2016/11/24

Romanos 11 — Comentário Evangélico

Romanos 11 — Comentário Evangélico

Romanos 11 — Comentário Evangélico




 


Romanos 11 

Esse capítulo discute o futuro de Is­rael e responde à pergunta: “Deus pôs seu povo de lado em caráter permanente, ou há esperança para Israel?”. Paulo responde que Israel tem um futuro e apresenta diversas provas disso.

I.    A prova pessoal (11:1)
Paulo afirma: “Eu também sou israe­lita [minha conversão prova que Deus não desistiu de Israel]”. Em 1 Timóteo 1:16, ele afirma que sua conversão (contada três vezes em Atos) deve ser um padrão para os ou­tros crentes judeus. Com certeza, ela não é um padrão de conversão para o gentio hoje, pois nenhum pecador perdido pode ver o Cristo glorifica- do, ouvir a voz dele e ficar cego por três dias! Todavia, a experiência dele é um retrato de como o povo de Is­rael se converterá na vinda de Cristo em glória. Eles, como Paulo, estarão em rebeldia e em descrença. Eles ve­rão Aquele a quem traspassaram (Zc 12:10 e Ap 1:7) e se arrependerão, e serão salvos. Em 1 Coríntios 15:8, Paulo diz que “nasceu fora de tem­po”, isto é, ele, como judeu, viu Cris­to e foi salvo muito antes de seu povo ter a mesma experiência.

II.     A prova histórica (11:2-10)
Paulo volta até 1 Reis a fim de mos­trar que Deus, mesmo nos períodos de maior descrença, sempre teve um remanescente fiel. Na verdade, ao ler a história do Antigo Testa­mento, não podemos deixar de ficar impressionados com o fato de que Deus sempre usou e abençoou esse remanescente. Como exemplo dis­so, veja Isaías 1:9. Um ensino bási­co da Palavra é que o Senhor tem de pegar o remanescente e começar de novo, porque a maioria fracassa em ter fé e não pode ser reformada. O versículo 5 afirma que o Senhor tem um remanescente segundo a graça, isto é, no corpo, o qual é a igreja. Há judeus no corpo, embora não muitos, visto que, é claro, todos os privilégios e todas as distinções na­cionais foram removidos em Cristo. Imagine quanto mais o Senhor fará na era vindoura quando Israel voltar à cena, já que salva judeus mesmo durante esta era da igreja em que a nação está cega. A história teste­munha que Deus nunca abandonou seu povo.
Lembremo-nos de que Deus não lida com a nação de Israel como tal nesta era da igreja. Efésios 2:14-17 e Gálatas 3:28 afir­mam que somos um em Cristo. Ne­nhum grupo judeu pode afirmar ser o remanescente eleito de Deus. Os versículos 8-10 mostram que Isaí­as 29:10 e Deuteronômio 29:4 pro­fetizaram essa “cegueira” de Israel como nação. (Compare com Ma­teus 13:14-15 e com Isaías 6:9-10.)
Nos versículos 9-10, ele refere-se a Salmos 69:22, em que o Senhor prometeu transformar as bênçãos de Israel em maldição, porque esse povo recusou sua Palavra.

