Significado de “providência” na Bíblia

Significado de “providência” na Bíblia

Significado de “providência” na Bíblia

O termo “providência” deriva do substantivo latino providentia, “previsão, premeditação”, e o verbo relacionado providere, “prover, tomar precauções a favor ou contra” alguma coisa. Seu uso secular incluía a crença comum de que um princípio de ordenamento benevolente governava o universo e a história humana, que nada acontece apenas por acaso ou é meramente aleatório, mas sim que há um objetivo norteador que ordena todas as coisas para um fim. O estoicismo via esse princípio como a “alma do mundo” ou “razão do mundo”. Em outros momentos, a noção de providência também levou a uma visão de mundo mais pessimista, marcada pelo determinismo ou pelo fatalismo. Essa ideia contribuiu para um sentimento passivo de resignação humana diante do capricho de destinos incontroláveis.

O conceito bíblico da providência de Deus, no entanto, sinaliza uma crença universalmente confiante no cuidado amoroso de Deus e na proteção do mundo. Ele está fundamentado na crença em Deus como Criador, aquele que continua em todos os momentos preservando e ordenando o mundo, segurando o caos, na baía, e levando o mundo e toda a história humana para a vida e felicidade plena. Às vezes, por imprevisíveis reviravoltas do destino, a providência de Deus pode ser escrita “diretamente com linhas tortas”, como no caso de José que foi vendido como escravo por seus irmãos e que mais tarde se tornou instrumento de proteção de Deus para a família de Jacó no Egito. José atesta a mão amorosa de Deus no trabalho com as palavras: “Mesmo que você pretendesse fazer mal a mim, Deus planejou para o bem…” (Gên 50:20). Vez após vez Deus promete que a presença divina permanecerá no mundo e com aqueles que precisam de proteção divina (Êxo 3.12). O próprio nome de Deus revelado a Moisés na sarça ardente no enigmático tetragrama YHWH (Êxo 3:14) foi às vezes traduzido “Eu estarei com você”, sinalizando a irrevogável presença da aliança e proteção de Deus entre o povo no meio de o mundo.

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A presença providencial de Deus pode manifestar-se tanto no cuidado misericordioso como no castigo justo, mas a ênfase bíblica certamente repousa na afirmação do cuidado final de Deus. Uma antiga confissão de culto aclamando o amor e misericórdia firmes de Deus reverbera pela tradição do AT (Êxo 34: 6–7; Núm. 14:18; Ne 9:17, 31; Sal. 103:8; Jer 32:18; Jon 4:2). Esta confissão não nega a necessidade do julgamento de Deus sobre o pecado, mas promete que a misericórdia e o perdão serão a providência suprema de Deus. A afirmação da providência de Deus não anula a liberdade humana nem cancela o misterioso problema da presença do mal no mundo. Ele promete, no entanto, simplesmente que Deus será um Deus amoroso no meio do mundo, guiando-o e toda a criação para um futuro cheio de esperança (Jer 29:11-14).

A tradição cristã reitera a mesma confiança no cuidado providencial de Deus. “Considere os lírios do campo...”, diz Jesus (Mat 6:26-30), e tenha certeza de um Deus amoroso que cuida do menor ser vivo. Paulo expande essa noção ainda mais para ver a providência de Deus e a presença amorosa atraindo toda a criação, todo o próprio cosmo, para a intenção divina (Rom 8:28-39). Dada essa convicção, a oração cristã é marcada pela confiança e certeza de que Deus ouve os clamores da humanidade e responde com amor e cuidado (Mat 6:8; 7:7-8).

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