Apocalipse 10 — Comentário Evangélico

Apocalipse 10 — Comentário Evangélico

Apocalipse 10 — Comentário Evangélico




Apocalipse 10 

I. A aparência do anjo (10:1 -4)
Em 5:2, João viu “um anjo forte” e, agora, ele vê “outro anjo forte”; é mais plausível que esse mensageiro celestial seja Jesus Cristo, o Anjo do Senhor. Os símbolos usados nessa passagem trazem-nos à memória a descrição do Cristo glorificado de 1:12-16. A nuvem e o arco-íris referem-se a 1:16; as pernas como colunas de fogo, a 1:15; o rosto como o sol, a 1:16. Com certeza, a voz como rugido de leão refere-se a 5:5; veja também Oseias 11:10 e Joel 3:16. Essa é a voz que anuncia a chegada do julgamento, não uma voz graciosa que convida. Apoca­lipse 11:3, talvez, apresente a me­lhor evidência de que esse anjo é Cristo, pois nessa passagem ele diz: “Darei às minhas duas testemu­nhas...”. Portanto, eis aqui Cristo, o Anjo do Senhor, que anuncia que Deus apressa sua obra e cumprirá seu propósito para a terra.
O livrinho (v. 2) contrasta com o livro de 5:1. Esse livrinho está aberto, e o outro estava selado. Os versículos 9-11 indicam que esse é um livro de profecias; o versícu­lo 7 deixa evidente que os profetas anunciaram o conteúdo do livro. Essas profecias devem se relacionar com Israel, os judeus e Jerusalém, já que os profetas do Antigo Testa­mento não falavam das verdades da igreja, e o capítulo 11 e os seguintes falam exatamente desses temas. Tal­vez esse livrinho seja a mensagem selada de Daniel 12:4,9 que, agora, é aberta a fim de que se cumpra.
O Senhor declara, por assim di­zer, que todos da terra e dos mares permaneçam na terra e nos mares. Leia Josué 1:1-3. Não sabemos o que ele disse nem o que os trovões revelaram (veja 1 Sm 7:10 e SI 29). E inútil especular a respeito disso.
Ordena-se que João sele (não reve­le) as palavras dos trovões; essa é a única revelação selada nesse relato. Essa visão de Cristo deixa claro que ele está no controle, e cumprirá os propósitos de Deus, e reivindicará sua herança.
II. O anúncio do anjo (10:5-7)
Essa cena solene inicia-se quan­do Cristo levanta as mãos e afirma que já não haverá demora (não “tempo”). Agora, responde-se à per­gunta das almas sob o altar (“Até quando?”; 6:10-11): já não haverá demora! Hoje, os zombadores per­guntam: “E a prometida vinda dele? Por que Deus não está fazendo al­guma coisa?” (2 Pe 3). Esse período atual de demora é a oportunidade de salvação para o pecador! Cristo afirma que, nos dias do soar da sé­tima trombeta (11:15-19), Deus ter­minará seu plano. O termo “misté­rio” (v. 7) significa uma verdade que Deus deixou escondida. O homem mortal não consegue entender por que o pecado e o sofrimento estão no mundo, e os santos honestos sofrem, enquanto os pecadores de­sobedientes estão livres. Tenhamos certeza de que Deus endireitará essas coisas e completará seu pla­no. Leia com atenção Ap 11:18 — e sinta-se confortado!
Algumas pessoas pensam que o “mistério de Deus” está no livrinho. Talvez esteja. O que sabemos é que
Deus tem o controle da história e, no fim, fará com que o bem triunfe sobre o mal.
III.      A posse do livro (10:8-11)
Não é suficiente que João veja o livrinho nas mãos de Cristo ou até que conheça seu conteúdo; ele pre­cisa apropriar-se dele, torná-lo parte de seu ser interior. Veja eventos si­milares em Ezequiel 2—-3 e em Je­remias 15:16. A Palavra de Deus é nosso alimento (Mt4:4; SI 119:103); antes que ela possa nos fazer qual­quer bem, precisamos assimilá-la. E bom ler e estudar a Bíblia, mas tam­bém precisamos memorizar a Pala­vra e digeri-la em nosso interior por intermédio do poder do Espírito.
O ato de comer o livrinho tem um efeito duplo sobre João: ele tem um sabor doce, mas é amargo ao estômago, semelhante ao efeito da espada de dois gumes que é a Pa­lavra (Hb 4:12). Desfrutamos das bênçãos da Palavra, mas também temos de sentir o seu peso. João foi abençoado com o conhecimento de que Deus cumpriría suas pro­messas; todavia, sentiu amargor ao perceber o sofrimento que sobrevi­ría nos três anos e meio seguintes da tribulação.
Digerir a Palavra preparou João para a continuidade de seu minis­tério como profeta. Que lição para nós, como testemunhas! É trágico quando tentamos servir ao Senhor e falar por ele sem antes reservar­mos um tempo para nos apropriar da Palavra dele! Só podemos compartiIhá-la com os outros quando ela fizer parte de nosso ser interior. E muito importante que os santos re­servem um tempo diário para ler e absorver a Palavra.
O versículo 11 afirma que João deve profetizar a respeito de “mui­tos povos, nações, línguas e reis”. As seções seguintes de Apocalipse referem-se, muitas vezes, às nações, pois Satanás as incitará e as prepa­rará para a campanha do Armagedom (1 6:12-14). Definitivamente, nos capítulos 11 — 12, estamos em solo judeu. Neles temos o templo judeu (11:1 -2), Jeru­salém (11:8), a arca (11:19), Cristo, o governante (12:5), o arcanjo Mi­guel (12:7) e a perseguição de Sata­nás aos judeus (12:1 7). Teremos sé­rios problemas se espiritualizarmos qualquer parte dessas passagens e tentarmos aplicá-las à igreja. Nesse ponto, estamos no meio do período da tribulação.

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