Estudo sobre Filipenses 4:4-5

Filipenses 4:4-5

Na sequência aparecem aquelas linhas que conhecemos e amamos desde a infância como epístola que é lida no 4º domingo de Advento, o domingo que antecede o natal. Justamente por isso vale a pena ouvi-las mais uma vez de forma nova e fora de qualquer “clima” pré-natalino. Nem o escritor nem os destinatários dessas palavras viviam num clima de bem-estar e conforto exterior. Essa palavra da alegria é escrita por um preso, cujo processo de vida e morte acaba de entrar em um estágio decisivo. Por essa razão tem peso o “sempre”! Ainda que chegue a Filipos a notícia da sentença de morte – Paulo já declarou isso expressamente em Fp 2.17s – ainda que as opressões na própria Filipos não acabem, ainda que existam os “muitos” dos quais somente se pode falar com lágrimas, a alegria é dádiva e tarefa decisiva da igreja! “No Senhor” a igreja “sempre” possui alegria! Até mesmo as aflições na verdade são “participação nos sofrimentos dele” (Fp 3.10) e, por isso, “alegria”. – Será que ainda sabemos que “alegria” não é um adorno secundário eventual no cristianismo para os dias favoráveis, mas conteúdo essencial do ser cristão? Será que os cristãos e as congregações cristãs podem ser reconhecidos por sua alegria radiante em um mundo que precariamente oculta seu profundo medo de viver e sua decepção por trás de seus “divertimentos”? Porventura o brilho da alegria paira sobre todas as reuniões e cultos cristãos? Será que dessa forma o cristianismo atrai as pessoas famintas de alegria? Paulo presta um serviço também a nós quando diz expressamente: “Novamente direi: alegrai-vos!”


Certamente havia algo correto no bordão “força pela alegria”. Justamente do contentamento profundo brota o que Almeida traduziu por “moderação”. O termo grego significa “bondade, suavidade, transigência”. Todas as pessoas em Filipos, amigos e inimigos, devem notar traços do que Martinho Lutero certa vez expressou assim: “Meu ânimo está alegre demais para que eu pudesse ser visceralmente inimigo de alguém.” Quem está pessoalmente repleto de alegria gosta de causar alegria também a outros, gosta de repartir, gosta de abrir mão de reivindicações e direitos.

A igreja não precisa ter medo de que assim venha a ser arrasada! “O Senhor está perto!” Novamente compreenderemos essa palavra em seu sentido escatológico, muito diferente de gerações passadas. Foi assim que também Tiago associou a exortação para a tolerância fraterna com a referência ao Juiz vindouro (Tg 5.9), como a seu modo já fizera Jesus (Mt 5.25). Se o Senhor chegar em breve e os grandes acontecimentos começarem – quem ainda terá vontade de se deter com pequenas disputas! Quando Jesus está diante da porta e bate, Juiz sobre toda a impiedade e dureza, quem não gostaria de fazer parte do grupo dos “mansos” que herdarão a terra, e dos “pacificadores” que serão chamados “filhos de Deus”! A “proximidade” do Senhor no sentido de Sl 145.18 não está necessariamente excluída. Contudo, essa “proximidade” na realidade já foi substituída por algo muito maior: pelo “habitar” do Cristo nos corações por meio da fé (Ef 3.17) e pela presença do Espírito Santo.