2016/11/30

Romanos 1 — Comentário Evangélico

Romanos 1 — Comentário Evangélico

Romanos 1 — Comentário Evangélico




Romanos 1  

I.    Saudação (1:1-17)
As treze cartas de Paulo iniciam-se com o nome do apóstolo. Na épo­ca, costumava-se abrir a carta com o nome do remetente e sua apre­sentação pessoal, em vez de pô-los no fim, como fazemos hoje. Paulo identifica-se como servo e apóstolo e dá toda glória a Deus ao dizer que foi chamado pela graça de Deus (v. 5)e separado para esse ministério maravilhoso (veja Act 13:1-3).
De imediato, ele afirma que seu ministério é do evangelho, que ele chama “evangelho de Deus” (v. 9), o “evangelho de seu Filho” (v. 9) e o “evangelho de Cristo” (v. 16, ARC). Ele afirma que essas “coisas boas” não são algo novo que ele inventou, mas o cumprimento da promessa do Antigo Testamento da vinda, morte e ressurreição de Cristo. (Veja 1 Co 15:1-4, em que “as Escrituras” obviamente refere- se aos escritos do Antigo Testa­mento, já que o Novo Testamento estava sendo escrito nessa época.) Paulo desperta o interesse dos crentes judeus que lêem sua carta ao relacionar o evangelho com o Antigo Testamento.
O evangelho diz respeito a Cristo: um judeu, segundo a carne (v. 3), mas prova ser o verdadeiro Filho de Deus, segundo o poder do Senhor por intermédio da ressurrei­ção (v. 4). Isso prova a humanidade e a divindade do Deus-Homem, o único que pode ser nosso Mediador. Qual o propósito desse evangelho que custa a vida de Cristo? O versí­culo 5, ao declarar que o objetivo é fazer com que todas as nações obe­deçam pela fé, responde a essa per­gunta. A pessoa que realmente crê em Cristo obedece a ele.
Nos versículos 6-7, Paulo des­creve seus leitores, os santos de Roma. Eles também são “chama­dos” por Cristo para ser santos, não apóstolos. Observe que santo é o crente que está vivo em Jesus Cristo. Apenas Deus pode trans­formar um pecador em santo! Em­bora vivam na perversa cidade de Roma, eles também são os “ama­dos de Deus”! É maravilhoso que Deus nos chame da mesma forma como chamou seu Filho (Mt 3:1 7): “amados”. Jesus afirma que o Pai nos ama da mesma forma que ama a ele (Jo 17:23)!
Nessa breve saudação, Paulo identifica: (1) o escritor, ele mes­mo; (2) os destinatários, os santos de Roma (não os descrentes); (3) o tema, Cristo e o evangelho da salvação.
II.    Explicação (1:8-17)
Paulo dá uma dupla explicação: (1) por que escreve a carta (vv. 8-15); e (2) sobre o que escreve (vv. 16-17).
Paulo desejava visitar os san­tos de Roma havia muito tempo. O testemunho deles espalhara-se pelo Império Romano (v. 8; e veja 1 Ts 1:5-10). Paulo tinha três motivos para estar ansioso por visitá-los: (1) ajudar a confirmá-los na fé (v. 11); (2) eles seriam uma bênção para ele (v. 12); e (3) para conseguir “algum fru­to” entre eles, isto é, ganhar outros gentios para o Senhor (v. 13). Não esqueça que ele, como mensageiro escolhido de Deus para os gentios, era responsável pelos santos (e pe­cadores) da capital do império! Ele explica que foi “impedido” (v. 13) de visitá-los até aquele momento por causa das muitas oportunidades de ministrar em outros lugares (Rm 15:19-23), não por causa de Satanás (veja 1 Ts 2:18). Agora, ele pode vi­sitar Roma, pois acabou o trabalho nas outras regiões. Observe as for­ças motrizes da vida de Paulo (vv. 14-16): “Sou devedor [...]. Estou pronto [...]. Não me envergonho”. Faríamos bem em imitar o exemplo do apóstolo em nossa vida.
