa do pai...-, isso já foi estabelecido como princípio jurídico em Dt 24.16 e exemplificado historicamente em 2Rs 14.6; aqui é afirmado como um princípio da forma em que Deus age com os homens.
c) Mudança moral durante a vida de uma pessoa (18.21-24). Um homem ímpio que se arrepende e corrige a sua vida será perdoado (v. 21,22); cf. o relato do cronista acerca do rei Manasses (2Cr 33.12,13). Ao contrário disso, um homem antes justo que se volta para a iniquidade e idolatria vai sofrer a retribuição condizente (v. 24); cf. o relato de Joás, rei de Judá (2Cr 24.17ss). Mas nesse parágrafo o destaque principal é dado ao desejo profundo que Deus tem de perdoar. Todos os grandes profetas expressam isso de uma forma ou de outra: Teria eu algum prazer na morte do ímpio? (v. 23; cf. v. 32).
d) A vindicação divina (18.25-29). v. 25. ‘O caminho do Senhor não éjusto’-, porque, como eles pensavam, Deus fazia os filhos sofrerem pelos pecados dos pais. Mas ele responde ao repetir o conteúdo dos v. 21-24, em ordem inversa, para destacar que os seus caminhos são de fato justos, porque ele ressalta a responsabilidade pessoal; a injustiça que houver está no caminho deles, e não no de Deus.
e) O chamado ao arrependimento (18.30-32). v. 30. para que o pecado não cause a queda de voces', lit. “e vocês não terão mais a pedra de tropeço da iniquidade” (cf. 7.19; 14.3,4,7). Os problemas pelos quais estavam passando os faziam queixar-se de que Deus era injusto. “Arrependam-se”, Deus diz, “e ponham-me à prova; livrem-se dessa atitude rebelde e busquem um coração novo e um espírito novo” (v. 31). Cf. 11.19,20; 36.26,27, em que esse é o presente de Deus para um povo arrependido. v. 32. Pois não me agrada a morte de ninguém'. cf. v. 23. E porque Deus tem prazer na misericórdia que o seu apelo é tão urgente e intenso: Por que deveriam morrer? (v. 31). Arrependam-se e vivam (cf. 33.11).

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