2014/12/03

Interpretação de Apocalipse 17, 18 e 19

Interpretação de Apocalipse 17, 18 e 19

Interpretação de Apocalipse 17, 18 e 19






Apocalipse 17

VI. Babilônia e Armagedom. 17:1 – 19:21.
Juízo sobre a Babilônia. 17:1 – 18:24.
A oitava parte de todo o livro do Apocalipse, cerca de cinqüenta versículos, foi dedicada ao julgamento da Babilônia (14:8-10; 16:17-19:5). Contudo, a interpretação da Babilônia no Apocalipse tem dado lugar a mais diferença de opiniões do que qualquer outra passagem deste livro. No V.T. o nome Babilônia tem a sua origem em Babel, a qual é claro sempre simbolizou revolta contra Deus, e confusão (Gn. 10:8-12; 11:1-9). Babilônia foi a conquistadora do reino de Judá, a teocracia (II Reis 24; 25, etc.). Com Nabucodonosor, o rei da Babilônia, começou "o tempo dos gentios" (Jr. 27:1-11; Dn. 2:37, 38). A Babilônia ocupa um grande lugar nas profecias das nações no V.T. (Is. 13; 14; 47; Jr. 50:51).
A Babilônia está diante de nós nestes dois capítulos sob dois diferentes aspectos. No capítulo 17, ela está identificada com a grande prostituta, uma mulher que não aparece no capítulo 18. A besta com as sete cabeças e os dez chifres está confinada ao capítulo 17, único lugar onde encontramos os reis da terra avançando para fazer guerra contra o Cordeiro. No capítulo 18 a Babilônia parece ser alguma cidade ao longo do grande rio, apinhada de navios mercantes de toda a terra, detalhes que não aparecem no capítulo 17. Talvez devamos examinar o texto propriamente dito e depois discutir interpretações.
17:1-12. Três são os grupos a serem identificados neste parágrafo inicial; a besta, que tem sete cabeças e dez chifres; a meretriz assentada sobre a besta; e aqueles que são chamados de muitas águas mais tarde denominados de "povos, e multidões, e nações, e línguas" (v. 15). Os dez chifres, somos depois informados, são dez reis (v. 12), certamente contemporâneos; e as sete cabeças são sete montes (vs. 9, 10), que também representam reinos. Não devemos nunca nos esquecer que qualquer confederação de reis no V.T., e aqui, está sempre em oposição a Deus e ao povo de Deus (Gn. 15:18-21; Dn. 2:41, 42; 7:7, 20, 24; Sl. 2:1-3; 83:1-8; Ap. 12:3; 13:1; 16:12-16). Esta mulher, chamada de MÃE DAS PROSTITUIÇÕES (17:5), prostituiu-se com os reis da terra (v. 2), e durante algum tempo os dominou.
A quem ou a que se refere esta mulher? A maior parte dos comentadores, desde o tempo da Reforma, identificam-na com o papado, tal como o fizeram Lutero, Tyndale, Knox, Calvino (Institutes, IV, 2.12), Alford, Elliott, Lange, e muitos outros. A Igreja Católica Romana identifica esta mulher com Roma – mas com a Roma pagã, é claro, já no passado. Ela é definidamente algum vasto sistema espiritual que persegue os santos de Deus, traindo aquilo para o que foi chamada. Ela entra em relações com os governos desta terra, e por algum tempo os governa. Eu acho que o mais perto que possamos chegar a uma identificação é compreender que esta prostituta é um símbolo de um grande poder espiritual que se levantará no fim dos tempos, o qual estabelecerá uma aliança com o mundo e assumirá compromissos com as forças do mundo. Em vez de ser espiritualmente verdadeira – ela é espiritualmente falsa, e assim exerce uma influência maligna em nome da religião.
13-18. Agora, os reis da terra, tendo uma só mente, confederados, concedendo sua autoridade a este grande inimigo de Deus, a besta, saem para fazer guerra contra o Cordeiro (vs. 13,14). Quando esta hora chegar, a besta, com o poder dos reis da terra, vira-se contra a prostituta, sua força pseudo-espiritual, e a destrói (v. 16). A declaração do versículo 17 é muito confortadora – "Deus tem posto em seus corações, que cumpram o seu intento, e tenham uma mesma idéia . . . até que se cumpram as palavras de Deus".

