2016/11/29

Romanos 4 — Comentário Evangélico

Romanos 4 — Comentário Evangélico

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Romanos 4

Tente dominar a fundo esse capítulo de todas as formas! Ele explica como Deus, por intermédio da morte e da ressurreição de Cristo, justifica (de­clara justa) a pessoa descrente. “Sal­vação” é um termo abrangente e in­clui tudo o que Deus faz para quem crê em Cristo; “justificação” é um termo legal que descreve nossa posi­ção perfeita diante do Senhor na jus­tiça de Cristo. Nesse capítulo, Paulo usa o exemplo de Abraão para ilus­trar três fatos importantes a respeito da justificação pela fé.
I.    A justificação acontece pela fé, não pelas obras (4:1 -8)
Todo judeu reverenciava o “pai Abraão” e sabia, por intermédio de Gênesis 15:6, que fora justificado diante de Deus. Eles referiam-se ao céu como “seio de Abraão”, tal a certeza que tinham de que Deus aceitara Abraão. Paulo, como sabia disso, aponta para Abraão e pergun­ta: “Que diremos, pois, ter alcança­do [justificado] Abraão, nosso pai segundo a carne?”. Isso aconteceu pelas obras? Não, pois nesse caso ele seria glorificado por sua realização, e o Antigo Testamento não registra nenhum feito desse tipo. O que as Escrituras dizem? “Creu Abraão em Deus!” (Veja Gn 15:1-6.) A dádiva da justiça vem pela fé na Palavra re­velada de Deus, não pelas obras.
Observe que Paulo, em seu argumento, usou as palavras “im­putado” e “levado em conta” (vv. 3-6,8-11,22-24). Essas palavras têm o mesmo significado: pôr na conta da pessoa. A justificação significa imputar (pôr na nossa conta) jus­tiça, e isso nos dá a posição certa diante de Deus. A santificação é a justiça concedida (que passa a fazer parte de nossa vida) e dá-nos a po­sição certa diante dos homens a fim de que creiam que somos cristãos. Como Tiago 2:14-26 argumenta, a justificação e a santificação fazem parte da salvação. Como posso di­zer que tenho fé em Deus, se minha vida não espelha isso?
A salvação é ou uma recompen­sa pelas obras ou uma dádiva que recebemos pela graça; não pode ser as duas coisas. O versículo 5 afirma que Deus justifica o ímpio (não o justo) pela fé, não pelas obras. Paulo provou que o “pai Abraão” foi salvo apenas pela fé, embora os judeus pensassem que Deus justificava as pessoas por suas obras. A seguir, Paulo menciona Davi e prova que o grande rei de Israel ensinava a justi­ficação pela fé, independentemente das obras, ao citar Salmos 32:1-2. Deus não imputou o pecado em nossa conta, mas o transferiu para a conta de Cristo (2 Co 5:21; e veja Fm 18). Antes, o Senhor, apenas pela graça, imputa-nos a justiça de Cristo! Nossa salvação é magnífica!

