2016/09/23

Significado de João 16


Significado de João 16

Significado de João 16



João 16

16.1 — Para que vós não escandalizeis. A rejeição do mundo edificaria, e não enfraqueceria, a fé dos discípulos. Ambas as predições do versículo 2 foram cumpridas na vida dos apóstolos.

16.2 — Expulsar-vos-ão das sinagogas [...] qualquer que vos matar. A perseguição que os discípulos sofreriam envolveria expulsão e até mesmo execução. A expulsão traria consequências econômicas e religiosas, pois a maior parte da vida do judeu girava em torno da sinagoga. Um serviço a Deus expressa a ideia de oferecer sacrifício. Os assassinos de cristãos iriam pensar que estariam oferecendo um sacrifício a Deus.

16.3 — Não conheceram (gr. ginosko) ao Pai nem a mim. A questão principal aqui é que os perseguidores não conheceram Cristo ou o Pai (1 Co 2.8).

16.4 — Desde o princípio. Jesus havia preparado os discípulos para compreender a verdade (Pv 22.6). Em Sua sabedoria, o Senhor jamais nos deu algo além do que pudéssemos entender. O processo de aprendizagem é tão importante quanto a própria aprendizagem.

16.5 — Nenhum de vós me pergunta: Para onde vais? Pedro havia feito essa pergunta antes (Jo 13.36) e Tomé também a fizera indiretamente (Jo 14-5). Mas as coisas agora eram um pouco diferentes. Os discípulos aprenderam sobre a negação, o sofrimento e a morte. Seguir Jesus envolve as mais sérias consequências.

16.6 — Vosso coração se encheu de tristeza (gr. lupe). A perspectiva da separação e do sofrimento anulou todos os pensamentos de consolação e força dos discípulos.

16.7 — Os discípulos devem ter pensado: Já que vamos ficar sozinhos, como isso pode ser para o nosso bem? Em outras palavras: “Os romanos nos odeiam porque nos veem como perturbadores da paz. Os líderes judeus nos odeiam porque nos veem como blasfemos. Somente tu nos amas, mas estás nos deixando”.

Jesus então explicou os benefícios de Sua partida. Quando Ele partisse, os cristãos teriam (1) a provisão do Espírito Santo (v. 7-15); (2) o poder da verdadeira alegria (v. 16-24); (3) a possibilidade de ter o pleno conhecimento (v. 25-28); (4) o privilégio de ter a paz do Senhor (v. 29-33).

Enviar-vo-lo-ei. Jesus explicou que o Espírito Santo convenceria o mundo (v. 7-11) e ensinaria a verdade aos apóstolos (v. 12-15). Não virá a vós. O Espírito Santo não seria dado ao mundo, mas aos cristãos. A vinda do Espírito Santo seria melhor para os cristãos do que a própria presença física de Jesus, já que Ele habitaria em todos eles.

16.8 — O termo convencerá significa persuadir e também reprovar. O Espírito Santo ensinaria a verdade de Cristo sem medo de contradições. Ele convenceria os ímpios por intermédio dos cristãos, que dariam testemunho de Jesus (Jo 15.26,27). Os cristãos são os embaixadores de Deus. E o conteúdo do Seu testemunho, que é confirmado pelo Espírito Santo, inclui a verdade sobre o pecado, a justiça e o juízo.

16.9 — Do pecado. Veja que a palavra pecado está no singular, a pecaminosidade. O foco do nosso testemunho está no fato de Cristo ter pago um alto preço por todo pecado. Aceitar Jesus é a única opção para ser liberto da escravidão.

16.10 — Da justiça. Depois que Cristo partisse, o Espírito Santo convenceria o mundo sobre a natureza da justiça e a necessidade de recebê-la. A obra de Jesus na cruz foi totalmente justa. Isso é demonstrado pelo Pai quando Ele esvazia o sepulcro onde o corpo do Filho fora colocado, revelando que ficou satisfeito com o pagamento justo de Cristo e o aceitando a junto a si novamente.

