2019/09/18

Estudo sobre João 11

Estudo sobre João 11

Estudo sobre João 11


A ressurreição de Lázaro e suas consequências (11.1-57)
A auto-revelação feita por Jesus anteriormente (cf. 5.18) tinha incitado os judeus ao ódio assassino. Mas Jesus tinha acrescentado a isso a afirmação de que dele era o poder de conceder vida (cf. 5.21). A história subsequente mostra como a demonstração desse poder levou os judeus à sua determinação final de matá-lo (cf. v. 46,53). O sinal tem uma série de contrapartidas nos Sinópticos (cf. Mc 5.21-43; Lc 7.11-16 e paralelos), v. 1. Lázaro [...] de Betânia: O lugar ficava perto de Jerusalém (cf. v. 18) e é cuidadosamente distinguido de Betânia na Transjordânia (cf. 1.28), onde, muito provavelmente, Jesus estava quando recebeu a notícia da enfermidade de Lázaro, v. 2. Maria [...] que derramara perfume sobre o Senhor. Essa identificação precede o incidente registrado posteriormente (cf. 12.1-8). Não há um bom motivo, à parte da semelhança verbal, para identificá-la com a mulher de Lc 7.36-50. v. 4. Essa doença [...] ê para a glória de Deus: Imediatamente Jesus sugere que pretende fazer algo, como também indica que sabe quanto Lázaro está próximo da morte. E João nos assegura de que Jesus amava a família (v. 5).
v. 6. ficou mais dois dias onde estava: Jesus agiu em concordância perfeita com o plano divino, de tal forma que nem mesmo seu amor pelas irmãs de Lázaro o fez ir a Betânia um momento antes. Aliás, o mensageiro deve ter alcançado Jesus em torno da hora em que Lázaro morreu. Jesus esperou porque sabia que era melhor, embora soubesse que isso tornaria a aflição das irmãs maior ainda. Suas lágrimas de compaixão (cf. v. 35) eram perfeitamente naturais. Também não se pode dizer que Jesus esperou para realizar um milagre ainda maior, e assim evocou maior admiração dos espectadores, ao acrescentar à restauração do fôlego do corpo o milagre maior da restauração do corpo já em decomposição (cf. v. 39). Isso não se harmoniza com tudo que sabemos a seu respeito. As horas extras de aflição foram mais do que compensadas para as irmãs; e quem pode medir o efeito sobre o próprio Lázaro? v. 9. O dia não tem doze horas?: Enquanto teve tempo para trabalhar, Jesus está seguro de que nenhum mal vai cair sobre ele. ”Hora” aqui não é usado no sentido técnico joanino, v. 11. Lázaro adormeceu: O conhecimento que Jesus tinha das circunstâncias é claramente sobrenatural. Mas para ele a morte física é como o sono (cf. Mc 5.39), e ele vai despertar Lázaro novamente. O “sono” se tornou a metáfora predileta para denotar o estado de morte em que os primeiros cristãos esperavam a parousia (cf. At 7.60; lTs 4.13, 14; ICo 15.20,51 et alia).
v. 15. estou contente por não ter estado lá: Aqui está a compaixão perfeita do Senhor. Ele sabe que uma maior vai ser despertada tanto nas irmãs quanto nos discípulos do que se ele tivesse estado lá para evitar que Lázaro morresse. Contudo, o desejo de confortar as irmãs está próximo do coração de Jesus. Ele diz: vamos até ele. v. 16. Tomé é uma das personagens mais coerentes do NT. Embora só seja mencionado pelo nome quatro vezes em João (cf. 14.5; 20.24ss; 21.2), é retratado muito claramente. Ele pede por fatos brutos e simples e, por impalatáveis que sejam, vai aceitá-los, pois é leal àquilo em que crê. v. 25. Eu sou a ressurreição e a vida\ Marta não consegue pensar muito além da crença tradicional acerca da ressurreição, ensinada pelos fariseus e de fato endossada, até onde ia, pelo próprio Senhor (cf. 5.28,29; 6.39,40,44,54). Mas Jesus mostra que nele a esperança escatológica se torna atual e presente. A morte é só o momento quando a vida eterna passa além da atividade e experiência no mundo material. A vida que Jesus oferece é imortal. Assim, em resposta a essa revelação Marta amontoa todos os termos messiânicos que ela consegue reunir para expressar sua fé em Cristo, v. 28. O Mestre está aqui-. Os amigos de Jesus comumente devem ter se referido a ele como “o Rabino” (gr. ho didaskalos)-, cf. 13.13,14; 20.16; Mc 14.14.
