2019/08/25

Estudo sobre Êxodo 1

Estudo sobre Êxodo 1

Estudo sobre Êxodo 1 


Êxodo

 I. OS ISRAELITAS SÃO OPRIMIDOS (1.1—4.31)
1) Um novo rei no Egito (1.1-22)
Mesmo que tivessem sido estabelecidos no Egito com amparo e proteção do faraó, ao longo do tempo os israelitas descobriram que já não podiam viver à custa da glória de José. Vários séculos haviam passado desde a morte do patriarca, e a comunidade israelita havia se transformado num grupo que era considerado pelos egípcios nativos uma ameaça à segurança nacional. Quando os rigores da corveia já não tinham mais os efeitos desejados, o faraó recorreu a medidas mais cruéis. Implantou-se um programa de extermínio que, no início, só envolvia parteiras que davam atendimento às mães hebreias (v. 15,16), mas que a certa altura exigiu a cooperação de todo o povo egípcio (v. 22). v. 5. eram setenta: a LXX, um MS hebraico de Cunrã e At 7.14 trazem ”setenta e cinco”. Há diversas formas de explicar as variantes, e nenhum desses números representa exatamente o total daqueles que foram com Jacó para o Egito. Precisamos observar que nem suas noras nem suas netas estão incluídas na lista (cf. Gn 46.26). O v. 7 usa alguns verbos que ocorrem em Gn 1.21,22. proliferaram: lit. “enxamearam”, a terra: ou Gósen, ou, de forma hiperbólica, a terra do Egito (cf. Mt 3.5,6). v. 8. O novo rei provavelmente era Seti I da XIX dinastia , que governou c. 1303-1290 a.C. Não há necessidade de interpretar o versículo como referência à passagem das dinastias semíticas dos hicsos no século XVI a.C. A lembrança tanto de José quanto de suas grandes obras a favor do Egito tinha desvanecido entre o povo egípcio, v. 10. temos que agir [...] para que não: as palavras hebraicas lembram as maquinações dos construtores de Babel (Gn 11.4). Aqui também a história se concentra em argamassa e tijolos (v. 14) e na construção de cidades (v. 11); cf. Gn 11.3,4. Mas se naquela ocasião a visitação divina havia sido rápida (“Venham, desçamos”, Gn 11.7), foi somente depois de muitos dias que Deus anunciou a Moisés: “desci para livrá-los” (3.8). Assim como os construtores de Babel, os egípcios estavam preocupados com a auto-preservação; a presença de uma potencial quinta coluna entre eles estava lhes causando grande apreensão (cf. ISm 29.1-11). A fronteira nordeste do Egito era a mais importante em termos estratégicos, e Gósen ficava nessa região. Os israelitas estavam numa posição ideal para, se algum dia quisessem, fazer parceria com um exército invasor e se livrar do jugo egípcio, v. 11. Grande parte do trabalho de construção do faraó dependia de mão-de-obra escrava, fosse por parte dos egípcios, fosse por parte dos estrangeiros estabelecidos no Egito. Os israelitas foram submetidos a condições muito cruéis para esse tipo de serviço (cf. 5.6-21). cidades-celeiro: usadas principalmente para depósitos de alimentos e armamentos; o nordeste do Delta, além de ter importância estratégica, era também muito fértil. Pitom (egípcio Pr-itm, “Casa de [deus] Atum”) estava situada no uádi Tumilat e provavelmente deve ser identificada com Tell Er-Ratabah ou Tell El-Maskhuta. Ramessés é quase certamente aPr-R‘mssw (“Casa de Ramessés”) mencionada em vários textos egípcios. Evidências publicadas em 1975 dão grande apoio a um local em Qantir, a cerca de 25 quilômetros ao sul de San El-Hajar. Ramessés era a residência de Ramsés II (c. 1290-1224 a.C.) no delta do Nilo; em seu reinado, parece ter ocorrido a maior parte das obras de construção, v. 15. hebreus tem o mesmo sentido que “israelitas”. O termo talvez esteja relacionado ao egípcio ‘apiru e ao babilônio habiru, ambos usados para descrever um grupo de seminômades bastante difundidos, cuja presença no Oriente Médio do segundo milênio não era considerada exatamente uma bênção para as comunidades mais urbanas da época. Há evidências da presença de ‘apiru habiru no Egito no século XIII, mas esses não devem ser confundidos com os “hebreus” israelitas. Embora o termo bíblico “hebreu” possa incluir, como os seus aparentes cognatos, um significado social, no AT é usado quase sempre no sentido étnico. A forma em que o texto hebraico é vocalizado torna as parteiras mulheres he-breias (cf. NVI); alguns eruditos argumentam que dificilmente o faraó teria esperado que parteiras hebreias tivessem obedecido às suas ordens e que “parteiras entre as mulheres hebreias” poderia deixar aberta a possibilidade de que fossem, na verdade, egípcias (assim Josefo) e portanto mais propensas a concordar com as exigências demoníacas do rei. Mas, se aceitarmos a influência dos nomes, deveremos concluir que elas mesmas eram hebreias. v. 16. Uma tentativa deliberada de genocídio foi a reação do faraó à situação registrada no v. 12. v. 17. A questão estava depositada providencialmente, nesse período, nas mãos de parteiras tementes a Deus. v. 19. Talvez as parteiras estivessem enganando o faraó com essa história, mas de fato é possível que o nascimento das crianças fosse mais fácil para as mulheres israelitas em virtude das condições severas a que tinham se acostumado. A resposta das parteiras então testemunha a favor da fecundidade dos israelitas já ressaltada algumas vezes (v. 7,9,12). v. 21. O temor a Deus teve o seu reconhecimento (cf. Gn 22.12; Hb 5.7); v. Sl 127.3 e, para contrastar, 2Sm 6.23.


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