2019/09/02

Estudo sobre Ezequiel 21

Estudo sobre Ezequiel 21

Estudo sobre Ezequiel 21 



Ezequiel 21
21.2. Aos três termos para “sul” em 20.46 correspondem Jerusalém, o santuário e Israel. Os três serão devastados pela espada que o próprio Senhor tirou da bainha (v. 5). v. 3. tanto o justo quanto o ímpio-, o correlato das ”árvores, tanto as verdes quanto as secas” da metáfora do fogo de 20.47. v. 6. gemer [...] com o coração partido-, como o povo de Judá e de Jerusalém começaria a fazer sob a invasão e o cerco. Cf. as ações simbólicas de 12.17ss. v. 7. todo joelho se tomará como água-, Cf. 7.17.
b) O cântico da espada (21.8-17). O cântico em Sl (v. 9b, 10) pode ser um cântico tradicional; nos lábios de Ezequiel, adquire um significado novo e carregado de condenação.
v. 10. polida para luzir como relâmpago-, cf. Gn 3.24; Dt 32.41; aqui, como lá, a espada é de Javé. Acaso vamos regozijar-nos com o cetro do meu filho Judá? A espada despreza toda e qualquer vareta-, essa expressão é ininteligível; cf. a versão conjectural na NTLH.
O TM aqui traz “Ah! A clava foi brandida, meu filho, para afrontar todos os ídolos de madeira!”. O significado pode ser que nada que é feito de madeira, seja para ataque, seja para defesa, pode resistir à espada, que foi afiada e polida por Javé e colocada na mão do matador babilonico (v. 11), para ser usada contra o seu próprio povo [...] contra todos os príncipes de Israel (v. 12). v. 12. Bata no peito-, um gesto de aflição (cf. Jr 31.19). Independentemente do que o v. 13 possa significar, faz eco à conclusão do v. 10. v. 14. bata as mãos uma na outra-, uma ação vigorosa, para acompanhar e imitar a execução da espada. Pode até significar, como sugere a BJ, que o próprio Ezequiel deve “brandir” (“vibrar”) a espada, “para a direita” e “para a esquerda” (ARA, v. 16); a ação profética, assim como a palavra profética, é auto-realizada.
c) A espada do rei da Babilônia (21.18-27). Ezequiel retrata Nabucodonosor e o seu exército marchando para o sul e Carquemis através da Síria até chegarem a uma bifurcação na estrada. Deverá ele ir para a direita sentido Jerusalém ou para esquerda sentido Rabã (a atual Amã), capital dos amonitas, que haviam se rebelado contra o seu senhor babilónico aproximadamente na mesma época que Zedequias (cf. v. 28-32; 26.1ss; Jr 40.14; 41.15)? Para determinar qual dos dois caminhos tomar, Nabucodonosor lança sortes usando métodos aprovados: (1) adivinhação por meio de duas flechas, uma marcada “Jerusalém” e outra “Rabá”, de forma que a primeira que saísse da aljava forneceria a resposta; (2) a consulta de um oráculo por meio de ídolos, cuja natureza exata não é mais conhecida (cf. Jz 17.5; 1Sm 15.23); (3) “hepatoscopia”, o exame do fígado de animais sacrificados (muitos fígados de argila, divididos em áreas para dar orientações para esse exame, foram encontrados na Babilônia; cf. o modelo de bronze etrusco de Piacenza). A resposta unânime é Jerusalém (v. 22), de modo que para Jerusalém ele marcha para levantar um cerco ao redor dela. Até mesmo a adivinhação pagã é dominada pelo verdadeiro Deus para o cumprimento desse propósito.
v. 19. a espada do rei da Babilônia, essa frase-chave liga o oráculo presente com os cânticos da espada anteriores e posterior, v. 23. aos judeus (“aos olhos deles”, ARC; ”aos olhos daqueles”, ACF): ao povo de Jerusalém, que vive num paraíso de tolos, a ruína da sua cidade vai parecer incrível; mas Javé lembra da quebra da aliança que o povo havia selado com juramento e já decretou a sua captura.
v. 25. O ímpio eprofano príncipe, Zedequias era especialmente responsável pela quebra do juramento de lealdade que ele tinha feito pessoalmente (cf. 17.15). Ele é chamado príncipe de Israel, e não rei (nasi\ e não melek)-. o reinado de Joaquim continuou a ser reconhecido (cf. 1.2); v. tb. o comentário de 20.33. A condenação de Zedequias é selada. O turbante e a coroa, os emblemas da realeza, serão tirados dele (v. 26), e não haverá quem os carregue enquanto não vier aquele a quem ela pertence por direito (v. 27) — um eco, talvez, da bênção de Jacó para Judá em Gn 49.10 (“até que venha aquele a quem ele [o cetro] pertence”). A referência provavelmente é ao governante davídico na era da restauração (cf. 34.23,24 etc.); v. comentário de 17.23.
d) O cântico da espada contra Amom (21.2832). Mesmo que Nabucodonosor resolvesse a questão com Jerusalém primeiro, os amonitas por sua vez logo experimentariam o fio da espada dele (v. 28) — ou melhor, da espada de Javé (como no v. 3), pois Nabucodonosor não é nada mais do que uma espada na mão de Javé (cf. Is 10.5).
v. 28. acerca [...] dos seus insultos, i.e., a exultação maldosa deles com a queda de Jerusalém (cf. 25.3). A NEB entende de maneira diferente o heb. herpah e traduz: “ao deus vergonhoso deles” — i.e., “Moloque, o repugnante deus dos amonitas” (lRs 11.5). v. 29. No hebraico, a espada é aqui apostrofada, ou seja, a palavra é dirigida a ela; as visões falsas e as adivinhações mentirosas negam que ela vai cair sobre os amonitas. ela será posta, lit. “pôs você” (ainda se dirigindo à espada), v. 30. No lugar onde vocês foram criados [...] eu os julgarei, desse ponto até o final do capítulo, o “você”/”vocês” (como as formas verbais hebraicas deixam claro) é continuamente a espada, i.e., Nabucodonosor. Quando ele tiver cumprido a obra de retribuição de Javé, ele e o seu império também sofrerão o juízo divino por meio de outros instrumentos — homens brutais (v. 31) ou “bárbaros” (LXX) — a serem levantados para esse propósito. Assim, a espada que foi desembainhada nos v. 3-5 finalmente volta à sua bainha (v. 30).

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