2016/11/28

Romanos 8 — Comentário Evangélico

Romanos 8 — Comentário Evangélico

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Romanos 8

Nesse capítulo, alcançamos a cul­minância da seção sobre “santifi­cação” (caps. 6—8) e encontramos as respostas para as questões levan­tadas a respeito da Lei e da carne. O Espírito Santo domina o capítulo, pois é por intermédio da habitação dele que vencemos a carne e temos uma vida cristã produtiva. Podemos resumir o capítulo em três frases: sem condenação, sem obrigação e sem separação.

1.   Sem condenação: o Espírito e a Lei (8:1-4)
Na verdade, esses versículos são a conclusão do argumento do ca­pítulo 7. Lembre-se que Paulo, no capítulo 7, não tratou da salvação, mas de como o crente pode fazer alguma coisa boa tendo uma na­tureza tão pecaminosa. Como um Deus santo pode aceitar qualquer coisa que façamos, se não temos nada de bom em nós? Ele teria de condenar todos os pensamentos e todas as obras! No entanto, “não há condenação”, já que a habi­tação do Espírito Santo cumpre a justiça da Lei em nós. A Lei não nos pode condenar porque esta­mos mortos para ela. Deus não nos pode condenar, pois o Espírito capacita o crente a “andar no Es­pírito” e, dessa forma, satisfazer as santas exigências do Senhor.
Que dia glorioso para o cren­te é aquele em que percebe que os filhos de Deus não estão sob a Lei, e que o Senhor não espera que fa­çam “coisas boas” sob o poder da velha natureza. O cristão percebe que a habitação do Espírito agrada a Deus e ajuda-o a agradá-lo quan­do compreende que já não há “ne­nhuma condenação”. Que salvação gloriosa nós temos! Em Gálatas 5:1, Paulo adverte: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão”.
11. Sem obrigação: o Espírito e a carne (8:5-17)
O crente pode ter duas “inclinações” (mentes): ele pode inclinar-se para as coisas da carne e ser um cristão car­nal (“carnal” significa “da carne”), a quem Deus tem aversão; ou inclinar- se para as coisas do Espírito e ser um cristão espiritual e desfrutar a vida e a paz que o Senhor nos oferece. Apenas o Espírito em operação em nós e por nosso intermédio agrada a Deus, jamais a carne.
O cristão não tem obrigação com a carne: “Assim, pois, irmãos, somos devedores, não à carne como se constrangidos a viver segundo a carne” (v. 12). Nossa obrigação é com o Espírito Santo. E o Espíri­to que nos condena e mostra que precisamos do Salvador. E o Espírito que nos concede a fé salvadora, que põe a nova natureza em nós e que testemunha todos os dias que somos filhos de Deus. Temos um débito enorme com o Espírito! Cristo nos amou tanto que morreu por nós; o Espírito ama-nos tanto que vive em nós. Todos os dias, ele suporta nos­sa carnalidade e nosso egoísmo e sofre com nossos pecados; todavia, ele nos ama e permanece em nós como o selo de Deus e o “penhor” (“expectativa”, 2 Co 1:22) da bên­ção que nos espera na eternidade. A pessoa em quem o Espírito não habita não é filha do Senhor.
Paulo chama o Espírito Santo de “espírito de adoção” (v. 15). O Espírito leva-nos a uma vida glorio­sa de liberdade em Cristo, enquanto o viver na carne ou sob a Lei (e pôr- se sob a Lei significa ir em direção ao viver na carne) leva à escravidão. Para o crente, liberdade nunca quer dizer autonomia para fazer o que lhe agrada, pois esse é o pior tipo de escravidão! Antes, a liberdade do cristão, no Espírito, livra-nos da Lei e da carne a fim de que possamos agradar a Deus e nos tornar o que ele quer que sejamos. No Novo Tes­tamento, o termo “adoção” não tem o mesmo sentido de hoje, ou seja, de pegar uma criança e torná-la um membro legal da família. O senti­do literal da palavra grega é “ocu­par o lugar de filho” — o que quer dizer pegar um menor (da família ou de fora dela) e torná-lo herdei­ro legítimo. Todo crente é filho de Deus por nascimento e seu herdei­ro por adoção. Na verdade, somos co-herdeiros com Cristo; portanto, ele não pode receber sua herança em glória até que estejamos lá para compartilhá-la com ele. Graças a Deus, o crente não tem obrigação de alimentar a carne, de mimá-la ou de lhe obedecer; em suma, ele não tem obrigações com a carne. Em vez disso, temos de “mortificar” as obras da carne pelo poder do Espí­rito (v. 13; veja Cl 3:9ss) e permitir que ele guie nossa vida diária.
