2016/10/08

Números 16 — Análise Bíblica

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Números 16

Nm 16:1 -50 A rebelião dos levitas
O raio tênue de esperança concedido por Deus ao povo pela instituição de novas leis para aquela que continuava sendo sua comunidade da aliança depois de uma rebelião devastadora (caps. 13—14) não tarda em ser obscurecido por mais uma rebelião. Desta vez, o movimento é liderado por alguns levitas. Seus atos exemplificam o pecado deliberado ao qual 15:30 se refere e indicam um possível significado para as palavras “tal pessoa será eliminada do meio do seu povo”.
Arão e Miriã haviam contestado o papel especial de Moisés como profeta de Deus (cap. 12). Desta vez, outros se opõem à função de Moisés e Arão como sacerdotes. Corá, o líder da rebelião, era um levita que provavelmente servia na tenda da congregação. Como descendente de Coate, era responsável pelos objetos mais sagrados (16:1a; cf. Nm 3:30-31). No entanto, não se contentou com essa responsabilidade, pois sua ambição era ser sacerdote.
Para alcançar esse objetivo, Corá incitou alguns dos rubenitas, mais especificamente Data, Abirão e Om (16:16), aos quais se juntaram cerca de duzentos e cinquenta líderes do povo de Israel, formando uma frente de oposição a Moisés (16:2) e alegando que ele e Arão haviam se colocado acima da congregação do Senhor. De acordo com os rebeldes, toda a congregação era santa (16:3) — uma meia-verdade. De fato, Israel havia sido chamado anteriormente de nação santa (Êx 19:3-6), mas Moisés e alguns outros indivíduos haviam sido separados do restante dos israelitas para exercer uma função santa. A ambição de Corá o levou a se apegar a essa meia-verdade, questionando a legitimidade dos papéis de Arão e Moisés e, indiretamente, a autoridade do Deus que os havia nomeado para os seus cargos. Nos dias de hoje, aqueles que defendem meias-verdades agressivamente também podem causar grandes estragos nas comunidades dos cristãos.
Mais uma vez, como em Nm 14:5, Moisés caiu sobre o seu rosto para expressar vergonha e arrependimento diante desse ato de rebelião, assim como submissão a Deus (16:4). Em seguida, pediu uma prova a fim de determinar quem Deus havia escolhido para o sacerdócio. No dia seguinte, Arão e todos os participantes da rebelião deveríam oferecer incenso. Nessa ocasião, o Senhor mostraria claramente os indivíduos que ele havia separado para ministrar na função sacerdotal (16:5-7a).
No entanto, Moisés advertiu Corá: Basta-vos, filhos de Levi (16:7b). Deus já dera aos levitas uma função especial, e estavam errados em murmurar contra Arão, que, nesse caso, representa todo o sacerdócio (16:8-11).
Moisés também convocou os rubenitas Datã e Abirão, filhos de Eliabe, que haviam tomado partido de Corá na rebelião (16:12). Os dois recusaram apresentar-se e afirmaram que Moisés havia conduzido o povo para fora de uma terra que mana leite mel (como se o Egito, a terra de escravidão e sofrimento, fosse a terra da promessa!) e não havia cumprido sua promessa de conduzi-los a uma terra que mana leite e mel. Acusaram Moisés de cobiçar poder e querer se impor como príncipe sobre eles (16:13-14a). Além disso, também o acusaram: Pensas que lançarás pó aos olhos destes homens? (16:146), como se Moisés estivesse tentando cegá-los para o que estava acontecendo.
Moisés se irou com essas acusações falsas, mas, em vez de se voltar contra seus acusadores, pediu a Deus que o defendesse. Moisés podia dizer a Deus com toda a sinceridade: Nem um só jumento levei deles e a nenhum deles fiz mal (16:15). A capacidade de se voltar para Deus em busca de justificação e servir ao povo fielmente são qualidades da boa liderança. As asserções de Moisés também levantam a questão de quantos líderes africanos, tanto na igreja quanto no governo, teriam a coragem de declarar diante de Deus que nunca roubaram nem fizeram mal a ninguém. Tendo em vista a corrupção generalizada em nosso continente, é provável que poucos pudessem fazer tal declaração.
Em seguida, Moisés repetiu a ordem para que Corá e todos os rebeldes se apresentassem diante do Senhor no dia seguinte (16:16). Moisés e Arão ofereceriam incenso a Deus, que mostraria quais homens deveriam ser aceitos como sacerdotes do Senhor na tenda da congregação (16:17-18).
A rebelião sempre é castigada, e esse caso não é exceção. No dia seguinte, quando o grupo se reuniu na tenda da congregação, Deus estava tão irado que ameaçou novamente destruir toda a comunidade (16:21). A oração de Moisés e Arão em favor do povo reunido no acampamento de Corá mostra, mais uma vez, suas qualidades de liderança autêntica (16:22). Moisés transmitiu, então, a advertência de Deus, dizendo ao restante da comunidade que se afastasse das tendas dos pecadores a fim de que o castigo de Deus não recaísse sobre todos (16:23-27). Então, declarou que Deus revelaria se as acusações dos rebeldes contra Moisés e Arão eram justificadas ou não (16:28-30).
Deus executou seu julgamento de forma dramática, e Corá, Datã, Abirão e suas famílias foram tragados pela terra que se abriu debaixo dos seus pés (16:31-34). O destino dessas famílias nos lembra que o pecado de uma pessoa pode afetar não somente ela própria, mas também os inocentes. Quando, por exemplo, o meio ambiente é poluído ou destruído, tanto os transgressores quanto os inocentes sofrem. Semelhantemente, pessoas com vícios como o alcoolismo podem arruinar sua família e deixá-la na miséria. 0 pecado de uma pessoa pode resultar, ainda, na transmissão do HIV a cônjuges e filhos inocentes.
Os duzentos e cinquenta homens rebeldes que ofereceram incenso foram atingidos por um raio do Senhor (16:35). No entanto, isso criou outro problema, pois seus incensários haviam sido usados para o serviço do Senhor, tomando-se sagrados (16:36-37), de modo que não podiam simplesmente ser devolvidos às famílias. Assim, Deus instruiu Moisés a derreter os incensários e batê-los para formar lâminas a serem usadas como cobertura do altar, servindo de memorial pela insensatez dos rebeldes e confirmação de que somente os sacerdotes da família de Arão podiam queimar incenso naquele local (16:38-40).
Em vez de aprender com esse castigo divino, a comunidade toda se levantou contra Moisés e o acusou de ser responsável pela morte dos rebeldes (16:41). Quando o povo se ajuntou em oposição a Moisés, a nuvem cobriu a tenda da congregação, mostrando a glória de Deus (16:42). O Senhor ordenou que Moisés e Arão se afastassem do povo, pois ele estava prestes a castigá-lo por esse novo ato de rebelião (16:43-45). Mais uma vez, Moisés e Arão se prostraram diante do Senhor em oração.
Deus enviou uma praga como julgamento, e, ao perceberem que era necessário detê-la, Moisés e Arão tomaram um incensário e fizeram expiação pelo povo (16:46). Em geral, a expiação era feita por meio de um sacrifício, mas, tendo em vista a urgência da situação, não havia tempo para preparar uma oferta pelo pecado. O incenso oferecido por Arão teria de representar essa oferta.
A posição de Arão em pé entre os mortos e os vivos mostra nitidamente o papel do sacerdote como um mediador (16:47-48). Seu ato evitou que ocorressem mais mortes no meio do povo; mas, antes que a praga fosse detida, morreram 14.700 pessoas (16:49-50).

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