2014/12/03

Interpretação de Apocalipse 9, 10 e 11

Interpretação de Apocalipse 9, 10 e 11

Interpretação de Apocalipse 9, 10 e 11 





Apocalipse 9

9:1, 2. Ao juízo da quinta trombeta, que é chamado de o primeiro ai! (v. 12), João dedica mais espaço do que a todos os juízos precedentes juntos. Talvez seja porque, além da identificação exata da Babilônia nos capítulos 17 e 18, o significado dos dois juízos neste capítulo apresente o mais difícil de todos os problemas do Apocalipse. Provavelmente a estrela caindo do céu, à qual foi entregue a chave do poço do abismo, é, como diz Weidner, "um anjo mau, o instrumento da execução do propósito divino com referência ao mundo ímpio" (pág. 114; também Alford e outros). O abismo não é o inferno, mas a habitação atual do diabo e seus anjos, incluindo o Hades, onde estão as almas dos mortos ímpios a espera do último juízo. Tão densa é a fumaça que sobe do abismo que obscurece o sol e o ar (veja 6:12; 8:12).
3-10. Também do abismo saem criaturas chamadas gafanhotos (v.3), com grande poder, que recebem permissão de atormentar os homens (embora não matá-los) por um período de cinco meses (v. 5). Tão intenso será o sofrimento dos homens que buscarão a morte em vão (v. 6). Os gafanhotos são usados na famosa profecia do livro de Joel como símbolo dos exércitos invasores. Em Jz. 6:5; Jr. 46:23; etc. os homens foram comparados a gafanhotos e nas passagens proféticas são símbolo do juízo divino (Dt. 28:38, 42; Naum 3:15, 17; Amós 7:1-3, etc.). Não é possível que examinemos aqui cada frase descritiva, mas podemos chegar a alguma conclusão sobre o que essas criaturas representam. Eu pessoalmente acho que não poderia ser mais específico do que Milligan, que disse – e certamente todos concordarão com isto – que o juízo se refere a "um grande derramamento de perversidade espiritual que agravará o sofrimento do mundo, fazendo-o perceber como a escravatura de Satanás é amarga, e ensinando-o que mesmo no meio do prazer seria melhor morrer do que viver".
11. A descrição conclui com a palavra de que sobre essas criaturas governa o anjo do abismo, chamado de Abadom em hebraico, e em grego de Apoliom, este último com o significado de "destruidor". Na Septuaginta a palavra tem este mesmo sentido em Jó 26:2; 28:22; Pv. 15:11, etc.; outra forma é a palavra traduzida para "perdição" em Mt. 7:13 e "destruirá" em II Ts. 2:8.
13-21. O tocar da sexta trombeta está identificado com o segundo ai! (11-14). Somos agora transportados a uma área geográfica conhecida nesta terra, ao rio Eufrates (v. 14), que aqui provavelmente deve ser entendido literalmente. Quatro anjos presos em algum lugar ao longo deste rio são agora soltos, para que matassem a terça parte dos homens (v. 15). Esta terrível destruição será realizada através de exércitos de cavalaria. Certamente chegamos aqui aos dias do começo do Anticristo. Todd disse, e Weidner e outros concordam, que "devemos provavelmente encarar esta região como o cenário deste grande juízo, o que está em exata conformidade com as inferências às quais somos levados pelas profecias de Daniel, onde estes países na região do Eufrates, uma vez palco de poderosos impérios, estão destinados a se tornarem o cenário da última grande luta entre os príncipes do mundo e o povo de Deus".
O resultado de tudo isto não será uma volta a Deus, ou arrependimento, mas uma insistência teimosa nos pecados que provocaram este juízo, a adoração de demônios, idolatria, homicídio, feitiçarias, fornicação, e roubos. Na verdade, não posso descobrir nenhuma evidência no Apocalipse de que haverá um grande retorno a Deus, durante este período, enquanto estes terríveis juízos sobrevierem aos homens.


