2019/08/26

Interpretação de Números 1

Interpretação de Números 1

Interpretação de Números 1



Números 1
Primeira Parte. Israel no Deserto. 1:1 – 22:1.
I. Primeiro Recenseamento, no Deserto de Sinai. 1:1 - 4:49.
O cenário é o Sinai, uns dez meses depois que Israel chegou ali (Êx. 19:1). Faltavam apenas dezenove dias para a nuvem se levantar de sobre o Tabernáculo e Israel começar a viagem para a Terra Prometida (Nm. 10:11). Considerando que o povo teria de enfrentar um deserto estéril e resistência inimiga rija, havia necessidade de um acampamento bem organizado.
A. Recenseamento dos Soldados de Israel. 1:1-54.
1. Falou o Senhor a Moisés. Esta fórmula foi usada mais de. oitenta vezes no Livro de Números. Se esta obra não fosse de Moisés, seria necessário aceitar que o escritor destas palavras foi um impostor. No segundo ano . . . segundo mês. Exatamente um mês depois que o Tabernáculo foi levantado (Êx. 40:1,17). Números 7:1 e 9:1, 15 referem-se ao primeiro dia do primeiro mês, antedatando este versículo inicial de um mês. Os sacerdotes e o Tabernáculo foram consagrados nesse mês (Êx. 40; Lv. 8); os príncipes trouxeram suas ofertas nesse mês (Núm. 7); e comemorou-se então a primeira Páscoa. (9: 1-14).
2. Levantai o censo de toda a congregação. O Tabernáculo, recém-terminado, tomou-se o centro do acampamento. O exército tinha de ser organizado e todo o acampamento arrumado e disposto como uma organização religioso-civil e militar; por isso a necessidade básica de um recenseamento. A palavra ro'sh, censo, comumente significando “cabeça”, foi traduzida para número em I Cr. 12:23. Do mesmo modo cabeça refere-se à contagem propriamente dita dos indivíduos ou cabeças (gulgelot, “crânio”).
3. Da idade de vinte anos para cima, todos os capazes de sair à guerra. Esta terminologia, usada quatro vezes através de todo o capítulo, torna claro que o recenseamento tinha propósito militar. Os levitas não militares tiveram um recenseamento separado (1:47-49; 3:14-51).
5. Estes... são os nomes dos homens. Tentativas de provar que a lista (vs. 5-15) “não é histórica” não têm o apoio dos dados concretos. O uso abundante do nome divino El (Eliabe, Pagiel, etc. ) não indica de modo nenhum uma autoria posterior (ICC, Numbers, págs. 6, 7), pois o nome é livremente usado em nomes pessoais nos textos ugaríticos de cerca de 1400 A.C. Também o composto Shaddeiy (como em Zurisadai, v. 6) aparece em um nome pessoal de uma estatueta dos fins do século quatorze (Wm. F. Albright, The Biblical Period, pág. 7).
18. Declararam a descendência deles. Para a mente semítica, conhecer a genealogia de alguém é mais importante do que saber a data do seu nascimento ou sua idade. Por isso temos as longas genealogias da Bíblia, que foram usadas, finalmente, para traçar a descendência do Messias através de Abraão, Judá e Davi, de acordo com as promessas de Deus.
19 Assim os contou. Este verbo peiqad tem um amplo significado. Aqui significa “passar em revista”, ou “fazer a chamada” e, neste sentido, “numerar”. As muito repetidas frases, as suas gerações, pelas suas famílias, segundo a casa de seus pós (v. 20) indicam o que nós queremos dizer quando falamos em “famílias” “afãs” e “tribos”.
46. Seiscentos e três mil quinhentos, e cinquenta. Este número se refere apenas ao exército, pois eram duas as condições governando a numeração – os homens incluídos deviam ter acima de vinte anos e deviam estar aptos para a guerra. Calculou-se que de dois a três milhões de pessoas – incluindo os levitas, pessoas idosas, crianças e mulheres – compunham o acampamento. Mestres incapazes de aceitarem o elemento sobrenatural na operação de Deus com o Seu antigo povo declaram que cinco mil soldados seria um número mais razoável de se esperar, e explicam este número como um recenseamento posterior colocado em lugar errado. Há quem diga que foi o recenseamento de Davi em II Sm. 24. Mas lá o número dos soldados só de Judá é de 500.000 (lI Sm. 24:9), enquanto aqui Judá tinha só 74.000. Em II Sm. 24 o termo para soldado é 'ish hayl, “homem de pujança”; em Números é kol yose' seibei', “todo aquele que sai com o exército”.
George E. Mendenhall, em um estudo desafiador (JBL, Março, 1958), considera o registro do recenseamento em Números como listas autênticas, mal-interpretadas pelas gerações subsequentes. Ele destaca que essas listas aparecem geralmente nas mais antigas civilizações. No mundo semítico, foram descobertas listas de recenseamento de Mari, Ugarit e Alalaque, variando em datas desde o Período Patriarcal até pouco tempo antes de Moisés. A palavra 'elep, geralmente significando mil, é considerada por Mendenhall como unidade tribal, provavelmente não militar e incluindo bem menos de mi homens. Por exemplo, quando o hebraico declara 46.500 homens para Rúben, poderia significar quarenta e seis unidades tribais, mas apenas quinhentos soldados. Assim, seriam 558 unidades tribais e 5.550 soldados.
A dificuldade neste ponto de vista é que Nm. 2:32 dá um total que dá a entender que 'elep significa “um mil”. Mas Mendenhall crê que os sacerdotes pós-exílicos que organizaram o livro de Números forçaram o significado da palavra para “mil”, não conhecendo o seu significado anterior. Mendenhall comenta corretamente, em conexão com Jz. 6:15, que Gideão considerava seus mil ('elep) como fracos (isto é, não uma força completa), uma característica de muitas unidades militares. Mas, então ele se vê forçado a considerar Êx. 18:25 como versículo espúrio, porque diz: “Escolheu Moisés homens capazes . . . e os constituiu . .. chefes de mil ('alapim), chefes de cem, chefes de cinquenta, e chefes de dez”. O autor crê que as provas indicam que o termo 'elep designava uma unidade militar (Nm. 1:16; 31:5, 14), mas finalmente passou também a significar uma unidade tribal de número indeterminado (1 Sm. 23:23; Mq. 5:2). Para que dois a três milhões de pessoas fossem sustentadas no deserto seria imprescindível que houvesse intervenção sobrenatural. O propósito do Livro de Números é contar-nos que isto foi o que aconteceu. 

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