16.11 — Do juízo. Satanás, o dominador deste mundo, reina no coração daqueles que não foram regenerados e cega seu entendimento (1 Co 2.6-8). Satanás foi julgado na cruz, e o Espírito Santo convencerá as pessoas do juízo vindouro. Satanás já foi julgado, assim como serão todos que ficarem do seu lado. Não há como ser neutro: ou somos filhos de Deus, ou do diabo.

16.12 — O pronome vós aqui diz respeito aos apóstolos. O que o Senhor diz a respeito do ministério do Espírito Santo nos versículo 12 a 15 a princípio se aplica primeiro aos apóstolos. O ministério do Espírito Santo na vida deles: (1) os guiaria em toda a verdade (v. 3); (2) lhes mostraria o futuro (v. 13); (3) os ajudaria a glorificar a Cristo (v. 14,15).

As palavras de Jesus foram cumpridas na pregação e nos escritos dos apóstolos. E o Espírito Santo os guiou revelando-lhes não somente a verdade contida na vida e morte de Jesus, como também o futuro glorioso de todos os cristãos. Os apóstolos, por sua vez, escreveram o Novo Testamento, que glorifica — ou seja, revela — Jesus Cristo.

A palavra suportar significa carregar um fardo e é usada depois para descrever Cristo carregando a cruz (Jo 19.17). Em outras palavras, havia verdades que eles não podiam entender (v. 13) ou ainda não estavam prontos para lidar com elas, até que o Espírito Santo veio no Pentecostes.

16.13 — Espírito da verdade. Esse termo significa que o Espírito Santo é a fonte da verdade (Jo 14.17; 15.26).

Ele vos guiará. O Espírito Santo não imporia a verdade aos discípulos nem os obrigaria a crer nela; Ele os levaria à verdade, e tudo que eles tinham a fazer era segui-la. Toda a verdade se refere à verdade necessária para se tornar um cristão maduro e totalmente capacitado (2 Tm 3.16,17). O que há de vir inclui as verdades sobre a Igreja (Ef 3.1-7) e os eventos futuros.

16.14 — A conjunção porque indica que a última parte do versículo explica a expressão me glorificará. O Espírito Santo glorifica a Cristo revelando-o ou tornando-o conhecido. A obra do Espírito Santo é apresentar ao mundo Jesus Cristo, a imagem do Deus invisível. Jesus tem de estar no centro de tudo; essa é a vontade do Pai e do Espírito. Os apóstolos receberam a verdade do Espírito Santo, a verdade sobre as coisas que viriam, a verdade sobre Cristo. Então, guiados por Ele, os doze escreveram essas verdades em documentos conhecidos hoje como o Novo Testamento (Jo 14.25,26; 1 Co 2.13).

16.15 — Dizer que o Espírito Santo receberá tudo que pertence a Jesus (v. 14) não significa que tudo ficará concentrado em Jesus e no Espírito, e que o Pai ficará de fora. Não há divisão na divindade. O que pertence ao Pai também pertence ao Filho (Jo 17.10). E o que o Filho possui, o Espírito Santo declarará (1 Co 2.13). Entretanto, todo o foco deve estar em Cristo, pois Ele é a imagem do Deus invisível (Cl 1.15). Seus passos são os únicos que devemos seguir, pois Ele é o único que “vimos”.

16.16 — Um pouco, e não me vereis. O verbo ver tem sido interpretado de duas maneiras aqui: (1) os discípulos veriam Jesus literalmente depois da ressurreição; (2) eles o veriam espiritualmente depois da ascensão por meio das obras do Espírito Santo. No entanto, o versículo 22 parece apoiar a ideia de que Jesus seria visto literalmente depois da ressurreição.

16.17 — Alguns... disseram. Os discípulos ficaram confusos com a suposta contradição entre ver ou não ver. O que Jesus disse os confundiu porque Ele iria partir. Eles esperavam que o Messias fosse reinar e governar, e não morrer e partir (Lc 19.11; At 1.6).

16.18 — Um pouco? A grande dúvida que havia na mente dos discípulos tinha a ver com o fator tempo. Eles simplesmente não entenderam os intervalos que marcariam a separação entre eles e Jesus.