Apocalipse 18

O capítulo 18 parece ter uma definição geográfica, a qual não encontramos no capítulo 17. Aqui nós temos a declaração que a Babilônia se tornou morada de demônios, covil de toda espécie de espírito imundo (v. 2). A maior parte do capítulo está ocupada com a descrição da riqueza da cidade, a mercadoria trazida para ser vendida, a tristeza dos mercadores que enriqueceram com o seu comércio, quando olham para a cidade agora desolada pelo fogo. Nos versículos 4-8 anuncia-se o juízo; nos versículos 9-20 temos a lamentação dos reinos da terra; e em 21-24 conta-se o destino final da Babilônia.
Agora temos de retornar ao problema da interpretação. Alguns insistem aqui em uma identificação geográfica. Aqueles que adotaram o esquema histórico de interpretação fazem Babilônia se referir geralmente à Roma pagã. Alguns, tais como Weidner, Kiddle, etc., têm afirmado que Babilônia aqui deve significar Jerusalém, mas isto parece ser inteiramente impossível. Tenho lido livros que defendem que esta cidade é Londres ou Paris. Até Alford disse uma vez, embora admitisse que sentia que a dificuldade continuava "sem solução", que "certamente os detalhes desta lamentação comercial aplicam-se muito mais a Londres do que a Roma, em qualquer período de sua história" (pág. 718). Uma coisa não se pode negar: o barrento rio Tigre, que corre através da cidade de Roma, não poderia transportar o enorme tráfego marítimo descrito no capítulo 18; mais ainda, Roma pagã jamais foi famosa como centro de câmbio ou venda de mercadorias. Alguns têm defendido que esta profecia só poderá ser cumprida quando a cidade de Babilônia for restaurada. A "Scofield Bible" repudia isto especificamente, mas muitos dos seus editores crêem pessoalmente que isto é verdade, tais como Gray e Moorehead; também Seiss, Govett, Pember, G.H. Lang e muitos outros.
Aqueles que adotam a interpretação eclesiástica, como já observamos, acham que Babilônia representa o papado, e grande é o apoio que tem sua opinião. Entretanto, eu acho que aqui tem mais coisas implicadas do que o papado somente. Esta é a Cristandade apóstata, uma religião mundana que traiu o Cristianismo e está entrelaçada com os governos pagãos e ímpios do mundo. Muitos crêem – e eu concordo – que há de vir o dia quando a própria Igreja Romana, de alguma maneira misteriosa, vai assumir um compromisso com o Comunismo ateu. (Uma pesquisa sobre este assunto encontra-se em The Antichrist, Babylon, and the Coming of the Kingdom, de G.H. Pember, 1886).

