2013/04/15

Filipenses 1 — Comentário Devocional

Filipenses 1 — Comentário Devocional



Filipenses 1 — Comentário Devocional


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1.1 — Esta é uma carta pessoal aos filipenses e não tinha o proposito de circular entre todas as demais igrejas, como a carta aos efésios. Paulo queria agradecer aos crentes por tê-lo ajudado quando precisou. Também desejava contar-lhes como podia estar tão cheio de alegria apesar de sua prisão e do julgamento iminente. Nessa carta tão estimulante, Paulo aconselha os filipenses a serem humildes e unidos, e os adverte contra potenciais problemas futuros. Em sua primeira viagem missionária, Paulo visitou cidades próximas ao seu ‘quartel-general’ em Antioquia da Síria. Durante a segunda e a terceira viagem, o apóstolo foi ainda mais longe. Mas, por causa das grandes distâncias entre as congregações que havia fundado, Paulo não tinha mais condições de supervisioná-las pessoalmente. Portanto, foi obrigado a escrever cartas para ensinar e encorajar os crentes. Felizmente, Paulo tinha uma equipe de voluntários (inclusive Timóteo, Marcos e Epafras) que pessoalmente, entregavam essas cartas e muitas vezes também permaneciam nas congregações por algum tempo para ensinar e encorajar os irmãos. Para mais informações sobre Paulo, veja o seu perfil em Atos. O perfil de Timóteo pode ser encontrado em 1 Timoteo.

A colônia romaria de Filipos estava localizada no Norte da Grécia (região chamada de Macedônia na época de Paulo). Filipe II, da Macedônia (pai de Alexandre, o Grande), tomou esta cidade da antiga Trácia, por volta de 357 a.C. Ele ampliou e fortaleceu a cidade e deu-lhe o seu nome. Esse pujante centro comercial estava situado no cruzamento das rotas entre a Europa e a Ásia. Por volta do ano 50 d.C.. Paulo, Silas, Timóteo e Lucas atravessaram o mar Egeu, desde a Ásia Menor, e desembarcaram em Filipos (At 16.11 -40). A igreja dessa cidade era constituída principalmente por gentios crentes (não-judeus). Como não estavam familiarizados com o AT, Paulo não faz nessa carta citações especificas extraídas de textos do AT. As igrejas cristãs primitivas eram dirigidas pelos anciãos (bispos e pastores) e pelos diáconos. As qualificações e os deveres dos anciãos estão detalhadamente descritos em 1 Timóteo 3.1-7 e Tito 1.5-9, e as qualificações e deveres dos diáconos estão registrados em 1 Timóteo 3.8 13.

1.4, 5 — Esta é a primeira das muitas vezes que Paulo usa a palavra “alegria” em sua carta. Os filipenses eram lembrados com alegria e ações de graça todas as vezes que Paulo orava. Ao ajudar Paulo, estavam também ajudando a causa de Cristo. Os filipenses estavam dispostos a serem usados por Deus para tudo aquilo de que Ele precisasse. Quando as outras pessoas pensam em você, o que será que vem a mente delas? Será que se lembram de você com alegria? Será que seus atos de bondade servem para inspirá-las e incentivá-las espiritualmente? Os filipenses haviam conhecido as Boas Novas cerca de dez anos antes da visita de Paulo e seus companheiros a Filipos (durante a segunda viagem missionária de Paulo), e ali fundaram a igreja. Quando Paulo diz que os filipenses cooperaram com as Boas Novas, estava indicando sua valiosa contribuição para a divulgação da mensagem divina. Eles haviam contribuído por ações quando Paulo esteve em Filipos e por seu suporte financeiro quando Paulo foi encarcerado. Tornamo-nos cooperadores de nossos ministros, missionários e evangelistas quando os ajudamos com orações, hospitalidade e ajuda financeira.

1.6 — O Deus que iniciou a boa obra em cada um de nos continuará a realizá-la durante toda a nossa vida e a concluirá quando o encontrarmos face a face. A obra de Deus por nós começou quando Cristo morreu em nosso lugar na cruz. Sua obra dentro de nós começou quando cremos nEle pela primeira vez. Agora, o Espírito Santo vive em nos e nos permite ficar, a cada dia, mais semelhantes a Cristo. Paulo está descrevendo o processo do crescimento e da maturidade do cristão, que se iniciou quando aceitamos a Jesus, e que continuará até a sua volta. Será que, às vezes, você pensa não estar fazendo progressos em sua vida espiritual? Quando Deus começa um projeto, Ele o conclui! Como aconteceu com os filipenses, Deus o ajudará a crescer na graça até que tenha concluído a obra em sua vida. Quando se sentir desanimado, lembre-se de que Deus não desistirá de você. Ele prometeu concluir a obra que começou. Quando se sentir incompleto ou perturbado por suas fraquezas, lembre-se da promessa e da provisão de Deus. Não deixe que sua atual situação roube a alegria de conhecer a Cristo ou que o impeça de ficar mais próximo dEle.

