2019/09/18

Estudo sobre João 2

Estudo sobre João 2

Estudo sobre João 2


2.1. Caná da Galileia: Não foi localizada definitivamente, embora Dalman (Sacred Sites and Ways, 1935) a identificasse com Khirbet Qana. (Cf. tb. J. A. Thompson, The Bible and Archaeology, 1962, p. 359.) E interessante observar que Natanael pertencia a essa região (cf. 21.2). O elo com Natanael parece ser deduzido da expressão No terceiro dia, i.e., depois da entrevista com Jesus anteriormente. A mãe de Jesus estava alr. Ela nunca é citada pelo nome em João, supostamente em virtude do cuidado especial que o discípulo amado tinha por ela (cf. 19.25ss; v. tb. 2.12; 6.42). seus discípulos: Provavelmente significa os Doze, embora nenhum “chamado” seja registrado nesse evangelho, à parte de ”Venham e verão” e “Siga-me”, v. 3. Tendo acabado o vinho (gr. hysterêsantos oinou): Há duas glosas posteriores à primeira metade desse versículo, ambas para tentar esclarecer a situação. A mãe de Jesus relatou a questão para ele supostamente sabendo que ele poderia salvar a situação, v. 4. Que temos nós em comum, mulher? (gr. ti emoi kai soi): Essa é a tradução de uma expressão idiomática, tanto no grego clássico quanto no hebraico, significando “Deixe que eu siga o meu próprio curso”. Ninguém tem o direito de se aproximar do Senhor dessa maneira (cf. Mc 1.24; Mt 8.29). A minha hora ainda não chegou-. Alguns comentaristas restringem o significado da “hora” ao momento da morte ou exaltação de Jesus. O termo, no entanto, deve incluir alguma ideia que conecte sua Paixão e exaltação com o padrão geral de obras que ele já está realizando, como aqui (cf. v. 41). Há uma restrição divina sobre a pessoa de Jesus, de modo que ele realiza suas obras somente à medida que recebe orientação do seu Pai (cf. Mc 14.41; Mt 26.18; v. tb. Lc 13.31,32; 22.53; Jo 7.30). Mas a mãe do nosso Senhor é uma mulher de fé, e ela entende o suficiente para preparar os servos e o casamento para a intervenção de Jesus. v. 6. purificações cerimoniais-, A purificação ritual era geralmente praticada pelos judeus antes e depois das refeições. João, no entanto, parece tornar a referência suscetível também à interpretação espiritual. Podemos negar sumariamente que havia algum significado na referência aos seis potes. A insuficiência da antiga aliança seria suplantada pela nova aliança que iria purificar e saciá-los. v. 8. Agora, levem um pouco (gr. antlêsate)-. Esse verbo, com frequência, denota a extração da água de um poço (cf. antlêma, algo para tirar [água], em 4.11). Quando os potes estavam cheios, mais água foi tirada do poço e levada para a festa. Outros, especialmente Hoskyns e Davey, sugerem que o ditado ensina que Cristo é a fonte da água da vida. v. 9. o encarregado da festa-. Era a pessoa responsável por tais festividades, v. 10. Servir o vinho de qualidade inferior não era necessariamente algo que se esperava. O destaque está todo na excelência do que o Senhor proveu. Assim, para levar a lição espiritual anterior um passo adiante, o sinal aponta para a superioridade da nova ordem sobre a antiga, v. 11. sinal (gr. semeia)-. Os milagres de Jesus em João são chamados assim para desviar a atenção dos milagres em si e apontar para o seu significado. “Sinais e maravilhas” por si sós não fornecem a base para a verdadeira vida (cf. 4.48). Toda a vida de Jesus é, na verdade, um sinal encenado (cf. 12.33; 18.32), mas cada um dos seus sinais em particular mostra que eles são “as obras do meu Pai” (cf. 10.37; 14.10; e especialmente 6.25-30), e a fé é a única habilidade que consegue captá-los (cf. 4.54; 6.14; 12.18). A importância geral do uso que João faz desse termo está, portanto, na representação visível da realidade invisível que os milagres de Jesus fazem. O seu propósito é encorajar a fé; e nesse ponto os discípulos de Jesus de fato criam (cf. 20.31).