16.19-21 — Vós chorastes e vos lamentareis. Quando Jesus morreu, os discípulos demonstraram abertamente a imensa tristeza que sentiram. O mundo se alegraria pensando ter se livrado de Jesus, mas a tristeza dos discípulos se converteria em alegria.

Esse não seria apenas um simples evento em que a alegria viria depois da tristeza, mas um em que a tristeza se converteria em alegria. A tristeza sofreria uma transformação. A morte de Jesus seria primeiro motivo de tristeza e depois de alegria. Ele usou o exemplo de uma mulher grávida para explicar o que estava dizendo (v. 20). A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, mas essa tristeza se transforma em alegria com o nascimento do bebê.

16.22 — Outra vez vós vereis se refere às aparições de Jesus após a ressurreição. E a vossa alegria, ninguém vo-la tirará. A tristeza dos discípulos acabaria e a alegria deles permaneceria. A morte e ressurreição de Jesus traria a alegria do perdão de pecados (1 Pe 1.8) que o mundo não poderia tirar.

16.23 — Naquele dia, ou seja, depois da ressurreição e ascensão.

Nada me perguntareis. Ao que parece, Jesus disse que eles não lhe perguntariam mais nada porque Ele não estaria mais fisicamente com eles depois da ascensão. Certamente, os discípulos fariam suas perguntas a Jesus por meio do Espírito Santo.

16.24 — Em meu nome. Depois da ascensão, os discípulos orariam como representantes de Jesus e as orações deles seriam respondidas para que sua alegria se cumprisse.

16.25 — Um exemplo de figura de linguagem é a ilustração da videira registrada em João 15.1-8, que representa a obra do Pai ao produzir o fruto do amor nos cristãos. Uma figura de linguagem pode tornar-se mais real e didática do que um exemplo comum.

16.26,27 — Pedireis em meu nome significa pelo poder de Jesus.

E não vos digo que eu rogarei por vós ao Pai. Como Jesus nos deu o perdão de pecados por meio de Sua morte e agora intercede à destra do Pai por todos os remidos (Hb 7.25), nós temos acesso direto a Deus. Não precisamos mais que um sacerdote interceda por nós, pois Jesus é o nosso Sumo Sacerdote junto ao Pai.

A conjunção pois indica que o versículo 27 está explicando o versículo anterior. Após a partida de Jesus, os discípulos poderiam orar diretamente a Deus Pai, pois Ele os amava por eles terem crido no Seu Filho Jesus e o amado.

16.28 — Saí do Pai e vim ao mundo; outra vez, deixo o mundo e vou para o Pai. Esse versículo é um resumo da visita que o Filho de Deus fez a este mundo. Nele está sua missão, nascimento, paixão e ascensão.

16.29,30 — Cremos. Jesus discerniu o pensamento dos discípulos (v. 19) e respondeu às suas perguntas. Como a mulher samaritana, eles também viram que Jesus sabia todas as coisas (Jo 4-39). Para os discípulos, o conhecimento sobrenatural de Jesus era prova da Sua missão divina.

16.31 — Credes, agora? Nós prosseguimos em nossa vida cristã do mesmo modo como a iniciamos: crendo em Jesus. Quanto mais aprendemos de Jesus, mais cremos nele. Quanto mais confiamos em Jesus, mais recebemos dele. E, quanto mais recebemos, mais podemos realizar para a glória dele.

16.32 — Sereis dispersos. Os discípulos abandonariam Jesus. Entretanto, mesmo sabendo disso, Ele os amou, dando uma amostra maravilhosa do Seu amor incondicional.

16.33 — Aflições significa literalmente pressões, e figurativamente tribulações ou sofrimentos. Tende bom ânimo, ou seja, tenham confiança e sejam corajosos. Quando colocamos nossa confiança em Deus, Ele nos dá a paz em meio às aflições. Leia Filipenses 1.27-30 e veja a explicação de Paulo sobre o princípio da alegria em meio ao sofrimento.

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