Os versículos 16-17 apresen­tam o tema da carta: o evangelho de Cristo revela a justiça de Deus, justi­ça essa fundamentada na fé, não nas obras, e disponível para todos, não apenas para os judeus. Em Roma­nos, Paulo explica como Deus pode ser ambos: o “justo e o justificador”, isto é, como ele torna os pecadores justos e, ainda assim, confirma sua santa Lei. Ele cita Habacuque2:4 (veja as notas introdutórias): “O jus­to viverá por fé”.
III.     Condenação (1:18-32)
Iniciamos agora a primeira seção da carta que discute o pecado (1:18- 3:20 — veja o esboço). Nesses ver­sículos finais do capítulo 1, Paulo explica como os gentios entraram nessa horrível escuridão que os sub­juga e como se revela a ira de Deus contra eles. Repare nos passos des­cendentes da história dos gentios:
A.    Eles conheciam Deus (vv. 18-20)
Deus deu-lhes duas revelações de si mesmo: “neles” (consciência) e “en­tre eles” (criação) (v. 19). O homem não começou ignorante e, aos pou­cos, adquiriu conhecimento; não, desde o início, ele teve a revelação fulgurante do poder e da sabedoria de Deus, mas deu as costas a isso. Mesmo as pessoas que nunca ouvi­ram o evangelho não têm desculpas, pois Deus revelou-se desde o início da criação. (O capítulo 2 mostra como Deus julga essas pessoas.)
B.     Eles não o glorificam como Deus (vv. 21-23)
Os homens passaram da verdade para a mentira por causa dos pensarnentos vãos e do raciocínio tolo. A indiferença leva à ingratidão, o que resulta em ignorância. Hoje, as pessoas curvam-se diante das pala­vras dos filósofos gregos e romanos e honram as palavras destes mais que a Palavra de Deus; Paulo, po­rém, chama todas essas filosofias de “imaginação” vazia e de “tempos de ignorância” (At 17:30)! O próxi­mo passo é a idolatria, em que se honra a criatura (até o homem), em vez de o Criador.
C.    Eles mudam a verdade de Deus (vv. 24-25)
Na verdade, a palavra “mudam” de­veria ser traduzida por “trocam”. As pessoas substituíam a verdade de Deus pela mentira de Satanás! O que é a mentira de Satanás? É a ado­ração da criatura, em vez do Cria­dor; do homem, em vez de Deus; das coisas, em vez de Cristo. Sata­nás tentou Cristo para que fizesse isso (Mt 4:8-11). Em Romanos 1:18, os gentios “detêm a verdade” e, agora, eles “mudam a verdade” em mentira! A crença e a obediência verdadeiras libertam Oo 8:31-32); a rejeição da verdade e a desobediên­cia a ela escravizam.
D.    Eles rejeitam o conhecimento de Deus (vv. 26-32)
No início, essas pessoas tinham o conhecimento claro de Deus (vv. 19,21) e de seu julgamento contra o pecado (v. 32); agora, porém, alcan­çam o patamar mais baixo de seu declínio: elas não querem nem mes­mo ter o conhecimento de Deus! “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus” (Sl 14:1).
Os resultados desse declínio são trágicos. Os evolucionistas que­rem que creiamos que evoluímos de animais primitivos e ignorantes às criaturas maravilhosas que so­mos hoje. Paulo diz exatamente o contrário: no início, o homem era a criatura mais elevada de Deus, toda­via ele fez de si mesmo um animal! Veja os três julgamentos de Deus:
    Deus entregou-os à imundícia e à idolatria (vv. 24-25).
    Deus entregou-os às paixões infames (vv. 26-27).
    Deus entregou-os a uma disposi­ção mental reprovável (vv. 28ss).
Deus desistiu deles! Essa é a revelação da ira do Senhor (v. 18). Embora ainda hoje os pecados enumerados aqui sejam praticados com a aprovação da sociedade, eles são muito vis para ser discuti­dos ou definidos. De todo jeito, as pessoas sentem prazer com esses pecados, embora saibam que se­rão julgadas. Nós mesmos estaría­mos nessa escravidão do pecado se não fosse pelo evangelho de Cristo. “Graças a Deus pelo seu dom ine­fável” (2 Co 9:15)!


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