II.    A justificação acontece pela graça, não pela Lei (4:9-17)
Agora, levanta-se a importante ques­tão: “O que dizer a respeito da Lei, se a salvação é pela fé? E a aliança que Deus fez com Abraão?”. Paulo responde a essas perguntas ao men­cionar que Abraão foi salvo quator­ze anos antes de ser circuncidado! A circuncisão selava a aliança, era o rito que incluía a criança judia no sistema da Lei. Na verdade, Abraão, o “pai” dos judeus”, era um gentio (incircunciso) quando foi salvo! A circuncisão, como o batismo hoje, era apenas a exteriorização de um relacionamento espiritual. Nenhum cerimonial físico causa mudanças espirituais, embora os judeus da época de Paulo (como muitas pesso­as “religiosas” de hoje) cressem nas cerimônias — os sinais exteriores — e ignorassem a fé salvadora que se exigia deles. Na verdade, Abraão é o “pai” de todos os crentes, de todos os que pertencem à “família da fé” (veja Gl 3:7,29). Como Paulo men­cionou em Romanos 2:27-29, nem todos os “judeus” são verdadeira­mente o “Israel de Deus”.
Nos versículos 13-17, Paulo con­trasta a Lei e a graça da mesma for­ma como fez com a fé e as obras, nos versículos 1-8. Aqui, a palavra- chave é “promessa” (vv. 13,14,16). Deus, apenas por sua graça, pro­meteu que Abraão seria o “herdeiro do mundo” (v. 13 — essa promessa aponta para o glorioso reino gover­nado pela Semente prometida, Cris­to); e não havia qualquer conexão com a Lei ou com a circuncisão nessa promessa. Abraão tinha ape­nas de crer no Senhor! A Lei ape­nas traz ira e revela o pecado; ela não foi dada para salvar ninguém. A Lei cancela totalmente a graça, as­sim como as obras cancelam a fé, e as duas coisas não existem juntas (vv. 14-15). Como Abraão poderia ser salvo pela Lei, se esta ainda não fora dada? No versículo 16, Paulo conclui que a justificação vem pela graça, por intermédio da fé, e, por isso, todas as pessoas — judeus e gentios — podem ser salvas! Abraão é o “pai de todos nós”, todos os que seguem seus passos de fé, e não apenas dos judeus. (Leia Gl 3.)

III. A justificação acontece pelo poder da ressurreição, não pelo esforço humano (4:18-25)
A primeira seção (vv. 1 -8) contrastou a fé e as obras; a segunda (vv. 9-17), a Lei e a graça; essa terceira seção (vv. 18-25) contrasta a vida e a mor­te. No versículo 17, observe que Paulo identifica Deus como aquele que “vivifica os mortos”. Abraão e Sara estavam “amortecido[s]”, o cor­po deles já tinha passado da idade de poder ter filhos (veja Hb 11:11- 12). Como duas pessoas, com 90 e 100 anos, podiam ter esperança de ter um filho? Porque o poder de ressurreição do Espírito entra em ação quando a carne está morta!
Temos de admirar a fé de Abraão. Embora tudo o que Abraão tivesse fosse a promessa de Deus de que seria pai de muitas nações, ele creu nessa promessa, deu glória a Deus e recebeu a bênção. Esse é um retrato perfeito do milagre da salvação. As pessoas nunca serão justificadas enquanto dependerem da carne e ainda acharem que po­dem agradar a Deus. O Senhor “res­suscita-nos da morte”, dá-nos nova vida e uma posição perfeita diante dele quando aniquilamos com nós mesmos, admitimos que estamos mortos e deixamos de lutar por con­ta própria. Abraão foi justificado apenas pela fé na Palavra de Deus, da mesma forma que também o são os pecadores hoje.
Talvez isso tenha acontecido com Abraão porque ele era alguém im­portante. O versículo 24 afirma que não, que Deus declarou isso em sua Palavra por nossa causa, não por causa de Abraão. Nós somos salvos da mesma forma que ele foi: pela fé. Observe como o relato de Romanos dá importância ao verbo “crer”: 1:16; 3:22,26; 4:3,24; 5:1; 10:4,9-10; etc. O mesmo poder de ressurreição en­tra na vida do pecador, e este trans­forma-se em cristão e, como Abraão, em filho de Deus, quando crê na promessa do Senhor apresentada na Palavra. Temos de confessar que es­tamos mortos e crer que Cristo está vivo e nos salvará.
O versículo 25 explica o fun­damento da justificação: a morte e a ressurreição de Cristo. No capí­tulo 5, Paulo abordará em detalhes esse assunto. O versículo afirma: “(Jesus Cristo] por nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nos­sa justificação”. A morte dele prova que somos pecadores. Sua ressur­reição prova nossa justificação por meio de seu sangue. Mais uma evi­dência de que a justificação diz res­peito ao poder da ressurreição, não ao débil esforço humano.

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