 

Apocalipse 10

O Anjo com o Livrinho. 10:1-11.
O capítulo dez apresenta um agradável interlúdio. Outro anjo forte desce do céu tendo um livrinho na mão, e quando João pretende registrar o que viu, ouve uma voz dos céus dizendo, guarda em segredo as cousas que os sete trovões falaram, e não as escrevas (v. 4; cons. Dn. 12:9). Ao que parece ele jamais chegou a registrá-lo, e portanto não sabemos o que os trovões disseram. O anjo enuncia uma declaração famosa e mais ou menos enigmática – dizendo que já não haverá demora; ou, como diz o comentário à margem, não haverá mais tempo. Swete traduz assim, Não haverá mais nenhum intervalo, nenhuma delonga. Esta declaração, ao lado da que se lhe segue imediatamente, que cumprir-se-á, então, o mistério de Deus (v. 7), convence-nos de que o propósito desta visão, e especialmente destas declarações, é preparar-nos para o derramamento final dos juízos divinos, ao aproximar-se o final dos tempos, e a destruição dos inimigos do Cordeiro. O livrinho (v. 8) que João devia comer (cons. Ez. 3:1-3; Sl. 19:10, 11; Jr. 15:16) nunca foi aberto e por isso sua natureza exata tem de ser assunto controvertido. Mas Düsterdieck está bastante certo, eu acho, quando diz que "parece ser uma instrução e interpretação pessoais dadas ao vidente em relação às visões ainda pendentes, que deveriam continuar até o final. Quanto mais crescem em importância os assuntos das profecias que vêm a seguir, mais natural parece a nova e especial preparação do profeta" (pág. 308).

Apocalipse 11

As Duas Testemunhas em Jerusalém. 11:1-12. O décimo primeiro capítulo do Apocalipse sempre tem sido para mim de enorme interesse. A cena certamente acontece em Jerusalém, a qual embora chamada espiritualmente Sodoma e Egito (v. 8; cons. Is. 1:9, 10) é especificamente chamada de lugar onde também o seu Senhor foi crucificado. Os acontecimentos aqui registrados ainda não aconteceram, mas acontecerão literalmente na "cidade santa" no final dos tempos.
1,2. João recebe a ordem de pegar uma cana para medir o santuário de Deus, o seu altar, e os que naquele adoram (v. 1), o que certamente implica de que haverá alguma espécie de templo em Jerusalém nessa ocasião. Faz-se a declaração de que a cidade santa será pisada por quarenta e dois meses (v. 2), um período de tempo também encontrado em 13:5, idêntico aos 1.260 dias de 11:3 e 12:6. Eu o entendo como sendo a primeira metade do período de sete anos da nossa dispensação, ocorrendo a Grande tribulação na segunda metade, quando o Anticristo exercerá poder universal.
3-12. Duas testemunhas aparecem agora, enviadas por Deus a profetizar nesta cidade, embora não sejamos informados da natureza de sua mensagem. Elas são comparadas às duas oliveiras e castiçais (v. 4) descritas em Zacarias 4. Recebem poder sobrenatural, tal como Elias e Moisés (I Reis 17:1), para matar seus inimigos, provocar seca, transformar água em sangue, e ferir a terra com pragas a seu bel-prazer (vs. 5, 6). Quando elas terminarem a obra de que Deus as encarregou, a besta que surge do abismo pelejará contra elas, e as vencerá, e matará (v. 7). Os corpos desses dois profetas são colocados na praça desta cidade, e homens de toda a terra virão olhá-los durante três dias e meio, e participarão de um regozijo quase que universal por causa da morte desses homens que os atormentaram e que agora, pensam eles, estão destruídos (vs. 8-10). Para espanto dos seus inimigos, passados três dias e meio, Deus os levanta e os chama para a glória, e eles sobem para os céus em uma nuvem (vs. 11, 12).
A pergunta é, quem são essas duas testemunhas? As respostas têm sido muitas. O texto não permite de modo nenhum, creio eu categoricamente, uma interpretação referindo-se a um movimento, ou, como Lange insiste, ao estado cristão e à Igreja Cristã (pois onde encontrar um estado cristão atualmente?), ou ao V.T. e ao N.T., ou à Palavra e ao Espírito, ou aos cristãos fiéis, como crêem Milligan é Swete. Eu acho que estas testemunhas devem ser consideradas como indivíduos. Muitos afirmam que são Moisés e Elias (Simcox, etc.), outros que são Enoque e Elias (Seiss, Lang, Govett). Mas com referência a tais opiniões eu concordo com a posição de Moorehead: "É extremamente improvável que aqueles santos, depois de séculos de bem-aventurança no céu, sejam enviados para a terra para dar testemunho aos judeus e gentios" (op. cit., pág. 86). Francamente, acho que nada ganhamos em prolongarmos debates em relação à identidade delas. São duas testemunhas enviadas por Deus e revestidas por Ele de grande poder.
Embora o comentário de Govett sobre esses povos, tribos e nações que olham para aqueles corpos mortos (vs. 9, 10) fosse escrito em 1864, continua digno da nossa atenção: "A palavra blepo, isto é, olhar para, não indica que as nações simplesmente os verão, mas dirigirão seus olhos para esta grande visão e arregalarão seus olhos diante dela. 'Mas como', pergunta-se, 'os homens de toda a terra poderão se regozijar com a notícia quando apenas um intervalo de três dias e meio se colocará entre a morte e a ressurreição deles? . . . ' Não é perfeitamente concebível se o telégrafo elétrico tiver se expandido com a rapidez dos últimos anos?" (op. cit., pág. 243, 246, 247). Atualmente, com a televisão à disposição de todos, podemos entender melhor esta passagem.
As palavras de Lenski em relação a esses inimigos de Deus alegrando-se com a morte dos dois profetas (v. 10) provocam especiais cogitações: "O mundo perverso não pode esquecê-los e simplesmente continua em sua obstinação. Mesmo quando estão final e completamente silenciados, o mundo obstinado não consegue deixar de lado seu testemunho divino. Precisam falar nele, levar toda gente a olhar para aqueles lábios que já não falam mais. Aqueles que desprezam a Palavra não conseguem nunca livrar-se dela. Até mesmo o seu regozijo com o silêncio dela faz com que se ocupem da Palavra" (op. cit., pág. 346).
13,14. Com a ascensão das duas testemunhas, Jerusalém experimenta um grande terremoto, resultando na morte de sete mil pessoas, ao passo que as outras ficaram sobremodo aterrorizadas, e deram glória ao Deus do céu (v. 13). Não encontramos convicção de pecado neste temor, apenas um sentimento de medo que logo passa.

