2019/09/02

Estudo sobre Ezequiel 8

Estudo sobre Ezequiel 8

Estudo sobre Ezequiel 8



Ezequiel 8

III. JERUSALÉM É REVISITADA (8.1—11.25)
Agora avançamos 14 meses e temos o registro de cinco visões (com oráculos correspondentes) dadas a Ezequiel numa visita extática a Jerusalém. A medida que as visões prosseguem, a shekiná deixa o templo e a cidade numa sucessão de movimentos.

1) Idolatria na casa de Deus (8.1-18)
A glória divina que normalmente brilhava a partir do Lugar Santíssimo já não estava lá; Ezequiel a viu na proximidade do templo pronta para deixar o santuário apóstata. Cultos cananeus e estrangeiros que Josias havia abolido 30 anos antes haviam sido agora restabelecidos: longe de o templo ser uma proteção para Jerusalém, como nos dias de Isaías (Is 31.8,9; 33.17-22), a sua profanação agora causou a queda da cidade, bem como a sua própria (cf. Jr 7.4,8-15).
a) Ezequiel é arrebatado e levado a Jerusalém (8.1-4). v. 1. sexto ano...\ 17 de setembro de 592 a.C. A LXX traz “quinto mês” no lugar de sexto mês do TM. eu e as autoridades [...] estávamos sentados em minha casa-, cf. 3.24. as autoridades de Judá-. os líderes da “casa de Israel” em Tel-Abibe (cf. 3.1,15), que evidentemente haviam dado atenção à carta de Jeremias (Jr 29.4-7) e se estabelecido em algum tipo de vida ordenada em comunidade no exílio, v. 2. uma figura como a de um homem (assim a LXX, embora lendo ’ish no lugar de ’esh, “fogo” (TM): cf. a descrição de 1.27. v. 3. o que parecia um braço-, a fraseologia evita um retrato antropomórfico demais de Deus. pegou-me pelo cabelo-, figura imitada na literatura deuterocanônica e não-canônica posterior. Mais tarde, Ezequiel soube que essa foi uma experiência de êxtase: foi em visões de Deus que ele foi arrebatado e levado a Jerusalém, que era perfeitamente familiar a ele, tanto a cidade quanto o templo, pátio interno-, cf. lRs 7.12. Esse pátio, o objetivo da sua visita, é mencionado aqui em antecipação do v. 16; antes de chegar a ele, o profeta parou em três estágios intermediários (v. 5,7,14).
b) A primeira coisa repugnante (8.5,6). Quatro “coisas detestáveis” são reveladas ao profeta, cada uma pior do que a anterior, v. 5. junto à porta do altar, talvez a porta norte da cidade, recebendo o seu nome do altar que estava ali (cf. Jr 11.13) em honra do ídolo que provoca o ciúme de Deus, a deusa cananeia da fertilidade Aserá (2Rs 21.7; 23.6), retratada em relevo numa placa na parede, e assim denominada por Ezequiel porque provocava o ciúme de Javé (cf. Êx 20.5; Dt 32.16,21). Foi mencionada por antecipação no v. 3, cuja última locução é traduzida na NEB por “para suscitar paixão lasciva”.
c) A segunda coisa repugnante (8.7-13). v. 7. a entrada do pátio-, a entrada do átrio do palácio, ao sul da área do templo, v. 8. escave o muro-, assim aumentando o buraco para fazer uma abertura grande o suficiente para que pudesse passar, v. 9. veja as coisas repugnantes-. a sua natureza é controversa, mas as criaturas rastejantes e os animais impuros (v. 10) fazem lembrar os manuscritos ilustrados do Livro dos Mortos e apontam para um culto egípcio, amalgamado de forma sincrética com todos os ídolos da nação de Israel. Esse ato de adoração acontecia de forma secreta, a portas fechadas, talvez refletindo as negociações clandestinas entre a corte egípcia e Zedequias, quebrando seu juramento a Nabucodonosor. v. 11. setenta autoridades-, representando a nação toda (cf. Ex 24.1,9; Nm 11.16). Jazanias, filho de Safã: a sua participação era especialmente revoltante se ele era filho daquele Safa que, como secretário real, leu o recém-descoberto Livro da Lei para Josias (2Rs 22.8-10). v. 12. cada uma no santuário de sua própria imagem esculpida-, a forma em que as palavras estão significa que cada autoridade praticava essa adoração em casa e nas trevas dentro das instalações do templo (a referência talvez seja a um compartimento interior conhecido de Ezequiel). Elas dizem: [...] o Senhor abandonou o país\ se isso aconteceu, foi em virtude dessas “coisas repugnantes”.
d) A tercára coisa repugnante (8.14,15). v. 14. mulheres [...] chorando por Tamuz'. Tamuz (sumério Dumuzi) cortejou e conquistou Inanna, a deusa do amor dos sumérios (Ishtar dos acadianos), e morreu em consequência disso. A sua morte era celebrada no auge do calor do verão, no mês que levava o seu nome (aproximadamente julho). Mais tarde, ele foi identificado com o Adónis dos sírios, o “deus preferido das mulheres” (Dn 11.37).
e) A quarta coisa repugnante (8.16-18). Finalmente, Ezequiel é levado ao pátio interno do templo (cf. v. 3), onde, entre o pórtico do santo templo e o altar de holocaustos, vê vinte e cinco homens com as costas para o templo e os rostos voltados para o oriente, e se prostrando na direção do sol (v. 16), provavelmente na hora do nascer do sol. Os arquitetos fenícios de Salomão podem ter orientado a estrutura com isso em mente, em conformidade com o seu uso nativo. A adoração ao sol havia sido praticada no templo de Jerusalém antes da reforma de Josias (2Rs 23.5,11). Somos lembrados da descrição que Josefo faz dos essênios da sua época, que se posicionavam para o oriente na oração matinal, “como que suplicando ao sol que nascesse”, v. 17. estão pondo o ramo perto do nariz: um gesto ou ritual de identificação incerta, talvez de natureza idólatra e portanto com intenção desafiadora ou desdenhosa (cf. LXX: “empinando o nariz”, “zombando”). A NEB é improvável quando traz “mesmo que me tentem apaziguar” (cf. o uso clássico de ramos de oliveira em súplicas).

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