2016/10/08

Números 36 — Análise Bíblica

Análise Bíblica de Números 36




Números 36

36:1-13 A herança das filhas
O capítulo 27 apresenta as leis sobre heranças. Como é comum acontecer quando uma legislação é promulgada, toma-se necessário criar outras prescrições quando a aplicação das leis gera um dilema. Se as filhas podiam ficar com a herança quando não havia herdeiros do sexo masculino, o que aconteceria quando essas filhas se casassem? Se elas se casassem com um homem de outra tribo, a sua tribo perdería terras que lhes pertenciam por direito. Foi com esse problema que os líderes do clã de Gileade, da tribo de Manassés, abordaram Moisés (como fizeram as filhas de Zelofeade em 27:1-2). Esses homens se apresentaram diante de Moisés e dos anciãos, mas não diante de toda a congregação, como as filhas de Zelofeade (36:1-3).
Os representantes do clã procuraram justificar sua preocupação associando-a ao Ano do Jubileu, no qual toda terra devia ser devolvida ao seu proprietário original, e, nesse caso, as terras seriam entregues à tribo dos maridos dessas herdeiras (36:4; Lv 25:8-54). 0 cerne da questão era que, apesar de uma mulher ter o direito de herdar a terra, ela perdia efetivamente a posse dessa propriedade quando se casava, pois seus bens passavam a pertencer ao marido. Como em muitas sociedades africanas de hoje, na sociedade do antigo Israel não se cogitava que uma mulher pudesse possuir terras de forma independente.
Embora o texto não afirme especificamente que Moisés apresentou o caso ao Senhor, como em 27:5, pode-se supor que ele o fez, pois, ao responder, falou segundo o mandado do Senhor. Moisés determinou que essas herdeiras deviam se casar com alguém de seu próprio clã (36:5-6), uma prescrição que manteve a integridade dos clãs como entidades distintas dentro do povo de Deus (36:7-9).
As filhas de Zelofeade obedeceram e se casaram com seus primos (36:10-12). Apesar de terem obtido alguns direitos, as mulheres ainda não haviam sido reconhecidas de todo como recipientes iguais da promessa do Senhor junto aos homens israelitas. Mas chegaria o dia em que o apóstolo Paulo, escrevendo aos gálatas, enfatizaria que para o Senhor não há “judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3:28).
O livro de Números termina com essa decisão cujo propósito é manter a integridade das terras pertencentes às tribos, um final apropriado para um livro que começou com um censo das tribos que não possuíam propriedades, mas estavam avançando, pela fé, rumo à posse da terra prometida por Deus.

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