I.        Sem separação: o Espírito e o sofrimento (8:18-39)
Os crentes, embora sofram no pre­sente, desfrutarão de glória quando Cristo retornar. Na verdade, graças ao pecado de Adão, toda a criação (vv. 19-21) está sujeita à escravidão do pecado. Cristo libertará toda a criação dessa escravidão quando, por fim, prender Satanás, e, desse modo, toda a natureza desfrutará conosco “a liberdade da glória dos filhos de Deus” (v. 21). Temos uma salvação sensacional: estamos liber­tos da pena do pecado, porque Cris­to morreu por nós (cap. 5); libertos do poder do pecado, porque morre­mos, com Cristo, para a carne (cap. 5) e para a Lei (cap. 7); e, um dia, seremos libertos da própria presen­ça do pecado, quando a natureza for libertada da escravidão.
Temos o Espírito de adoção, mas estamos “aguardando a adoção de fi­lhos, [isto é,] a redenção do nosso cor­po” (v. 23). A alma foi redimida, mas não o corpo. Entretanto, aguardamos, em esperança, pois Deus deu-nos a habitação do Espírito em nós como “primícias” do que nos espera no fu­turo. O Espírito, que nos sela até o dia da redenção (Ef 1:13-14), vivificará nosso corpo se morrermos (v. 11).
Nos versículos 22-26, repare os três “gemidos”: (1) toda a criação geme (v. 22); (2) o crente geme à espe­ra da vinda de Cristo (v. 23); e (3) o Es­pírito que habita em nós geme em intercessão por nós (v. 26). Em João 11, observe como Jesus “agit[ou]-se no­vamente em si mesmo” ao visitar o túmulo de Lázaro. Como o coração do Senhor está pesado por causa da escravidão da criação. Cristo pagou um preço alto para libertar-nos.
Raulo salienta que temos o privi­légio de orar no Espírito enquanto, em esperança, passamos por esse sofri­mento. Talvez muita de nossa oração seja da carne — orações longas, belas e “piedosas” que glorificam o homem e repugnam a Deus (Is 1:11-18). Raulo sugere que talvez a oração mais es­piritual seja um gemido inexprimível do coração! A Bíblia na Linguagem de Hoje traduziu o versículo 26 des­ta forma: “Gemidos que não podem ser explicados por palavras”. O Espí­rito intercede por nós, o Pai examina nosso coração e sabe o que o Espírito quer e nos concede isso. O Espírito sempre ora de acordo com a vontade do Senhor. Qual é a vontade de Deus? Que o crente se conforme à imagem de Cristo (v. 29). Por isso, podemos rei­vindicar a promessa do versículo 28. No versículo 30, observe que todos os verbos estão no pretérito: o Senhor chamou os crentes, justificou-os e glorificou-os. Por que padecer neste mundo se já fomos glorificados? Nós aguardamos a revelação dessa glória no retorno de Cristo.
Paulo encerra o capítulo com cinco perguntas (vv. 32-35) e res­ponde a elas com clareza. Não pre­cisamos nos atormentar a respeito da vontade do Senhor, pois ele é por nós, não contra nós. A prova disso é que deu o que tinha de melhor na cruz. Em vista disso, certamente ele nos dará graciosamente tudo o que precisarmos. Alguém pode acusar- nos de pecado? Não! Fomos justifi­cados, e essa posição diante de Deus não muda. Alguém pode condenar- nos? Não! Cristo morreu por nós e, agora, vive à direita do Pai como nos­so Advogado (intercessor). Alguma coisa pode nos separar do amor do Senhor? Não! Nem mesmo o demô­nio (“nem os principados [...] nem os poderes celestiais” — v. 38).
Sem condenação — sem obri­gação — sem separação! “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.”

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