III.     A prova dispensacional (11:11 -24)
Nesses versículos, Paulo discute ju­deus e gentios, não pecadores, ou santos individuais. Nessa seção, ele prova que Deus tinha um propósi­to dispensacional por trás da queda de Israel, a saber, a salvação dos gentios. O Senhor, com a queda de Israel, pôde incluir todos os povos na desobediência e, assim, ter mi­sericórdia de todos! Os gentios não precisam se tornar judeus para se tornarem cristãos.
Paulo comenta que, se a que­da de Israel já trouxe tantas bên­çãos para o mundo, haverá bênçãos muito maiores quando essa nação for restaurada (v. 15). Em outras pa­lavras, Paulo tinha certeza de que havia um futuro para Israel como nação. O ensino de que a igreja de hoje é o Israel de Deus e a promessa do reino do Antigo Testamento em “sentido espiritual” não é bíblico. Paulo aguarda o dia em que Israel, como nação, será recebido na ple­nitude das bênçãos.
Devemos examinar com aten­ção a parábola da oliveira. Paulo fala da posição dos judeus e dos gentios, como povo, no projeto de Deus, e não da salvação individu­al de cristãos. Israel é a oliveira que não frutificou para o Senhor. Por isso, o Senhor cortou alguns ramos e enxertou-os na árvore dos gentios, a “oliveira brava”. A prática de en­xertar um ramo bom em um tronco mais fraco é “contra a natureza” (v.24) , todavia o Senhor enxertou os fracos gentios no tronco bom dos privilégios religiosos de Israel! Esse ato mostra a bondade de Deus em salvar os gentios e sua severidade em cortar Israel, a nação rebelde. Mas o Senhor pode cortar também os gentios se ousarem se vangloriar, porque, agora, ocupam o lugar de privilégio espiritual de Israel! O que, no fim desta era, ele fará quando as nações gentias se juntarem em uma coalizão mundial que rejeitará a Pa­lavra e o Filho de Deus. A seguir, ele chamará a igreja verdadeira, julgará as nações gentias, purgará Israel e estabelecerá seu reino prometido para Israel.
Quero lembrá-lo, mais uma vez, que o tema do capítulo 11 é nacional, não individual. Deus nun­ca “cortará” os verdadeiros cristãos da salvação, pois não há separação entre Cristo e seu povo (Rm 8:35-39.  Hoje, a igreja é constituída principalmente de gentios, e nós, os gentios, nos beneficiamos da heran­ça espiritual de Israel (a rica seiva da oliveira). No sentido espiritual, somos filhos de Abraão, o “pai” de todos os crentes (Gl 3:26-29).

IV.    A prova escriturística (11:25-36)
Nesses três capítulos, Paulo usou bastante o Antigo Testamento; no entanto, nessa seção, ele volta-se para Isaías 59:20-21 e 27:9, e tam­bém para Salmos 14:7, a fim de sa­lientar a promessa do Antigo Testa­mento da vinda do Libertador que purificará e purgará Israel. Ele rea­firma o mistério da “cegueira” de Israel, cuja verdade é revelada em sua plenitude no Novo Testamento, apesar de ter permanecido escon­dida em eras passadas. No versí­culo 25, “a plenitude dos gentios” refere-se ao número de gentios que serão salvos nessa era da igreja. O corpo de Cristo será arrebatado ao ar quando estiver completo, e, aqui na terra, terá início o período de sete anos da tribulação, o “tempo de angústia para Jacó” (Jr 30:7). No final desse período, o Libertador virá, e o remanescente crente en­trará em seu reino. “Todo o Israel” quer dizer que, nesse dia, a nação será salva, não cada judeu, e será uma nação redimida e regenerada.
O versículo 27 cita a promessa de Deus da aliança (Jr 31:31 -34). Essa “nova aliança” se aplicará a Isra­el, quando a nação crer em Cris­to como seu Redentor e se afastar de seus pecados. Deus ainda vê os judeus como seus amados, apesar de hoje eles parecerem inimigos da vontade dele, por causa da aliança que ele fez com os pais da nação. Os homens podem mudar, mas Deus não muda nem cancela suas promessas (v. 29).
No parágrafo final, Paulo expli­ca que, agora, os gentios são salvos pela fé, embora tenham, um dia, re­jeitado Deus (Rm 1:18ss); portanto, hoje, os judeus estão em descrença, mas, um dia, receberão misericór­dia. O Senhor encerrou os judeus e os gentios na desobediência e no pecado a fim de poder salvá-los pela graça (v. 32). Não é de admirar que Paulo entoe um hino de louvor ao Senhor depois de rever a graça e a sabedo­ria do plano de Deus para os judeus e os gentios (vv. 33-36)!

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