2016/11/30

Romanos 2 — Comentário Evangélico

Romanos 2 — Comentário Evangélico

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Romanos 2 

De Rm 2:1-3:8, Paulo volta o holofote para o seu povo, os judeus, e mos­tra que eles também são pecadores diante de Deus. Em 1:20, ele afirma que os gentios não têm desculpa e, em 2:1, que os judeus também são indesculpáveis. Essa notícia cai como um raio sobre os privilegiados judeus! Eles pensavam que, com cer­teza, Deus lidaria com eles de forma distinta da que usaria com os gentios! Paulo afirma que não. Os princípios de julgamento de Deus são justos, por isso os judeus estavam sob a con­denação e a ira do Senhor. Nesse ca­pítulo, ele menciona três princípios divinos de julgamento que provam que tanto os judeus como os gentios estão condenados.
I.  O julgamento segundo a verdade de Deus (2:1-5)
No capítulo 1, talvez o judeu, à me­dida que lia a acusação de Paulo ao “pagão”, sorrisse e pensasse: “Isso se encaixa muito bem a eles!”. A atitude deles deve ter sido igual à do fariseu de Lucas 18:9-14: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens”. Contudo, Paulo joga sobre eles exatamente o julga­mento que faziam dos gentios: “És indesculpável [...] pois praticas as próprias coisas que condenas”. O julgamento de Deus não é segundo os rumores, as fofocas, o bom con­ceito que temos de nós mesmos ou a avaliação do homem, mas “segundo a verdade” (v. 2). Algumas pessoas costumam dizer que odeiam as pró­prias faltas, principalmente quando a vêem nos outros. É muito fácil as pessoas de hoje, como as da época de Paulo, condenarem os outros pe­los mesmos pecados que cometem.
Talvez os judeus pudessem argu­mentar: “Com certeza, Deus não nos julga com a mesma verdade que apli­ca aos gentios! Veja, como Deus tem sido bom com Israel!”. No entanto, eles ignoravam o objetivo que Deus tinha em mente quando derramou sua bondade sobre Israel e esperou com tanta paciência que seu povo obedecesse: era de supor que sua bondade os levaria ao arrependimen­to. Em vez disso, eles endureceram o coração e, assim, armazenaram mais ira por parte de Deus para o dia em que Cristo julgará o perdido (Ap 20). Você certamente já ouviu o pecador perdido de hoje dizer: “Tenho certeza de que Deus não me mandará para o inferno, pois ele já fez tantas coisas boas para mim”. Esses pecadores não percebem que a bondade de Deus é a preparação para a graça dele; as­sim, endurecem o coração e come­tem mais pecados, pois pensam que o Senhor os ama tanto que não pode condená-los, em vez de se curvarem em humilde gratidão.
Ainda hoje, ouvimos estas duas mesmas “desculpas” que os judeus usaram nos dias de Paulo: (1) “Eu não preciso de Cristo porque sou melhor que os outros”; (2) “Com certeza, Deus nunca me condena­rá, pois é tão bom comigo”. Toda­via, o julgamento final de Deus será segundo a verdade, não segundo a opinião e a avaliação do homem.

