2016/10/08

Números 14 — Análise Bíblica

Números 14 — Análise Bíblica

Números 14 — Análise Bíblica



Números 14
Nm 14:1 -10a A reação do povo
Ao ouvir o relatório dos espias, toda a congregação chorou e protestou contra Moisés e Arão, dizendo: Tomara tivéssemos morrido na terra do Egito ou mesmo neste deserto! E por que nos traz o Senhor a esta terra, para cairmos à espada e para que nossas mulheres e nossas crianças sejam por presa? Não nos seria melhor voltarmos para o Egito? (14:1-3). 0 medo levou os israelitas a recusarem a dádiva da terra que Deus estava oferecendo. Não desejavam continuar a jornada; preferiam voltar para o Egito. Apesar de terem visto o poder de Deus nas dez pragas enviadas por ele para libertá-los do Egito, na separação das águas do mar Vermelho para que pudessem atravessá-lo e no modo em que o Senhor os protegeu dos muitos perigos no deserto, ainda assim não confiavam que ele cumpriria suas promessas.
Essa rebelião foi diferente daquela com o bezerro de ouro (Êx 32—33). Enquanto naquele episódio o povo não rejeitou Deus, mas, sim, fez uma imagem para representá-lo e conduzi-los em sua jornada à terra prometida, aqui os israelitas recusaram a oferta de Deus e negaram suas promessas e, portanto, rejeitaram Deus claramente. Também rejeitaram os líderes que Deus lhes dera e sugeriram escolher um líder que os levasse de volta para o Egito (14:4). 0 desejo do povo de escolher seu próprio líder e voltar para o Egito suscitou a ira de Deus, pois representou uma rejeição total do “Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão” (Êx 20:2).
Todo ato pecaminoso tem consequências. Horrorizados com a desobediência do povo, Moisés e Arão se prostraram com o rosto em terra, como sinal de sua intercessão pelos israelitas que haviam se rebelado contra Deus (14:5). Josué e Calebe continuaram a encorajar o povo a confiar em Deus e até rasgaram suas vestes em sinal de tristeza e arrependimento (14:5-9). Disseram aos filhos de Israel: A terra pelo meio da qual passamos a espiar é terra muitíssimo boa. Se o Senhor se agradar de nós, então, nos fará entrar nessa terra e no-la dará, terra que mana leite e mel. Tão somente não sejais rebeldes contra o Senhor e não temais o povo dessa terra, porquanto, como pão, os podemos devorar; retirou-se deles o seu amparo; o Senhor é conosco; não os temais (14:7-9). Mas o povo ignorou as palavras dos dois e ameaçou apedrejá-los (14:10a).
14:10b-45 A resposta de Deus
Deus apareceu na tenda da congregação e expressou sua ira a Moisés: Até quando me provocará este povo [...]? (14:11). Também declarou que deserdaria o povo, ou seja. não consideraria mais os israelitas seus filhos. Em seu lugar, criaria uma nova nação ainda maior a partir dos descendentes de Moisés (14:106-12).
Moisés suplicou ao Senhor que perdoasse o povo, como havia feito anteriormente no episódio com o bezerro de ouro e em outras ocasiões. Apresentou dois motivos fortes pelos quais Deus não deveria destruir seu povo. 0 primeiro dizia respeito à reputação de Deus. As outras nações sabiam que Deus havia tirado os israelitas do Egito e os estava conduzindo à terra prometida. Assim, Moisés argumentou: Se matares este povo como a um só homem, as gentes, pois, que, antes, ouviram a tua fama, dirão: Não podendo o Senhor fazer entrar este povo na terra que lhe prometeu com juramento, os matou no deserto (14:15-16). Em outras palavras, a morte do povc seria considerada um sinal de que Deus não tinha nenhum poder. Em seu segundo argumento, Moisés apelou para o caráter de Deus e, mais especificamente, para sua misericórdia, amor fiel e perdão da iniquidade e a transgressão do seu povo (14:18a). No entanto, Moisés sabia que, apesar de sua misericórdia, Deus castiga o pecado, pois citou a proibição da idolatria nos Dez Mandamentos: Ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta gerações (14:186; cf. tb. Êx 20:5; Dt 5:9). Com base nesses dois argumentos, Moisés pediu a Deus que perdoasse Israel como havia feito no passado (14:19).
Deus respondeu prometendo perdoar o povo, mas também castigá-lo por sua desobediência. Israel passaria quarenta anos vagando pelo deserto, até que a geração mais velha (todos com 20 anos de idade ou mais) perecesse (14:20-35). Dessa geração, somente Calebe e Josué não morreriam no deserto (14:30). Os outros dez espias que haviam apresentado o relatório sobre a terra foram mortos por uma praga (14:36-37), um símbolo do castigo que sobreviria a todos os israelitas com mais de 20 anos de idade.
Moisés relatou ao povo a resposta de Deus à sua desobediência e falou da morte da geração mais velha no deserto (14:39). 0 povo reconheceu o seu erro, mas não quis aceitar o castigo. Em vez disso, continuou a desobedecer. Depois de rejeitar inicialmente a ordem de entrar na terra prometida com a ajuda de Deus, decidiu fazê-lo por sua própria conta (14:40-43). Moisés recusou-se a acompanhá-los, e a arca da aliança não saiu do arraial, mas o povo avançou para o norte rumo à região montanhosa (14:44). Conforme a pre-dição de Moisés, os israelitas foram derrotados cabalmente pelos amalequitas e cananeus (14:45). Qualquer tentativa humana de realizar uma jornada de fé sem o auxílio e a orientação de Deus é inútil.



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