1.7,8 — Ao dizer “minhas algemas” ou “minhas prisões’, Paulo estava provavelmente se referindo a sua prisão em Filipos (ver At 16.22-36). Nos vv. 13 e 14, Paulo fala sobre sua prisão em Roma. Em qualquer lugar onde estivesse, mesmo na prisão, o apóstolo pregava fielmente as Boas Novas. Lembre-se do exemplo inspirador de Paulo quando obstáculos, pequenos ou grandes, quiserem impedir-lhe de fazer a obra de Deus. Você alguma vez já sentiu o desejo de rever uma pessoa amiga da qual guarda carinhosas lembranças? Paulo sentiu vontade de rever seus amigos cristãos de Filipos. Seu amor e afeto por eles estavam baseados não só nas experiências do passado, mas também na unidade que os crentes alcançam pelo amor a Cristo. Todos os cristãos são parte da família de Deus e, portanto, participam igualmente do poder transformador de seu amor. Você também é capaz de sentir um profundo amor tanto por seus irmãos na fé como por amigos e estranhos? Deixe o amor de Cristo inspirá-lo a amar os outros cristãos e a expressar esse amor por meio das atitudes que toma em relação a eles.

1.9 — Muitas vezes, a melhor maneira de influenciar uma pessoa é orar por ela. A oração de Paulo pelos filipenses era que permanecessem unidos pelo amor. Esse amor resultava de uma visão mais profunda e de um maior conhecimento de Cristo (discernimento moral). Ele não estava baseado em sentimentos, mas naquilo que Cristo havia feito por eles. À medida que você cresce no amor de Cristo, seu coração e sua mente também devem progredir. Será que seu amor e seu discernimento estão crescendo proporcionalmente?

1.10 — Paulo orava para que os filipenses alcançassem a capacidade de diferenciar o certo e o errado, o bem e o mal, o vital e o trivial. Devemos pedir discernimento moral a Deus a fim de conservarmos nossos valores cristãos bem como os morais. O texto em Hebreus 5.14 enfatiza a necessidade de termos esse discernimento. O “Dia de Cristo” esta se referindo ao dia em que Deus julgará o mundo por intermédio de Jesus Cristo. Devemos viver cada dia como se o Senhor fosse retornar a qualquer momento.

1.11 — O “fruto de justiça“ inclui todas as qualidades de caráter que se originam de um correto relacionamento com Deus. Não existe outro caminho para obter esse “fruto de justiça” a não ser através de Cristo. Veja Gálatas 5.22.23 para conhecer o “fruto do Espírito”.

1.12-14 — O fato de estar em uma prisão leva muitas pessoas a se entristecerem e a desistirem, mas Paulo considerava essa situação como mais uma oportunidade de divulgar as Boas Novas de Cristo. Ele entendia que a atual circunstância não era tão importante quanto tudo aquilo que poderia fazer através dela. Transformando uma situação adversa em vantagem, estendeu a mão aos soldados que formavam a guarda do palácio e encorajou os cristãos que temiam a perseguição. Podemos não estar em uma prisão, mas ainda assim muitas vezes temos motivos para nos sentir desanimados — momentos de indecisão, responsabilidades financeiras, conflitos familiares ou na igreja, ou a perda do trabalho. A maneira como agimos nessas situações refletirá a nossa fé. Procure formas, assim como Paulo, de demonstrar sua fé, mesmo nas situações mais adversas. Quer tais situações melhorem ou não, a sua fé será fortalecida.

1.13 — Como Paulo acabou sendo encarcerado em uma prisão romana? Enquanto estava visitando Jerusalém, alguns judeus pediram sua prisão por estar pregando as Boas Novas, mas Paulo apelou para que Cesar julgasse o seu caso (At 21.15—25.12). Foi então escoltado por soldados até Roma, onde ficou numa prisão domiciliar enquanto esperava o julgamento — não seria um julgamento por ter infringido qualquer lei civil, mas por estar divulgando o evangelho de Cristo. Nessa época, essa acusação não era considerada uma falta grave pelas autoridades romanas. Alguns anos mais tarde, entretanto, Roma adotaria um ponto de vista diferente sobre o cristianismo e faria todos os esforços para bani-lo. A prisão domiciliar de Paulo permita-lhe uma certa liberdade. Ele podia receber visitas, continuar a pregar e escrever cartas, como esta epístola aos filipenses. Um resumo da permanência de Paulo em Roma pode ser encontrado em Atos 28.1-31. A “guarda pretoriana” se refere à tropa de elite que se alojava no palácio do imperador.