II.  O julgamento segundo a obra da pessoa (2:6-16)
Os judeus não percebiam que uma coisa é ser um ouvinte da Lei e ou­tra, bem diferente, um praticante (v. 13). Por isso, pensavam que tinham a posição mais alta entre o povo do Senhor. Lembre-se que esses ver­sículos não dizem como ser salvo, mas descrevem como Deus julga a humanidade segundo as obras rea­lizadas no curso da vida. Os versí­culos 7-8 falam do propósito e dos desígnios totais da vida da pessoa, não de ações ocasionais, como William Newell define: a “escolha de vida”. As pessoas não conseguem a vida eterna por meio da busca pa­ciente por ela; porém, se procuram vida, a encontram em Cristo.
“Cada [homem]” (v. 6), “toda alma” (v. 9, ARC), “a todos” (v. 10) — essas frases mostram que Deus não poupa as pessoas, mas julga a todas segundo a vida que leva­ram. Alguém pode perguntar: “Mas Deus é justo ao julgar os homens dessa forma? Afinal, os judeus re­ceberam a Lei, e os gentios, não”.
Sim, como os versículos 12-15 ex­plicam, Deus é justo. O Senhor jul­gará as pessoas à luz do que rece­beram. Todavia, não pense que os gentios (que desconheciam Moisés) viviam à parte da lei, pois tinham a lei moral de Deus escrita no co­ração (veja 1:19). Dan Crawford, missionário veterano na África, dis­se isto quando saiu da selva: “Os pagãos pecam contra a inundação de luz”. O dr. Roy Laurin escreveu: “As Escrituras deixam evidente que os homens serão julgados de acor­do com o conhecimento de Deus que possuem, e não conforme al­gum padrão superior que não pos­suem”. Os judeus serão julgados de forma mais severa, porque ou­viram a Lei e se recusaram a obe­decer. O mesmo acontecerá com os pecadores de hoje que ouvem a Palavra de Deus, mas não prestam atenção a ela.
III.  O julgamento segundo o evan­gelho de Cristo (2:17-29)
Paulo já mencionou duas vezes o “dia de julgamento” (vv. 5,16). Ago­ra, ele afirma que esse julgamento será do coração, quando Deus reve­lará todos os segredos. Cristo será o Juiz e perguntará: “O que você fez com o evangelho de Cristo?”.
Os judeus vangloriavam-se de seus privilégios, o racial e o religio­so. Eles conheciam a vontade de Deus e tinham um senso mais apurado dos valores, porque o Senhor lhes dera sua Palavra. Eles viam os gen­tios como cegos nas trevas, néscios e crianças (vv. 19-20). Os judeus se consideravam os favoritos exclusivos do Senhor, porém não enxergavam que esses mesmos privilégios obriga­vam-nos a levar uma vida santa. Eles mesmos desobedeciam à Lei que pregavam aos gentios. Como resulta­do disso, os “gentios maus” blasfe­mavam o nome do Senhor por causa dos pecados dos judeus! Talvez Paulo refira-se às palavras de Natã a Davi, em 2 Samuel 12:14, ou a Isaías 52:5 e Ezequiel 36:21-22.
Se havia alguém que tinha “reli­gião”, eram os judeus, porém a reli­gião deles resumia-se a cerimoniais exteriores, e não à realidade interior. Eles vangloriavam-se de seu rito de circuncisão que os identificava com o Deus vivo; todavia, que benefício pode haver em um rito físico se não houver obediência à Palavra do Se­nhor? Paulo chega mesmo a ponto de dizer que o gentio incircunciso que obedecia à Palavra era melhor que o judeu circunciso que deso­bedecia a ela (v. 27); na verdade, o judeu circunciso que desobedecia à Palavra era visto como incircunciso! Pois o judeu verdadeiro não é o que segue apenas as cerimônias exterio­res na carne, mas o que tem fé in­terior, cujo coração mudou. O ver­sículo 27 afirma com clareza que o gentio cumpridor da Lei, embora in­circunciso por natureza, julgará os judeus que transgridem os padrões de Deus!
O evangelho de Cristo exige mudança interior: “Importa-vos nascer de novo” (Jo 3:7). Quan­do Cristo julgar os segredos dos homens, não será a obediência a um sistema religioso que permitirá que passemos no teste. O poder de Deus para a salvação é o evangelho de Cristo, quer para judeus quer para gentios (Rm 1:16). A pessoa que recebeu Cristo e nunca creu no evangelho permanece condena­da. Os judeus estavam (e estão) sob o pecado tanto quanto os gentios, mesmo com toda a sua religião e o seu legalismo — e a situação deles é até mais grave, pois receberam muitos privilégios e muitas oportu­nidades para conhecer a verdade.
Quantas pessoas irão para o in­ferno porque pensam que Deus as julgará de acordo com a boa opi­nião que têm de si mesmas, com a posição delas ou com a religião de­las? Deus não julga conforme esses princípios, mas segundo a verdade, segundo nossas obras e segundo o evangelho de Cristo. Assim, no ca­pítulo 1, Paulo provou que os gen­tios são indesculpáveis e, no 2, que os judeus também o são. No capí­tulo 3, ele provará que o mundo todo precisa desesperadamente da graça de Deus, pois está sob peca­do e condenação.

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