Interpretação de Números 32

Interpretação de Números 32

Interpretação de Números 32



Número 32

A. A Resposta de Moisés ao Pedido de Gade e Rúben. 32:1, 33.
1. Gado em muitíssima quantidade. Grande parte deste gado foi adquirido por meio das conquistas (cap. 31) Contudo, Israel já tinha algum gado no deserto, que não era de todo estéril (cons. 20:19). A terra de Jaezer, e a terra de Gileade. Jaezer estava na fronteira do território amonita (veja v. 32; cons. LXX, Nm. 21 : 24). A Transjordânia foi dividida em duas partes, norte e sul do rio Jaboque (JS. 12: 2).
4. A terra que o Senhor feriu. A terra foi descrita não pelas fronteiras incertas, mas pelas cidades fortificadas (v.3) que controlavam certas áreas. A figura do Senhor ferindo a terra faz-nos lembrar que figuras semelhantes no Livro das Guerras do Senhor (21:14), as quais, como os grandes poemas épicos, Êx. 15, Sl. 68 e Hc. 3, que descrevem o Senhor na pessoa de um guerreiro heróico que funda ou salva uma nação. A mesma figura domina a literatura apocalíptica da Bíblia, a qual descreve o Senhor levando a nação ao seu destino final (cons. Is. 9:6 – ‘El gibbor, “o poderoso herói “).
7. Por que, pois, desanimais o coração dos filhos de Israel. Moisés temia que a sua proposta pudesse dar início a uma onda de complacência entre as outras tribos, que já tinham enfrentado os perigos de um inimigo desconhecido. Se alguns poucos descansassem sobre os lauréis de vitórias passadas, todos os demais não desejariam o mesmo? Como um líder enfrentando um problema de moral, Moisés estava justificado no severo tratamento que dispensou às duas tribos. A escolha que Moisés fez do verbo, lembrou-os da repreensão de Deus em 14:34 (cons. comentário); e suas palavras destacaram aquele incidente para que não tornassem a fracassar totalmente diante do Senhor (32:11.13). A separação geográfica dessas tribos além do Jordão, veio a produzir nelas uma indiferença para com o bem-estar da nação, a ponto de Débora, em seu cântico, chegar a desprezá-los (Jz. 5:16, 17). O tempo comprovou que os temores de Moisés tinham fundamentos.
27. Cada um ornado para guerra. A raiz heilas, “cingir-se para a batalha”, foi usado em 32:17, 20, 21, 27, 30, e em 31:3. O cinturão do herói, heilisa, com o qual ele se cingia, era equipamento padrão para cada guerreiro. Veja II Sm. 2:21 (armadura) e Jz. 14:19 (despojou-os), que indica que arrancar este cinturão de um inimigo simbolizava vitória sobre ele. Os cinturões dos soldados eram peças do seu equipamento tão comumente aceitas na antiga arte semita, egípcia e grega, que não só os heróis humanos, mas também os divinos são retratados com eles. De acordo com esse costume, o MesSias usa “o cinto da justiça” e “o cinto da fidelidade” (Is. 11:5). (Veja C.H. Gordon, “Belt Wrestling in the Bible Word”, Hebrew Union College Annual, Vol. XXIII, pág. 131).
30. Porém se não passarem, armados, convosco, terão possessões entre vós na terra de Canaã. A fim de assegurar suas possessões na Transjordânia, tinham de ser armados para a guerra na presença de Deus quando Israel atravessasse o Jordão, comprovando assim que criam na promessa de Deus referente à terra e que estavam prontos a confiar nele pela vitória final, as tribos que escolheram viver ao leste do Jordão ajudaram na conquista de Canaã, retornando depois às suas herdades.
B. Cidades Reconstruídas por Rúben e Gade. 32:34-3 8.
34-36. Os filhos de Gade edificaram . . . cidades fortificadas; e currais de ovelhas. Isto é, reconstruíram em cima das ruínas ou simplesmente ampliaram as cidades capturadas. Muitas dessas cidades foram citadas na famosa inscrição do Rei Mesha de Moabe, que data de 835 A.C., onde o rei de Moabe diz que “os homens de Gade habitaram na terra de Atarote”, etc. Os currais eram grosseiros e cercados de pedra, iguais aos que continuam sendo usados até o dia de hoje naquela região (cons. 10:1-18).
38. Nebo, e Baal-Meom, mudando-lhes o nome. Nebo pode ter recebido o seu nome de alguma divindade babilônica, enquanto Baal era um deus popular do panteão cananita. Os israelitas reagiram contra a concessão de reconhecimento aos deuses pagãos em seus lugares de habitação. Escribas de épocas posteriores costumavam mudar as denominações que continham o nome de alguma divindade pagã (por exemplo, em I Cr. 8:33,34, dois dos filhos de Saul são chamados de Esbaal e Meribe-Baal; em II Sm. 4:4, 8 eles são Isbosete e Mefibosete).
C. Gileade tomada pelos manassitas. 32:39-42.
41. E tomou as suas aldeias; e chamou-lhes Havote-Jair. O termo havvot, traduzido para aldeias, significa “aldeias de tendas”; mas isto apenas comprova que eram isso mesmo, pois Jz. 10:4 diz que eram trinta e as chama de “cidades”. Embora não fossem mais “cidades de tendas”, também não eram fortalezas, como Quenate, mencionada no versículo seguinte, onde o texto fala de Quenate com as suas aldeias. O povo que trabalhava nos campos, embora morasse em cabanas, podia encontrar refúgio por trás dos muros da cidade-mãe, quando houvesse alguma invasão. 

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