Apocalipse 19

A Batalha do Armagedom. 19:1-21.
19:1-8. Enquanto o capítulo 19 deste livro recebe generalizadamente o título, "A Batalha do Armagedom", na verdade a primeira metade do capítulo se ocupa com uma cena no céu, onde temos os três últimos hinos do Apocalipse. Primeiro, uma grande multidão se ouve cantando, Aleluia! A salvação, e a glória, e o poder, por causa do juízo sobre a grande prostituta que foi finalmente executado (vs. 1, 2). Aleluia foi extraído diretamente do hebraico e é formado de duas palavras, hallel, significando "louvor", e jah, palavra básica para Deus.
Aleluias aparecem no começo dos Salmos 111 e 112, e no começo e fim dos Salmos 146 a 150, etc. Este hino repete-se uma segunda vez. Então os vinte e quatro anciãos e as quatro criaturas viventes caem diante de Deus, também gritando Amém, Aleluia (v. 4).
Finalmente, João ouve vozes, as quais ele não identifica especificamente (v. 6), cantando o último dos cânticos, começando com Aleluia, desta vez não por causa do julgamento da Babilônia, mas por causa das bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou (vs. 6-8). Com isto, João recebe ordem de anotar a última bem-aventurança deste livro, na qual anuncia-se que a ceia das bodas do Cordeiro está para se realizar (v. 7). O relacionamento de Deus e Cristo com os redimidos conforme expresso em termos de casamento é freqüentemente encontrado em ambos os Testamentos (Os. 2:19-21; Ez. 16:1 e segs.; Sl. 45; Mc. 2:19; I Co. 6:15-17; Ef. 5:25-27). As vestes da noiva são notavelmente diferentes das vestes da grande prostituta, pois a santa noiva só usa linho puro e resplandecente (Ap. 19:8), símbolo dos atos de justiça dos santos. Tudo o que o N.T. fala em se tratando de Cristo como o esposo e a Igreja como a esposa, agora está consumado.
11-16. Este parágrafo sempre me pareceu esmagadoramente glorioso demais para uma exposição. Vê-se agora Cristo cavalgando um cavalo branco, descendo dos céus para "julgar e pelejar". Aqui Ele recebe o título de Fiel e Verdadeiro, o qual Lhe foi conferido no começo deste livro (1:5; 3:7,14). A frase, com justiça, é importante. Juízo, em toda a Bíblia, está sempre identificado com justiça. Esta foi exatamente a frase usada pelo Apóstolo Paulo em Atos 17:31. Na verdade, esta é a palavra usada na primeira referência a Deus como o juiz de toda a terra (Gn. 18:25; veja também Sl. 9:4, 8; 98:9; Is. 11:4; etc.). Justiça, diz Cremer, uma autoridade léxica, é "aquele padrão divino que se exibe em comportamento harmônico com Deus . . . o qual corresponde à norma divina". Nosso Senhor mesmo disse: "O meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou" (Jo. 5:30). A descrição de Cristo aqui (Ap. 19:12,13), com olhos de chama de fogo e um manto tinto de sangue, leva-nos de volta ao começo do livro (1:14; 2:18). A frase, tinto de sangue, foi extraída de Is. 63:3.
Agora Cristo recebe um grande título, o Verbo de Deus (Ap. 19:13). Como a Palavra de Deus, Ele fez os mundos. Foi pela rejeição da Palavra que o pecado entrou no mundo. Pela Palavra de Deus, a salvação foi oferecida aos homens. O pecado e a anarquia, impiedade e rebelião, são de uma forma ou de outra o repúdio da Palavra de Deus. Essa Palavra, Eterna e Onipotente, desce agora do céu para cumprir a profecia, para destruir os inimigos de Deus, para revelar ao universo, de uma vez para sempre, a tolice de se resistir a Cristo e a indiscutível preeminência do Rei dos Reis, e Senhor dos Senhores (v. 16). Somos agora introduzidos em uma cena terrena na qual os reis da terra desempenham papel proeminente. Como é estranha e trágica esta situação que descortinamos agora, na qual parece que os governantes do mundo inteiro se unem em um terrível esforço de destruir o ungido de Deus. Como isto contraria os sonhos da humanidade, as tolas declarações dos seus falsos profetas, e de sua injustificada crença de que a sociedade humana está sempre progredindo nos setores da paz, da bondade, da camaradagem e bem-estar social. Veremos o cumprimento do Salmo 2.
17-21. Não posso deixar de crer que esta batalha se realizará literalmente, e por isso exige atenção cuidadosa, ainda que rápida. A planície de Megido, em outro lugar chamada de planície de Jezreel, ou Esdrelom, ficou famosa na história de Israel, por suas derrotas e vitórias. Aqui se deu a vitória de Baraque Sobre os cananeus, quando os próprios astros lutaram contra Sísera (Jz. 4:5); a vitória de Gideão contra os midianitas (Jz. 7); e do mesmo modo a derrota e morte do Rei Saul e seus três filhos sob as mãos dos filisteus (I Sm. 4). Aqui aconteceu a grande tragédia da derrota e morte do Rei Josias sob as mãos dos egípcios (II Reis 23:29, 30). Mais tarde na história, as cruzadas foram aqui derrotadas, na batalha de Horns de Hattin, em 1187 A.D. Aqui o General Allemby, em 1917, obteve a grande vitória sobre os turcos, pelo que foi honrado mais tarde com o título de Lord Allemby de Megido. Esta grande planície, com cerca de doze milhas de largura, situada no meio da Palestina, vai das praias do Mediterrâneo até o Vale do Jordão. Nesta planície, diz uma grande autoridade, tivemos "a primeira batalha da história na qual podemos estudar, sob todos os ângulos, a disposição das tropas, e assim, ela forma o ponto de partida para a história da ciência militar". Esta batalha se deu em maio de 1479 A.C., entre as forças sírias e egípcias sob o comando de Tutmoses III (veja Harold H. Nelson, The Battle of Megido, págs. 1, 63).
Sobre este campo de batalha, George Adam Smith escreveu certa vez: "Que planície! Sobre ela, não só os maiores impérios, raças e religiões do Oriente e do Ocidente, têm contendido uns contra os outros, mas cada qual tem sido julgado – sobre ela, desde o princípio, com todo o seu esplendor de batalha humana, os homens sentiram que lutavam contra o céu e, que as estrelas lutavam em suas rotas – sobre ela o pânico desceu misteriosamente sobre os exércitos mais bem equipados e mais capazes, mas os humildes obtiveram a vitória na hora de sua fraqueza – sobre ela falsas religiões, como também os falsos defensores da verdadeira fé, têm sido desmascarados e dispersos – sobre ela, desde o tempo de Saul, a obstinação e a superstição, embora amparadas por todas as qualidades humanas, foram reduzidas a nada, e desde o tempo de Josias a mais pura piedade não tem sido substituída por zelo impetuoso e equívoco" (Historical Geography of the Holy Land, pág. 409).
Profecias que provavelmente se referem a esta batalha futura são encontradas desde 800 A.C. (Joel 3:9-15; veja também Jr. 51:27-36; Sf. 3:8; e Ap. 14:14-20; 16:13-16; 17:14).
A batalha termina quase que imediatamente após ter começado. Dois grandes inimigos de Deus são presos, a besta e o falso profeta (cuja obra foi destacada no capítulo 13), e são lançados vivos dentro do lago do fogo que arde com enxofre (v. 20). (Para um exame mais detalhado sobre este assunto consulte: George Adam Smith, op. cit., págs. 379-410; William Miller, The Least of All Lands, 1888, págs. 152-212; e artigos em várias enciclopédias; como também minha obra, World Crises in the Light of Prophetic Scriptures, págs. 96-1 19).
A palavra Armagedom faz parte hoje da língua inglesa, e está corretamente definida no Oxford English Dictionary como "o lugar da última batalha decisiva". Swete, escrevendo antes da Primeira Grande Guerra, disse acertadamente, "aqueles que observam as tendências da civilização moderna não acharão impossível imaginar que virá um tempo quando através de toda a Cristandade, o espírito do Anticristo irá, com o apoio do Estado, tomar firme posição contra o Cristianismo leal à pessoa e ensinamentos de Cristo".


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