1.14 — Quando falamos destemidamente a favor de Cristo ou permanecemos fiéis a Ele durante situações difíceis, encorajamos outros a fazerem o mesmo. Seja uma fonte de encorajamento através de sua maneira de viver.

1.15-18 — Paulo tinha uma admirável atitude de abnegação. Ele sabia que alguns estavam pregando apenas para criar sua própria reputação e que tiravam proveito de sua prisão para tentar construir a própria imagem. A despeito dos motivos desses pregadores. Paulo se regozijava ao saber que suas mensagens estavam sendo divulgadas. Alguns cristãos servem a Deus movidos por razoes erradas. Embora Paulo não fosse complacente com estes, nem Deus estivesse disposto a perdoar esses pecados voluntários, devemos nos alegrar se Deus usar sua mensagem, a despeito do propósito que os motiva.

1.19-21 — Essa não seria a última prisão de Paulo em Roma. Mas ele não sabia disso. Enquanto esperava o julgamento, sabia que poderia ser liberto ou executado. Entretanto, confiava que Cristo o libertaria. A oração de Paulo era para que, no momento do julgamento, pudesse falar corajosamente a favor de Cristo, sem timidez ou vergonha. Quer morresse ou vivesse, o que desejava era exaltar a Cristo. O apóstolo foi liberto. Depois, dois ou três anos mais tarde, foi preso novamente. Somente a fé em Cristo poderia ter sustentado Paulo em meio a tal adversidade.

1.20, 21 — Para aqueles que não creem em Deus, só resta a vida nessa terra; portanto, é natural que lutem pelos valores terrenos — dinheiro, popularidade, poder, prazeres e prestígio. Para Paulo, entretanto, viver significava desenvolver valores eternos e falar aos outros a respeito de Cristo, pois somente Ele poderia fazer com que entendessem a vida sob a perspectiva da eternidade. Todo o propósito de Paulo nesta vida era falar corajosamente a respeito de Cristo e se tornar semelhante a Ele. Assim Paulo poderia dizer consistentemente que morrer era melhor do que viver, porque a morte o livraria dos problemas terrenos e ele veria Cristo face a face (1 Jo 3.2. 3) Se você não está pronto para morrer, então não está pronto para viver. Procure ter certeza de seu destino eterno. Só assim será livre para servir — dedicando sua vida ao que realmente importa, sem medo da morte.

1.24 — Ao servir aos filipenses e aos seus semelhantes. Paulo tinha um propósito na vida. Também precisamos ter um propósito em nossa vida, que vá além de apenas atender as nossas necessidades físicas. A quem você pode servir ou ajudar? Qual e o propósito de sua vida?

1.27 — Paulo encorajava os crentes a se manterem unidos e a permanecerem firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica. Como é triste ver todo tempo e esforço que são perdidos em algumas igrejas quando as pessoas lutam umas contra as outras em vez de se unirem contra a verdadeira oposição! É preciso que a igreja tenha muita coragem para resistir às lutas internas e sustentar o propósito comum de servir a Cristo.

1.29 — Paulo considerava um privilégio sofrer por Cristo. Por causa de nossa natureza, não consideramos o sofrimento um privilégio. Mas, se representarmos fielmente Cristo em nosso sofrimento, nossa mensagem e exemplo afetarão positivamente tanto a nós como aos outros (ver At 5.41). O sofrimento traz os seguintes benefícios adicionais: (1) afasta nossos olhos dos prazeres terrenos: (2) extirpa os crentes superficiais: (3) fortalece a fé daqueles que o suportam; e (4) serve como um exemplo a ser imitado pelos outros. Quando sofremos por nossa fé, não significa que fizemos alguma coisa errada. Na verdade, o que acontece é exatamente o oposto — o sofrimento é prova de que continuamos a ser fiéis. Use o sofrimento para construir o seu caráter. Não guarde rancor nem permita que o sofrimento lhe deixe deprimido.


Outros estudo bíblicos relacionados:

Cf. Teologia da Carta aos Filipenses
Cf. Análise da Carta aos Filipenses
Cf. Esboço da Carta aos Filipenses
Cf. Introdução à Epístola aos Filipenses
Cf. Cristologia da Carta aos Filipenses

Talvez goste desses outros estudos bíblicos:

Cf. Blasfêmia Contra o Espírito Santo
Cf. Babilônia no Novo Testamento
Cf. Significado da Expressão LIVRO DA VIDA na Bíblia
Cf. Significado da Palavra ÁGUA na Bíblia
Cf. Escribas
Cf. Significado da Palavra PÃO na Bíblia
Cf. Títulos Descritivos de Deus
Cf. Significado da Palavra ALIANÇA na Bíblia




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