Significado de João 9

Significado de João 9

João 9

9.1 — O homem cego de nascença era um mendigo (v. 8). Os mendigos costumavam ficar nas receber esmolas dos que iam ali adorar. Sendo assim, é bem provável que isso tenha acontecido próximo ao templo, pouco depois do debate entre Jesus e os fariseus, registrado no capítulo 8.

9.2 — Quem pecou? Era comum supor que uma enfermidade era consequência do pecado. Todos acreditavam que os pecados cometidos por um bebê ainda no ventre ou por seus pais fariam com que ele nascesse com uma enfermidade. Jesus descartou ambas as possibilidades.

9.3 — Deus permitiu que aquele homem nascesse cego para que Jesus o curasse e, assim, revelasse as obras de Deus, ou seja, Seu poder de curar. Imagine por quantos anos aquele homem carregou o fardo da sua cegueira até chegar a hora de ser usado para a glória de Deus. Que esse exemplo sirva de consolo para aliviar nossa dor e nossas aflições enquanto esperamos no Senhor!

9.4 — Que eu faça as obras [...] enquanto é dia; a noite vem: uma referência à obra terrena de Je sus, que logo chegaria ao fim.

9.5 — Pela segunda vez Jesus declara: Sou a luz do mundo (compare com Jo 8.12).

9.6 — Cuspiu na terra, e, com a saliva, fez lodo. Misturar terra e saliva era uma prática muito comum para tratar infecção nos olhos. Jesus deve ter usado o lodo para dar ao homem uma oportunidade de colocar em prática a sua fé ao lavar os olhos.

9.7 — Siloé. Ezequias cavou um túnel em meio à rocha firme para transportar água de Giom, até o tanque de Siloé (2 Rs 20.20; 2 Cr 32.30). João explica que o nome Siloé significa enviado, pois Jesus havia anunciado que fora enviado por Deus (v. 4) •

9.8-12 — Os vizinhos relutaram em acreditar no milagre. Veja como o cego passa a conhecer mais de Jesus depois de ser curado: o homem chamado Jesus (v. 11), um profeta (v. 17), um homem de Deus (v. 33), o Filho de Deus (v. 35-38).

9.13,14 — Já que o homem fora curado em um Sábado, seus vizinhos o levaram aos fariseus. Era proibido trabalhar no Sábado.

9.15 — Pôs-me lodo sobre os olhos, lavei-me e vejo. A resposta do homem aos fariseus foi mais curta do que a resposta dada aos amigos e vizinhos (v. 11). É bem provável que a impaciência do homem, exteriorizada com mais ênfase pouco adiante (v.27), tenha se iniciado nesse ponto.

9.16 — Alguns dos fariseus diziam [...] Diziam outros. Os fariseus não acreditaram que Jesus era de Deus porque Ele havia curado no Sábado, quebrando assim a tradição oral acrescentada à Lei com o passar do tempo. Seus discípulos, entanto, analisaram os milagres de Jesus com sinceridade chegaram à conclusão de que Ele é Deus.

9.17-21 — O cego concluiu que Jesus era um profeta. Mas isso não significa que Ele havia entendido que Jesus era o Messias (1.20,21; 6.14).

9.22,23 — Ser expulso da sinagoga era o mesmo que ser excluído. Os judeus adotavam três tipos de exclusão: (1) por 30 dias, quando o excluído tinha de ficar a dois metros de distância de qualquer pessoa, (2) por tempo indefinido, quando o excluído ficava apartado de toda comunhão e adoração, e (3) exclusão completa, quando o excluído era expulso para sempre. Tais condenações eram encaradas com muita seriedade porque ninguém podia ter negócio algum com alguém que fosse expulso da sinagoga.

9.24 — Os fariseus mandaram o homem dar glória a Deus porque assim todo o mérito pelo milagre seria reputado somente a Ele (Js 7.19; 1 Sm 6.5). E depois de tentarem colocar palavras na boca do homem, eles ainda disseram que sabiam que Jesus era pecador. Segundo eles, curar no Sábado era violar a Lei. Assim, segundo o julgamento deles, Jesus era pecador (Jo 5.16).

9.25 — Sem estar nem um pouco interessado em disputas doutrinárias, o homem deu seu testemunho irrefutável: havendo eu sido cego, agora vejo.

9.26 — Que te fez ele? Como um advogado que tenta enfraquecer a declaração de uma testemunha, eles tentaram mais uma vez refutar a prova do milagre.

9.27 — Ao perder a paciência com aqueles que não queriam crer no que estava diante de seus olhos, o homem se recusou a contar novamente o que lhe tinha acontecido e disse sarcasticamente: Já vo-lo disse e não ouvistes; para que o quereis tornar a ouvir? Quereis vós, porventura, fazer-vos também seus discípulos?

9.28,29 — Discípulo dele sejas tu. O homem não havia dito que queria ser discípulo de jesus; Ele apenas perguntou se, porventura, aqueles líderes judeus não estavam tão interessados no que havia acontecido porque tinham interesse em se tomarem discípulos de Jesus (v. 27).

9.30-33 — Desde o princípio do mundo, nunca se ouviu. Não há nenhum relato da cura de um cego em todo o Antigo Testamento.

9.34 — Incapazes de responder à argumentação do homem curado, os fariseus o expulsaram. Nascido todo em pecados. Com tal acusação, eles estavam dizendo que a cegueira do homem era a prova do seu pecado, justamente o que Jesus havia negado (v. 3).

9.35,36 — Quem é ele, Senhor, para que nele creia? A fé tem que ter um objeto. Não é a fé que salva, e sim Jesus. Portanto, a fé é apenas um meio que nos conecta ao Senhor Jesus Cristo.

9.37,38 — Veja como o homem que foi curado passa a entender melhor quem é Jesus ao longo desse capítulo. Primeiro, ele o chama de um homem (v. 11); depois de profeta (v. 17); e finalmente ele entende que Jesus é o Filho de Deus (v. 35-38). Esse entendimento é semelhante ao demonstrado pela mulher samaritana em João 4.

9.39, 41 — Eu vim a este mundo para juízo. Jesus não veio a este mundo para exercer o juízo (Jo 3.17). No entanto, o desfecho inevitável de Sua vinda será o juízo, pois muitos se recusarão a crer (Jo 3.18). Já que Jesus é a luz do mundo, Ele veio para dar visão aos cegos e cegueira aos que pensam ver.

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