Parte doisO ministério público (2.12—12.50)
I. CRISTO PREGA A SUA MENSAGEM (2.12—4.42)
1) A purificação do templo (2.12-25)
Esse incidente, no lugar onde ocorre em João, levanta a questão da relação entre o quarto evangelho e os Sinópticos (v. Introdução). O evento é colocado perto do fim do ministério nos primeiros três evangelhos (cf. Mc 11.15-19; Mt 21.12-17; Lc 19.45-47). Os estudiosos estão divididos sobre se houve somente uma purificação do templo ou duas, enquanto os que acham que houve somente uma purificação não concordam acerca de se ela ocorreu no início do ministério do Senhor (como no evangelho de João) ou durante a semana da Paixão (como registrado pelos outros três evangelhos). C. K. Barrett argumenta no seu comentário (p. 162-3) que houve somente um incidente desses na vida do Senhor. William Temple apresenta razões para aceitar “a narrativa de João como a correta” no que tange à ordem cronológica (Readings, p. 170), enquanto R. H. Lightfoot acha que a purificação durante a semana da Paixão “é a mais provável de ser historicamente correta” (St. John’s Gospel, p. 112).
Deve-se dizer, no entanto, que o ponto de vista antigo de que houve duas purificações tem boa fundamentação. Westcott diz: ”Uma comparação das duas narrativas depõe contra a identificação das duas” (The Gospel according to St. John. Greek Text, v. 1, p. 96), e ele apresenta diversas razões que apoiam a sua opinião. O Commentary on the Gospel of St. John, de W. Milligan e W. F. Moulton (1898), antigo, mas ainda valioso, pergunta: “Mas seria tão improvável que tivessem ocorrido duas purificações, separadas por esse intervalo que a narrativa do evangelho pressupõe?” (p. 27), e fornece mais apoio a esse ponto de vista. Entre autores recentes, R. V. G. Tasker defende a opinião de duas purificações (The Gospel according to St. John, TNTC, p. 61).
Qualquer que seja o caso, o que é de extrema importância para João, como observa R. H. Lightfoot, é “representar o juízo ou o discernimento efetuados pela presença e obra do Senhor entre os homens em ação desde o início da sua atividade”. O incidente no templo chama a atenção para esse aspecto da sua obra (p. 112, op. cit.). Que o significado disso é fundamental para João, talvez possa ser confirmado pelo fato de que ele registra que os animais foram expulsos do templo. Em Cristo, o judaísmo dos rituais de sacrifícios é tem um fim. Aqui, observa Barrett, João “começa a desenvolver o tema principal, que em Jesus os propósitos eternos de Deus têm seu cumprimento” (p. 163) (v. comentário do v. 21. Acerca da Páscoa, v. artigo “O pano de fundo religioso do NT”), v. 14. alguns vendendo-. Isto é, com o propósito de serem oferecidos como sacrifícios. Esse era um serviço oferecido especialmente a adoradores que viajavam longas distâncias para Jerusalém. Os que estavam trocando dinheiro estavam sentados nas dependências do templo principalmente por causa do negócio de trocar dinheiro para o pagamento do imposto do templo, que era cobrado de todos os judeus adultos do sexo masculino, inclusive dos da Dispersão. Essa troca era feita como empreendimento comercial e dava lucros, principalmente porque os sumos sacerdotes tinham insistido em que todas essas taxas fossem pagas na moeda de Tiro. v. 15. e expulsou todos do templo. A formulação desse versículo poderia sugerir que o objeto principal da ira de Jesus eram os que trocavam dinheiro. Mas as ovelhas e os bois foram expulsos com eles. Isso pode nos levar a supor que a comercialização de animais não era de todo censurável, embora isso também possa ter sido exagerado (cf. versículo seguinte), visto que o lugar comum para esse mercado de animais era o monte das Oliveiras, v. 16.... um mercado (cf. Zc 14.21: “nunca mais haverá comerciantes...”): João não registra a linguagem mais forte que lembra Jr 7.11, como fazem os Sinópticos. Isso, provavelmente, porque sua ênfase é diferente. João vê implicações mais profundas no ato de Jesus, que incluem (cf. v. 18-22) o final do culto no templo, v. 17. O %elo pela tua casa me consumirá-. Cf. SI 69.9 (as palavras imediatamente seguintes são aplicadas a Cristo em Rm 15.3). O tempo futuro do verbo parece ser a leitura mais aceitável. Isso dá um tom messiânico ao salmo. v. 18. Que sinal miraculoso o senhor pode mostrar-nos\ Aqui está o exemplo de um pedido incorreto de um sinal. Os textos paralelos nos Sinópticos (cf. Mc 11.28) mostram que era uma prova da autoridade de Cristo que os judeus estavam buscando. Jesus não responde explicitamente ao pedido deles, mas, acerca de uma resposta dessas, v. comentário de 7.17. Mas, na sua resposta aqui, Jesus fornece um sinal para aqueles que vão prestar atenção no que ele disser. No entanto, até os discípulos só conseguiram entender o que ele quis dizer após a ressurreição, v. 19. Destruam este templo-. Como, aliás, os judeus fariam na sua insensatez não muitos anos depois disso. v. 20. levou quarenta e seis anos para ser edificado'. O templo foi iniciado em 20 a.C. por Herodes, o Grande. Esse ditado, então, parece sugerir que a estrutura estava completa em 27 d.C., isto é, exatamente no período do ministério do Senhor. Sabemos, no entanto, que o templo não foi concluído antes de 64 d.C. Mas não há problema nisso. A pista para a dificuldade aparente pode estar no uso que João faz do grego naos com referência a “templo”, que comumente é distinguido do grego hieron (também traduzido por “templo”; cf. v. 14). Nesse caso, o significado é ou (a) “o santuário interno levou quarenta e seis anos para ser construído...” ou (b) “toda a obra levou quarenta e seis anos, até agora”. A segunda, provavelmente, é uma explicação melhor das palavras, v. 21. o templo [...] seu corpo: O corpo de Cristo é uma metáfora que Paulo usa regularmente para se referir à Igreja (cf. Ef 2.21, 22). Além disso, assim como num texto paralelo (Mc 11.17) a verdadeira casa de Deus é uma “casa de oração para todos os povos”, assim, por meio do Espírito Santo, o mesmo vai ser verdade no corpo de Cristo — a Igreja. v. 24. Jesus não se confiava a eles (gr. ouk episteuen hauton autois): O conhecimento que Jesus tinha dos homens era absoluto e solidário em virtude da encarnação. Ele conhecia os homens, de fato, com o conhecimento de Deus. Presumivelmente ele viu as imperfeições da fé que eles professavam (v. 23).

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