A Sétima Trombeta e a Cena no Céu. 11:15-18.
Tal como na abertura do sétimo selo, quando o sétimo anjo faz soar a sétima trombeta, nenhum acontecimento imediato se segue e nenhum juízo imediato é anunciado. Antes, com o soar desta trombeta, temos uma cena no céu, e faz-se uma das maiores declarações de toda a Bíblia referentes a Cristo: "O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos" (v. 15). O mundo inteiro aparece agora sob um só poderoso governo universal.
Esta declaração é seguida por um hino de louvor oferecido pelos vinte e quatro anciãos a Deus Todo-Poderoso. Esta é a única ocasião em que os anciãos são descritos prostrando-se diante de Deus. Com o anunciamento de que o reino de Deus através de Cristo está próximo, recebemos um resumo pitoresco (v. 18) dos acontecimentos que vão se suceder: 1) as nações estão iradas; isto é, haverá uma tentativa de agressão contra Cristo e os Seus; 2) a ira de Deus está para se desencadear; 3) os mortos serão julgados; 4) os crentes, aqui se dividem em três grupos – os profetas, os santos, e os que temem o Seu nome, serão recompensados; e 5) os destruidores estão para serem destruídos. A partir disto pode-se concluir com certeza que conforme se aproxima o tempo de Cristo assumir Sua autoridade real sobre esta terra, o ódio das nações da terra contra o povo de Deus vai se intensificar, e a oposição ao Evangelho vai aumentar.
11:19. A maioria dos estudantes concordará que 11:19 deve ser considerado como a introdução ao que está para ser revelado no cap. 12. Aqui novamente, como no começo das passagens dos sete selos (4:5) e das sete trombetas (8:5), relâmpagos, vozes, trovões e um terremoto. O que João vê agora no céu – um templo de Deus e a arca da aliança – apresenta um problema de interpretação. Esta não poderia ser realmente a arca do concerto que esteve no meio de Israel durante sua viagem pelo deserto (como alguns insistem); pois ela já não existia mais no tempo de Cristo. A palavra aqui traduzida para templo (E.R.C.), naos, significa "santuário" (E.R.A.), a parte interior do templo. Quando a Cidade Santa descer do céu, diz-se explicitamente que não haverá templo nela (21:22).



Um comentário:

  1. Amigos , as duas testemunhas que esse texto não explica e não reconhece são o antigo e o novo testamento que foram queimadas em praça pública e perseguida . E Deus a escondia para que a palavra de Deus sempre mantesse viva, verdadeira e fiel para aqueles sinceros de coração .

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