2016/10/08

Números 29 — Análise Bíblica

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Números 29 — Análise Bíblica


Números 29

29:1-6 A Festa das Trombetas. Três datas importantes eram observadas no sétimo mês: a Festa das Trombetas, no primeiro dia (29:1a); o Dia da Expiação, no décimo dia (29:7); a Festa dos Tabernáculos, do décimo quinto ao vigésimo primeiro dia do mês (29:12).
A Festa das Trombetas recebeu esse nome por ser comemorada com sonido de trombetas ou um grande brado de aclamação (Lv 23:24). Posteriormente, esse ritual passou a anunciar o início de um novo ano religioso (diferente do ano civil que começava sete meses antes). A ênfase sobre a comemoração provavelmente indica que devia ser um dia no qual o povo apresentava a Deus suas necessidades e pedia que o Senhor se lembrasse dele. Nesse dia, devia haver santa convocação e não se devia realizar nenhuma obra servil (29:1 b). Era um dia de adoração. Como no caso das outras festas, além das ofertas diárias, ofertas adicionais deviam ser apresentadas nessa ocasião, entre elas um bode, para oferta pelo pecado, para fazer expiação por vós (29:2-6).
Hoje em dia, os judeus chamam essa festa de Rosh Hashanah, ou Ano Novo Judaico. Embora os cristãos comemorem o Ano Novo em outra data, também reconhecem que o primeiro dia do ano é uma ocasião apropriada para agradecer a Deus o ano que passou, louvá-lo por permitir que comecem mais um ano e pedir suas bênçãos e proteção para os meses vindouros. Várias denominações cristãs realizam cultos especiais na véspera do Ano Novo e na manhã do primeiro dia do ano.
29:7-11 O Dia da Expiação. Essa ocasião solene era observada no décimo dia do sétimo mês do calendário hebraico. Nesse dia, os israelitas deviam observar um jejum para expressar sua tristeza pelos seus próprios pecados e pelos pecados de toda a comunidade (29:7; Lv 16:29-31; 23:26-32). Em vez de trabalhar, deviam se reunir em santa convocação para adorar e apresentar ofertas especiais (29:8-11). Enquanto o livro de Números simplesmente relaciona os sacrifícios a serem apresentados, Levítico 16 fornece uma descrição detalhada do ritual de expiação propriamente dito, realizado uma vez por ano para “cobrir” os pecados dos israelitas. Ao que parece, os bodes usados como ofertas pelo pecado para fazer expiação pelo povo em outras festas (28:15,22,30; 29:11,22) serviam para lembrar que uma expiação mais completa seria feita nessa ocasião. (Para mais detalhes sobre a expiação, cf. os comentários em 8:19.)
Hoje em dia, os judeus ainda observam o Yom Kippur, ou Dia da Expiação, uma festa que, para os cristãos, prefigura a realidade de Cristo, aquele que fez expiação pelos pecados do mundo inteiro de uma vez por todas (Hb 9:24-28). 29:12-40 A Festa dos Tabernáculos. Cinco dias depois do lamento do Dia da Expiação, os israelitas se regozijavam na Festa dos Tabernáculos ou Festa das Cabanas, que, como a Festa das Semanas, era comemorada ao longo de oito dias. Os “tabernáculos” ou “cabanas” eram abrigos temporários feitos de ramos com folhas entretecidas, conforme descrito nas instruções em Neemias: “Saí ao monte e trazei ramos de oliveiras, ramos de zambujeiros, ramos de murtas, ramos de palmeiras e ramos de árvores frondosas, para fazer cabanas” (Ne 8:15). Essas cabanas lembravam os israelitas de suas habitações temporárias durante o período em que vagaram pelo deserto, antes de se assentarem em casas na terra prometida (Lv 23:42-43).
O primeiro e o oitavo dias da festa eram marcados por descanso de toda obra servil e comparecimento à santa convocação (29:12,35). As leis acerca da observância dessa comemoração em Levítico 23:33-43 são expandidas aqui a fim de incluir instruções detalhadas acerca dos sacrifícios a serem oferecidos a cada dia da festa (29:13-38). 0 número de animais oferecidos é decrescente, como se pode observar no quadro a seguir.
O elemento da repetição nesses sacrifícios tem um propósito. Deus estava ensinando seu povo a observar cuidadosamente o modo de servir-lhe e ter fé para compreender que o comportamento em cada dia é igualmente importante. A repetição também indica que os sacrifícios oferecidos com um coração alegre, grato e puro, agradam a Deus e não são cansativos para ele. Deus não faz objeção a repetições. O que ele abomina é o culto prestado da boca para fora e as festas celebradas sem nenhum desejo verdadeiro de adorá-lo (cf. Os 6:6; Am 5:21-24). Para Deus, o mais importante não é o tipo do sacrifício oferecido, mas, sim, a sinceridade com que ele é apresentado e como a vida do ofertante honra ao Senhor. Esse fato é destacado repetidamente pelos profetas. Em Isaías, o Senhor diz: “Estou farto dos holocaustos [...] o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniquidade associada ao ajuntamento solene. [...] não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. [...] Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas” (Is 1:11-17).
A alegria do povo é demonstrada na abundância de sacrifícios oferecidos nesses dias em que todos comiam e bebiam juntos diante de Deus. Essa ocasião proporcionava aos israelitas a oportunidade de ter comunhão profunda com Deus, e nada devia atrapalhar sua adoração jubilosa (Lv 23:40). Por certo, as circunstâncias nem sempre permitiríam que todos chegassem à festa com um coração alegre, mas os participantes experimentariam a alegria ao ter comunhão com Deus em oração e adoração, ouvir suas palavras e compartilhar do regozijo de seus compatriotas israelitas.
Nessas comemorações principais, esperava-se que os israelitas apresentassem não apenas as ofertas prescritas, mas também qualquer oferta que tivessem feito votos de entregar ao Senhor, bem como as ofertas voluntárias como expressão da gratidão individual a ele (29:39).
Uma santa convocação também era realizada no oitavo dia. Foi nesse grande dia da Festa dos Tabernáculos que Jesus se levantou e exclamou: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” (Jo 7:37-38).

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