v. 33. Jesus agitou-se (gr. enebrimêsato') no espírito e perturbou-se (gr. etaraxen heauton). Essas duas expressões gregas falam de indignação e tristeza respectivamente. Temple apropriadamente traduz a segunda por “arrepiou-se”. Está certo que Jesus ficou aflito e triste por Lázaro — seu amigo tão próximo. Mas a cena dos pranteadores profissionais talvez explique a primeira expressão. E possível, também, que Jesus já previa a reação violenta que esse milagre produziria no final. Enebrimêsato também ocorre nos Sinópticos (cf. Mt 9.30; Mc 1.43) e, provavelmente, sugere ali a energia física e espiritual empregadas na operação dos milagres, v. 35. Jesus chorou (gr. edakrysen)-. O choro dos judeus não era como o lamento organizado barulhento do Oriente. Jesus derramou lágrimas. Jesus geme novamente quando pondera o grande encontro com o arquiinimigo dos homens — a morte. v. 40. Não lhe falei que [...] veria (gr. opsei) a glória de Deus?-. Talvez a intenção era que entendêssemos com isso que Jesus prometeu a Marta que ela deveria ter uma visão (sugerida pela palavra “ver”) da glória de Deus sobre e acima do evento físico a ser testemunhado pelos outros. (Acerca de opsei como usado por João nesse sentido, cf. 1.51; 3.36; 11.40). v. 41. Assim, quando a pedra é removida, Jesus encara o desafio de todos os desafios até aqui no seu ministério. Mas ele o enfrenta com oração, feita além do mais para ajudar os outros para que vejam o que ele está fazendo em comunhão com o Pai. v. 43. Lázaro, venha para forah Outros podem compartilhar desse momento crítico. Eles removem a pedra, mas somente Jesus pode trazer o morto para fora. Eles o desvencilham das faixas e panos do túmulo, mas somente Jesus concede vida a ele. Os fatos espantosos são registrados em rápida sucessão.
Alguns dos espectadores creram. Outros foram contar aos fariseus (v. 46). Esse é um momento crítico no ministério do Senhor. Nos Sinópticos, o mesmo momento crucial parece vir na purificação do templo, v. 48. os romanos virão e tirarão tanto o nosso lugar como a nossa nação-. Essa é uma reação típica dos saduceus. Até agora, o partido sacerdotal mostrou pouco interesse. Agora estão alarmados em virtude da sua posição privilegiada. Assim, Caifás assume agora a iniciativa. Ele era o sumo sacerdote naquele ano fatídico. (A expressão naquele ano não implica que João considerasse o sumo sacerdócio judaico um ofício anual; Caifás, aliás, o ocupou de 18 a 36 d.C.) O fato é que, como ele diz, vos é melhor que morra um homem (v. 50), para que não pereçam todos os judeus. Seu pronunciamento foi profético. Como mostra João, ele não poderia ter falado mais eloquente-mente da morte vicária do Senhor Jesus. Mas suas palavras são tingidas também de amarga ironia. Não muitos anos depois disso, a nação judaica sofreria amargamente nas mãos dos romanos, v. 54. Efraim ficava a cerca de 22 quilômetros a nordeste de Jerusalém. Jesus ficou lá até a Páscoa. O parágrafo final mostra quantos havia que estavam observando com intenso interesse a tensão crescente dos eventos.

Índice: João 1 João 2 João 3 João 4 João 5 João 6 João 7 João 8 João 9 João 10 João 11 João 12 João 13 João 14 João 15 João 16 João 17 João 18 João 19 João 20 João 21

Nenhum comentário:

Postar um comentário