2019/09/18

Estudo sobre João 16

Estudo sobre João 16

Estudo sobre João 16


Os discípulos, o mundo e o advogado (16.1-33)
v. 1 .para que vocês não venham a tropeçar. O tratamento que a jovem igreja receberia estava destinado a prover a causa mais forte de apostasia, como evidenciou a história da Igreja, v. 2. Vocês serão expulsos das sinagogas-, Cf. comentário de 9.22. O plural, como aqui na NVI, sugere que cada caso de expulsão será um ato direto de antagonismo, na experiência deles, contra Cristo (cf. 9.22). v. 4. a hora-, Cf. Lc 22.53. A hora do mundo vai chegar quando os homens descarregarem sua sede de vingança contra a Igreja de forma irrestrita, v. 5. nenhum de vocês me pergunta: ”Para onde vais?”-. Tanto Pedro (cf. 13.36) quanto Tomé (cf. 14.5) já tinham de fato feito essa pergunta verbalmente. Mas aí foi em virtude do seu desânimo, mais do que em virtude de um real desejo de conhecer o destino de Jesus (cf. 14.6). v. 7. épara o bem de vocês que eu vou: Há um aspecto duplo nessas palavras. Em primeiro lugar, a partida de Cristo no corpo é tanto a condição necessária quanto a causa da união individual futura. Então, cada membro do seu corpo espiritual vai se tornar um santuário genuíno da divindade (cf. ICo 3.16; 6.19). Em segundo lugar, será para a vantagem dos discípulos que o Espírito, quando for concedido, vai capacitar o ministério da Igreja, convencendo o mundo (cf. v. 8) com respeito ao seu estado diante de Deus.
v. 8. do pecado, da justiça e do juízo: O maior pecado é a incredulidade (v. 9). O retorno de Jesus ao Pai vai caracterizar a vindicação de sua vida justa aqui embaixo, e, visto que seu retorno ao Pai acontece via morte e ressurreição, ele pronuncia o juízo sobre o príncipe do mundo cujo domínio se mostra de forma mais clara na morte. Nessa sentença, está profetizado o poder espiritual da Igreja dentro do mundo e sobre ele. v. 13. ele os guiará a toda a verdade: Não vai haver nenhum princípio permanente ou fundamental que seja negligenciado no ministério do Espírito na Igreja, o que ouvir significa que o seu ministério sempre virá diretamente do Pai. o que está por vir. A profecia é uma função do Espírito. Isso não é meramente predição do futuro, próximo ou distante (Ap 1.1,19), mas um aspecto do ministério do Espírito como o penhor do que ainda está por vir. Há três funções do Espírito citadas nesse discurso (cf. 14.26; 16.13) em que as três fases da mensagem do NT parecem estar resumidas, isto é, história, doutrina e escatologia. v. 14. Ele me glorificará: O Espírito não usurpa a autoridade do Filho. Mas, visto que o Filho compartilha a autoridade do Pai na revelação, o Deus trino é retratado aqui em perfeita harmonia de operação. v. 16. um pouco mais, e me verão de novo:
As duas ocorrências de “um pouco mais” desse versículo podem ser entendidas como referência à mesma coisa. Há menos justificativa para entender a segunda como uma referência à parousia de Cristo. Se alguma coisa fosse distinguir as duas frases (gr. mikron), seria que João usa um verbo “ver” diferente em cada metade do versículo. O primeiro é seu uso normal do grego theorein, enquanto o segundo é o uso mais sugestivo do gr. opsesthai com sua inferência de visão beatífica (cf. 1.51; 3.35 e especialmente 11.40). Toda a declaração faz mais sentido quando compreendida como uma referência da passagem de Jesus da vista física e suas subsequentes aparições pós-ressurreição. Sem dúvida, estamos corretos quando omitimos a primeira ocorrência de “porque vou para o Pai”, encontrada na ARC (cf. v. 17). No v. 17, os discípulos lembram a afirmação dos v. 5 e 10. Mas, quando Cristo reaparece, a sua tristeza certamente se transformará em alegria (v. 20; cf. 20.20). v. 22. ninguém lhes tirará essa alegria-. Assim como a nova vida dada por meio da geração e nascimento de uma criança enche a mãe com alegria mística, ajudando-a a vencer toda a aflição anterior, também a alegria da ressurreição, apesar de toda a perseguição do mundo, vai se tornar o fator principal na experiência cristã, v. 23. Naquele dia vocês não me perguntarão mais nada: “Perguntar” aqui parece ser usado de forma sinônima ao ”perguntar” no v. 24, em que a afirmação se refere à aproximação direta de Deus que os crentes podem fazer à luz da exaltação do Filho. Se, por outro lado, há alguma diferença sutil de significado, a afirmação anterior se refere às perguntas angustiantes que foram se acumulando nos caps. 13—16, em contraste com as súplicas e orações que eles farão a partir de agora em nome de Jesus. A segunda metade do versículo seguinte poderia ser usada para endossar qualquer uma das duas interpretações do v. 23. v. 25. por meio de figuras (gr. en paroimiais)-. O texto da RSV poderia sugerir que Jesus está fazendo referência aos discursos do passado imediato. Mas a formulação pode bem significar que ele está falando do método de parábolas que ele empregava como um todo. A compreensão que eles tinham dessa mesma mensagem vai ser ampliada, em dias futuros, pela riqueza da experiência,

 v. 27. o próprio Pai os ama: Cf. 15.12-17. Não se poderia dar maior ímpeto à oração do que essas palavras. Dessa forma singular, o Pai se torna conhecido, v. 28. Eu vim do Pai e entrei no mundo; agora dáxo o mundo e volto para o Pai\ A expressão Eu vim do Pai sugere que o v. 28a deveria estar ligado estreitamente com o v. 27b, continuando a afirmar o que os discípulos creram. Isso significaria, então, que os discípulos tinham aceito a missão divina de Jesus com todas as suas implicações. Se, no entanto, o v. 28 pode ser tomado separadamente do v. 27, torna-se uma cristalização da mensagem cristã. Em todo caso, essas palavras mostram quão aberta e francamente Jesus estava falando com os discípulos, v. 33. Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz: Jesus não está interessado somente em prevenir a aflição deles para quando estiverem diante dos trágicos eventos algumas horas depois. Antes, todo o discurso pascal, e especialmente o do presente capítulo (cf. 16.1), foi designado especificamente para acalmar esses discípulos medrosos diante da provocação. O mundo, como a grande arena exterior da experiência humana, vai se mover para cá e para lá; mas no centro — em mim — está a bússola segura e estável orientando a vida deles para a paz de Deus. E, visto que a vontade do mundo já se revelou, Jesus já o podia considerar derrotado em princípio. Resta apenas o seu amor que ele vai derramar em oração por seus amigos e pelo mundo que ele veio resgatar.

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