2016/06/29

Estudo sobre Apocalipse 16

Estudo sobre Apocalipse 16

Estudo sobre Apocalipse 16


O derramamento das sete pragas (16.1-21)
Há um paralelismo extraordinário entre a maioria dos castigos das trombetas dos caps. 8—11 e as últimas pragas do cap. 16. Na primeira forma de cada série, a terra, o mar, a água e o sol são afetados respectivamente; mas os presentes juízos são mais severos do que suas contrapartes das trombetas; onde os juízos anteriores afetavam um terço das áreas em questão, estes afetam o todo. A sexta praga na presente série, como o sexto juízo da trombeta, afeta o Eufrates; e o esvaziamento da sétima taça, como o toque da sétima trombeta, é seguido de uma proclamação do céu. Podemos ficar admirados também diante da semelhança entre estas “últimas pragas” e as pragas no Egito. Por impalatável que seja a obra de juízo, ela é inseparável de um universo moral. Paulo pergunta: “Será que Deus é injusto ao trazer o seu juízo sobre nós?”. “Certamente não” é a sua resposta. “Se fosse assim, como Deus iria julgar o mundo?” (Rm 3.5,6). Por simbólicos que sejam os detalhes dessas pragas, denotam realidades terríveis. Mais terrível ainda do que as próprias pragas, no entanto, é a forma em que aqueles sobre os quais as pragas caem são endurecidos na sua impenitência.
v. 1. ouvi uma forte voz que vinha do santuário'.: A voz do próprio Deus. Vão derramar sobre a terra. Aqui a palavra “terra” é usada em sentido geral, e não é restrita à terra seca, como no v. 2. v. 2. feridas malignas e dolorosas-. Como a praga egípcia das feridas purulentas (Ex 9.8ss). v. 3. no mar, e este se transformou em sangue como de um morto, e morreu toda criatura que vivia no mar. Um juízo mais amplo e completo do que o semelhante de 8.8,9. v. 4. e eles rios e fontes] se transformaram em sangue-. Como na primeira praga no Egito (Ex 7.17ss). v. 5. o anjo que tem autoridade sobre as águas: Os diversos elementos e forças naturais são todos colocados debaixo do controle de seus respectivos anjos na literatura judaica desse período; cf. os quatro anjos que controlaram os quatro ventos em 7.1, e o anjo do fogo em 14.18. Tu és justo [...] porque julgaste estas coisas-. O hino dos v. 5,6 toca a mesma nota que o de 15.3,4, e de forma semelhante faz eco do cântico de Moisés em Dt 32. tu, o Santo, que és e que eras: Mesmo em 1611, não havia justificativa para a leitura da VA: “que és, que eras e que serás”; todas as versões inglesas anteriores trazem “santo” e não têm conhecimento de “serás” (que resultou de uma leitura errônea do gr. hosios, “santo”, como o particípio futuro esomenos)
v. 6. como eles merecem. As mesmas palavras gregas que são traduzidas por “são dignos” em 3.4 — “uma antítese terrível” (H. B. Swete). v. 7. E ouvi o altar responder. O altar de incenso responde com um Amém à confirmação da justiça divina; por que o altar? Talvez porque foi testemunha da oração dos mártires em 6.10. v. 8 .foi dado poder ao sol para queimar os homens com fogo: Ao contrário disso, quando a quarta trombeta tocou, um terço da luz solar (e da luz dos outros luminares) foi escurecido. v. 9. recusaram arrepender-se e glorificá-lo. Ao contrário dos que sobreviveram ao terremoto de 11.13; mas cf. 9.20,21 e seu comentário. v. 10. O quinto anjo derramou a sua taça sobre o trono da besta: Supostamente em Roma; o centro do poder mundial é atacado agora, cujo reino ficou em trevas-. Cf. a nona praga no Egito (Ex 10.21ss). De tanta agonia, os homens mordiam a própria língua-. Dificilmente em virtude da escuridão, mas por causa do sofrimento contínuo da praga anterior, que foi agravada pela escuridão, v. 11. e blasfemavam contra o Deus dos céus [...] contudo recusaram arrepender-se-. Uma repetição do v. 9. v. 12. o grande rio Eufrates [...] secaram-se as suas águas-. Depois do toque da quinta trombeta, quatro anjos-demônios presos na fronteira do Eufrates foram soltos para invadir o Império Romano. Agora, através do leito seco do rio, os reis que vêm do Oriente (uma referência aos partos e seus aliados) podem invadir as províncias romanas sem impedimentos. 
Pior, porém, do que essa devastação da civilização em boa ordem pela incursão de exércitos estrangeiros é a perversão da mente dos que estão em autoridade por ação de poderes demoníacos, operando em escala mundial para engolir a humanidade na derradeira catástrofe. Esses poderes demoníacos são aqui retratados como os três espíritos imundos semelhantes a rãs (v. 13) que saíam da boca da perversa trindade. O quadro pode ter sido sugerido pela segunda praga no Egito (Ex 8.2ss); mas esta é uma praga infinitamente mais destrutiva. Os reis de todo o mundo — não somente os invasores do Oriente mas os governantes do Império Romano e os bárbaros mais afastados (cf. 17.12ss) — são reunidos para a batalha do grande dia do Deus todo-poderoso (v. 14), o dia em que sua causa é finalmente vindicada.
v. 15. Eis que venho como ladrão-. Essa observação entre parênteses feita por Cristo (cf. 3.3) não é uma declaração acidentalmente deslocada: “o dia do Senhor virá como ladrão à noite” (lTs 5.2; cf. Mt 24.43,44). Feliz aquele que permanece vigilante e conserva consigo as suas vestes...-. O soldado que está alerta e preparado para um ataque repentino ou um chamado para a ação não vai perder tempo procurando a sua roupa nem sofrer desgraça ao fugir nu naquele dia (Am 2.16; cf. Mc 14.52). E sugerida aqui a vigilância espiritual, “porque vocês não sabem o dia nem a hora” (Mt 25.13). para que não ande nu e não seja vista a sua vergonha-. De acordo com a Mishná, o capitão do templo em Jerusalém fazia a sua ronda dos arredores à noite, e, se um membro da guarda do templo fosse pego dormindo no seu posto, suas roupas eram tiradas e queimadas, e ele era mandado embora nu em desgraça. Cf. 3.18.

