domingo, 13 de fevereiro de 2011

HEBREUS, CARTA, ESTUDO BIBLICO, TEOLOGIA
É por isso que o apóstolo continua: nestes últimos dias, nos falou pelo Filho. Não é uma continuação óbvia, em linha reta, da forma anterior de revelação divina, mas algo inteiramente novo. O inimaginável, que ultrapassa todas as possibilidades e as limitações do nosso pensamento, veio a ser realidade. Aquilo que os anjos anunciaram aos pastores do campo em Belém: “hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador” [Lc 2.11], aquilo que o apóstolo João testemunha: “A Palavra tornou-se carne” (Jo 1.14 [NVI]), isso o apóstolo resume aqui na frase: Deus falou pelo Filho. Em Jesus Cristo a revelação de Deus tornou-se perfeita. Nele Deus vem pessoalmente a nós. Em Cristo reside a plenitude de Deus. “Deus estava em Cristo” (2Co 5.19). Não é possível que Deus chegue mais perto de nós seres humanos do que chegou na pessoa de Jesus. “Essa é a forma mais sublime e perfeita de como Deus pode falar conosco”. A vinda do Filho de Deus ao nosso mundo, sua vida, seu falar e agir, seu sofrimento e morte constituem o presente incomparável de Deus à humanidade pecadora, que vive na rebelião contra Deus. Jesus Cristo é o “dom inefável” (2Co 9.15). Ele, porém, não é apenas a revelação perfeita, mas ao mesmo tempo a última revelação de Deus. Além do envio de seu Filho Deus não faz mais nada pela salvação das pessoas. Cristo morreu de uma vez para sempre pelos pecados do mundo inteiro.

Quem não aceita pessoalmente pela fé o seu sacrifício está perdido. Quando Cristo voltar, não virá para morrer mais uma vez em favor de pecadores (Hb 9.28). Em decorrência, Jesus Cristo também é a revelação decisiva de Deus: Ele é o centro da história universal e salvadora de Deus. Com a sua vinda começou a virada das eras. O “tempo final” teve início. Deus falou a nós pelo Filho nestes últimos dias (“no fim desses dias”). Os homens de Deus da antiga aliança ansiaram pela vinda do tempo final, quando falavam do “fim dos dias”. Essa época profetizada no AT é o tempo do Messias e, ao mesmo tempo, a época em que vivem os destinatários de Hb. Por isso o apóstolo diz: “nestes últimos dias, nos falou”. No mesmo sentido também o apóstolo João escreve: “Filhinhos, já é a última hora” (1Jo 2.18). Num determinado sentido, o agir salutar de Deus chegou a um encerramento: o acesso ao coração de Deus está aberto para todos, o caminho para a salvação eterna está claramente testemunhado para todas as pessoas na palavra de Deus e não há mais necessidade de outra revelação de Deus. Agora é o tempo da salvação, no qual Cristo reúne sua igreja por meio de seu Espírito Santo e a aperfeiçoará para a glória eterna sob a crescente pressão dos poderes anticristãos. Depois ele retornará para buscar sua igreja e realizar o julgamento sobre as nações.

Durante sua atuação na terra, o próprio Jesus tinha a consciência de que com ele, na sua pessoa, a revelação conclusiva de Deus tinha vindo ao mundo. Na parábola da vinha, em que Deus é retratado como o dono da vinha, Jesus diz: “Restava-lhe ainda um, seu filho amado; a este lhes enviou, por fim” (Mc 12.6). Com essas palavras Jesus expressou claramente que extrema seriedade pairava sobre seu envio da parte de Deus, o Pai. Esse Filho único é ao mesmo tempo o herdeiro. Na parábola lemos adiante: “Mas os tais lavradores disseram entre si: Este é o herdeiro; ora, vamos, matemo -lo, e a herança será nossa” (Mc 12.7; par Mt 21.38). O único Filho é o herdeiro – isso é confirmado por Hb 1.2: a quem constituiu herdeiro de todas as coisas. Jesus Cristo, o Filho de Deus, que traz a última palavra de revelação de Deus, é o herdeiro, a ele pertence toda a glória do Pai. Por isso ele podia dizer a seus discípulos: “Tudo me foi entregue por meu Pai” (Mt 11.27). A palavra profética de Davi: “eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão” (Sl 2.8) cumpriu-se na pessoa de Jesus. Hoje mesmo ela é uma realidade oculta na comunidade. Quando Jesus Cristo retornar, o cumprimento definitivo dessa palavra do salmo realizar-se-á visivelmente perante os olhos de todas as pessoas.

Pelo qual também fez o universo (“foi por meio dele que Deus criou o Universo” [BLH]). Jesus Cristo é mediador da criação do mesmo modo como ele é herdeiro do universo. De suas mãos surgiram o mundo visível e o invisível. Ele encontra-se no começo e no fim da criação: “sou o primeiro e também o último” (Is 48.12; Ap 1.17). Assim como foi no começo, assim também será novamente no final, quando todo o mundo estará prostrado aos pés de Jesus. Essa revelação, de que Jesus Cristo é o mediador da criação, não procede da boca do próprio Jesus, mas constitui uma revelação de Deus por intermédio do Espírito Santo à sua igreja. É bem verdade que Jesus disse a seus discípulos: “antes que Abraão existisse, eu sou” (Jo 8.58). E na oração sacerdotal ele falou de sua glória junto do Pai: “… que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (Jo 17.5,24). Contudo, o fato de que Deus criou o mundo por intermédio de Jesus Cristo constitui uma revelação, que os discípulos tinham capacidade de apreender somente depois de Pentecostes. Por isso Jesus lhes disse em sua bênção de despedida: “Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora; quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade” (Jo 16.12,13). Antes de todos os tempos, quando Jesus Cristo se encontrava na glória de Deus o Pai (cf. Mq 5.2), ele não estava inativo: sua incumbência era a criação do mundo (cf. Jo 1.1–5.14). Se queremos visualizar diante de nós de modo apropriado a imensurável magnitude de nosso Senhor e Salvador, temos que nos conscientizar de que Jesus Cristo é Criador do mundo, Redentor do mundo e Consumador do mundo numa só pessoa. Ele, por meio de cuja palavra onipotente o mundo passou a existir, esteve deitado no presépio como pequena criança, morreu em nosso favor na cruz e retornará com glória, a fim de consumar o plano de salvação de Deus.


Fonte: Carta aos Hebreus, Comentário Bíblico Esperança

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