2019/08/24

Apocalipse 10 — Comentário Bíblico Online

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Apocalipse 10 

Entre o sexto e o sétimo selos houve um interlúdio prolongado, cobrindo todo Ap 7. Agora encontramos entre a sexta e a sétima trombetas um intervalo ainda mais prolongado (Ap 10.1-11.14). Em ambos os casos, o sétimo (selo ou trombeta) abre em uma nova série de revelações.
Interlúdio: Duas Visões Preparatórias (Ap 10.1-11.14)
Como o interlúdio entre o sexto e sétimo selos (cap. 7) consistia de duas visões, o mesmo ocorre com esse interlúdio entre a sexta e sétima trombetas. Claramente, duas coisas precisavam ser feitas em preparação para o soar da última trombeta.
a) O anjo com o livrinho (10.1-11). João viu outro anjo forte, que descia (lit.: descendo) do céu (1). Ele estava vestido de uma nuvem — o veículo, descrito na Bíblia, usado por seres celestiais para descer à terra e subir novamente (cf. SI 104.3; Dn 7.13; At 1.9; 1 Ts 4.17). O anjo tinha por cima da sua cabeça um arco celeste, e o rosto era como o sol. Isso parece a descrição do Cristo glorificado em 1.16; mas geral­mente acredita-se que outro anjo forte não se refere ao Filho de Deus. Os pés (a pala­vra grega é melhor traduzida aqui por “pernas”) eram como colunas de fogo. Ele resplandecia em beleza e força.
O anjo tinha na mão um livrinho aberto (2) — um pequeno rolo de papiro. Isso está em contraste com o livro firmemente selado em 5.1. Swete escreve o seguinte a respeito desse livrinho: “O pequeno rolo aberto continha uma pequena parcela do grande propósito que estava na Mão de Deus, um fragmento pronto para ser revelado”.”
O anjo forte — evidentemente forte em tamanho e força — pôs 4) pé direito sobre o mar e o esquerdo sobre a terra. Esses dois elementos provavelmente representa­vam o mundo. Assim, ele dramatiza a autoridade do céu sobre toda a terra.
Nessa posição, o anjo clamou com grande voz, como o bramar de um leão (3). Essa atitude condiz com o seu tamanho colossal. Após o seu clamor, sete trovões fize­ram soar as suas vozes. Essa é uma repetição da sétupla “voz do Senhor” em Salmos 29.
João estava pronto para escrever, quando uma voz do céu disse a ele: Sela o que os sete trovões falaram e não o escrevas. Paulo teve uma experiência semelhante (2 Co 12.4). Tem havido muita especulação em torno daquilo que os sete trovões disseram. Mas Swete apresenta uma resposta convincente em relação a essa situação: “Na verdade, está se perdendo tempo ao especular a respeito do que foi falado e porque não deveria ser revelado”.”
O anjo forte então levantou a mão ao céu (5) e jurou pelo Criador eterno de todas as coisas de que não haveria mais demora (6). Isso é citado erroneamente como: “Não haverá mais tempo”, e é aplicado ao início da eternidade. Mas isso é obviamente incorreto. No livro de Apocalipse muitos outros eventos ocorrem antes da eternidade ser introduzida através do novo céu e a nova terra (caps. 21-22). O significado correto dessa declaração é: “Não haverá mais demora!” (NVI). Os julgamentos de Deus em relação à humanidade não arrependida não podem ser mais adiados. Eles logo ocorrerão, quando o sétimo anjo [...] tocar a sua trombeta (7). Então se cumprirá o segredo de Deus. Essa frase é usada por Paulo em Colossenses 2.2, em que ele se refere a Cristo como o Salvador de toda a humanidade, tanto judeus quanto gentios — isto é, todos que aceitarão a sua salvação. A redenção será cumprida (completada) na segunda vinda de Cristo.
Então João foi instruído a tomar o livrinho aberto (8) do anjo que o segurava. Quando pediu pelo livrinho, o anjo respondeu: Toma-o e come-o, e ele fará amargo o teu ventre, mas na tua boca será doce como mel (9). A última parte do versículo reflete a verdade expressa mais de uma vez nos Salmos: “os juízos do SENHOR são [...] mais doces do que o mel e o licor dos favos” (Si 19.9-10); “Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais doces do que o mel à minha boca” (SI 119.103).
Quando João comeu o livro, ele descobriu que a predição do anjo foi cumprida: na minha boca era doce como mel; e, havendo-o comido, o meu ventre ficou amar­go (10). Notamos que a ordem aqui é o inverso do versículo anterior. Charles dá uma boa explicação: “No versículo 9, é ressaltada a importância dos resultados que seguiram o comer o livro e por causa disso vem primeiro; nesse versículo, os eventos são apresenta­dos na ordem da experiência do vidente”.”
O incidente registrado aqui rememora uma ocasião similar na vida de Ezequiel. Ele recebeu a ordem comer um “rolo” que lhe foi apresentado. Ele diz que o comeu “e era na minha boca doce como o mel” (Ez 3.3). Não lemos nada em relação ao ficar amargo no seu estômago. No entanto, o texto nos diz que no rolo se achavam escritas “lamentações, e suspiros, e ais” (Ez 2.10). Certamente a digestão dessas ideias deve ter sido desagradável.
Jeremias também disse: “Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim gozo e alegria do meu coração”. No entanto, ele declara no versículo seguin­te: “me assentei solitário, pois me encheste de indignação” (Jr 15.16,17).
Acerca dessa mistura estranha, Swete faz uma observação útil: “Cada revelação dos propósitos de Deus, embora uma pequena parte, um biblaridion [pequeno rolo], é 'doce-amargo', desvendando julgamento e misericórdia ao mesmo tempo. Se o vidente deseja conhecer parte do segredo de Deus, precisa ser preparado para impressões bem mescla­das; a alegria inicial de um conhecimento mais completo é seguida por tristezas mais profundas e mais amargas do que aquelas experimentadas por homens comuns”.91 O mesmo é verdade em relação ao cristão consagrado nos nossos dias. Estar próximo de Cristo significa experimentar a rara doçura da sua presença. Mas também há um preço a pagar, ou seja, o de compartilhar das suas tristezas por causa do pecado que destrói as pessoas por quem Ele morreu.
Importa que profetizes outra vez a muitos povos, e nações, e línguas, e reis (11) é uma comissão que nos lembra de ordens semelhantes dadas a Jeremias 1.9,10). João, o revelador, estava na sucessão real de profetas que receberam revelações divinas e ordens para transmiti-las aos homens.
João precisava comer o rolo antes de profetizar. McDowell comenta: “O simbolismo de comer do rolo indica a necessidade de assimilar sua mensagem, de tornar a mensa­gem parte dele mesmo, como um pré-requisito para a sua transmissão”.92 É isso que cada pregador deve fazer com a Palavra de Deus.


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