v. 16. Então os três espíritos os reuniram [os reis]: O sujeito na VA, “ele”, se deve ao verbo synêgagen no singular, mas o verbo está no singular porque o sujeito é neutro plural, no lugar que, em hebraico, é chamado Armagedom. Melhor “Har-Magedom”, que pode ser interpretado em hebraico por “monte Megido” — a grafia Megiddon aparece no TM em Zc 12.11 e Magedõn na LXX em 2Cr 35.22. Megido foi o cenário de muitas batalhas decisivas na Antiguidade, como também em tempos mais recentes. A dificuldade com isso, no entanto, é que aqui não há “monte Megido”; Megido era o nome da cidade que deu o seu nome ao desfiladeiro que ela controlava. Uma sugestão alternativa, que não está isenta de dificuldades, é que a referência seja ao hebraico har moled, o “monte da assembleia” de Is 14.13; o lugar da assembleia divina tem a sua contraparte demoníaca. De todo modo, o campo em que esses reis e seus exércitos estão enfileirados para o conflito escatológico não é nenhum campo de batalha comum. O que segue esse ajuntamento está descrito em 19.19. v. 17. Está feito!: A última praga foi agora derramada; Cf. 21.6. v. 18. relâmpagos, vozes, trovões: Tais como os que seguiram o toque da sétima trombeta (11.19). um forte terremoto: Mais desastroso do que o de 11.13. v. 19. A grande cidade foi dividida em três partes: Cf. 11.8; talvez seja a cidade mundial, e não Jerusalém. Não é Roma que recebe menção distinta como a grande Babilônia (cf. 14.8); o que é dito dela aqui é ampliado em 17.1—18.24. v. 20. Todas as ilhas fugiram, e as montanhas desapareceram: Compare o resultado da abertura do sexto selo (6.14); v. tb. 20.11. v. 21. Caíram sobre os homens, vindas do céu, enormes pedras de granizo: Compare com a praga egípcia do granizo (Ex 9.22ss); mas essas pedras de granizo, pesando cerca de trinta e cinco quilos cada, não são comuns; em uma convulsão geral da natureza, pode-se retratar aqui uma chuva de meteoros. Mas não produz arrependimento, nem mesmo no momento, como o granizo produziu no Egito.

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