2015/08/27

Significado de Salmos 1

Significado do Livro de Salmos




Salmos 1

O Salmo 1, um salmo de sabedoria, apresenta vivido contraste entre o caminho do justo (v. 1-3) e o do ímpio (v. 4-6). Não e identificado o autor, nem qualquer circunstancia em que teria sido escrito o poema. Provavelmente, foi composto em um período tardio da historia de Israel. Focaliza as diferenças de caráter e os diferentes destinos reservados para justos e ímpios, serve de introdução a todo o livro de Salmos. Este salmo é como um farol que mostra o caminho do porto em meio a tempestade. Ilumina e aponta para a verdade até mesmo quando as falsidades de nossa cultura começam a nublar nosso discernimento. Afirma que só há um caminho para a verdadeira vida; ignorá-lo e aceitar a morte como um tolo (Pv 1.20-33).

1.1 — A palavra hebraica traduzida por varão significa, neste contexto, “pessoa”, sem referência a gênero. Que não anda. O paralelismo deste versículo fala de um envolvimento cada vez maior com a perversidade: andar, se deter, se assentar. Da mesma forma, os termos dos ímpios são progressivos: ímpios, pecadores e escarnecedores. As figuras deste versículo apresentam o justo ideal — alguém que está no mundo, mas não é nem um pouco afetado pelo mundo.

1.2 — Tem o seu prazer. O contraste e forte. Em vez de ter prazer em comungar-se com os perversos, a pessoa de Deus desfruta profundamente das coisas de Deus, especialmente a Palavra de Deus. A lei do Senhor se refere especificamente ao Pentateuco, os primeiros cinco livros do Antigo Testamento. A palavra hebraica para lei expressa a ideia de Deus apontando o caminho para a vida em comunhão com Ele (SI 19.7-11). Meditar significa “falar baixinho” ou “falar consigo mesmo” (Sl 4.4). Meditar, na Bíblia, significa refletir nas coisas ensinadas nas Escrituras.

MEDITAR

Verbo hebraico hagah. (Sal. 71:24; Prov. 8:7; Jer. 48:31) Jeremias compara a meditação a “gritar” ou “chorar”, e assim a palavra às vezes é traduzida como “luto” (Jr. 48:31). De maneira semelhante, o povo “chorava” pela calamidade (Isaías 16:7), expressando sons verbalmente “como uma pomba” (Is. 38:14; 59:11). Embora Isaías também fale de um leão “rugindo” (hagah) sobre sua presa, declarando posse sobre ela (Isaías 31:4). Provérbios compara “meditar” com “falar” (Prov. 8:7), “estudar” (Prov. 15:28) ou “inventar” (Prov. 24:2), mas em todos os casos é uma ação que envolve a boca ou os lábios. Os salmos, da mesma forma, transmitem um sentido de falar (Sl. 35:28; 37:30) ou se pronunciar (Sl. 71:24; 77:12).

1.3 — Como a árvore. Este símile apresenta a imagem de uma tamareira do deserto, firmemente plantada em um Oasis bem irrigado (Jr 17.8). Todas as partes da árvore são valiosas e aproveitáveis para Deus — pessoas de quem Ele se agrada (SI 33.15; 147.11). Perceba a diferença: “como uma árvore plantada;” não uma árvore selvagem, mas uma árvore plantada escolhida, considerada como propriedade, cultivada e protegida desde o último e terrível desarraigamento, pois “toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada” (Mateus 15:13). rios de água. de modo que mesmo que um rio falhe, ele tem outro. Os rios do perdão e os rios da graça, os rios da promessa e os rios da comunhão com Cristo, são fontes inesgotáveis ​​de abastecimento. Ele é “como uma árvore plantada junto aos rios de água, que dá o seu fruto a seu tempo”; não fora de época, como figos prematuros, que nunca são saborosos. Mas o homem que se deleita na Palavra de Deus, sendo ensinado por ela, produz paciência na hora do sofrimento, fé no dia da prova e santa alegria na hora da prosperidade. A fecundidade é uma qualidade essencial de um homem gracioso, e essa fecundidade deve ser oportuna. sua folha também não murchará. Sua palavra mais fraca será eterna; seus pequenos atos de amor serão lembrados. Não apenas seu fruto será preservado, mas sua folhagem também. Ele não perderá sua beleza nem sua fecundidade. tudo o que ele fizer prosperará.  não é aqui garantia de um futuro de riqueza material para o justo; significa, isso sim, que o justo sempre será útil e aproveitável para o Senhor. Bem-aventurado o homem que tem tal promessa como esta. Mas nem sempre devemos estimar o cumprimento de uma promessa por nossa própria visão. Quantas vezes, se julgarmos pelo débil senso, podemos chegar à triste conclusão de Jacó: “Todas essas coisas são contra mim!” Pois, embora conheçamos nosso interesse na promessa, ainda somos tão provados e perturbados, que essa visão vê exatamente o reverso do que essa promessa prediz. Mas aos olhos da fé esta palavra é certa, e por ela percebemos que nossas obras prosperam, mesmo quando tudo parece ir contra nós. As provações do santo são uma lavoura divina, pela qual ele cresce e produz frutos abundantes.

1.4, 5 — Como a moinha, o refugo que é soprado pelo vento depois da colheita dos grãos, o ímpio não possui estabilidade (SI 35.5; 83.13). Quando chegar o juízo, o ímpio não conseguirá mais subsistir (SI 5.5). Isto é similar a imagem do juízo final no Sermão do Monte das Oliveiras, feito por Jesus (Mt 25.31-46).

1.6 — A Bíblia fala de dois caminhos (Pv 2.8; 4.19), dos quais apenas um leva a Deus. Este é um tema bíblico constante, culminando nas celebradas palavras de Jesus, Eu sou o caminho (Jo 14.6). Neste contexto, o verbo conhecer não se refere apenas a ciência que Deus tem, mas a um conhecimento íntimo e pessoal (Sl 101.4). Deus esta envolvido intimamente com o caminho dos justos, mas não tem qualquer ligação com o caminho dos ímpios, exceto em juízo (Sl 146.9) 

Comentário de B. Deborah
(Explorer’s Bible Study: Psalms of Prayer and Praise. Dickson, 2001)

Salmo 1: Dois modos de vida contrastados

O homem “abençoado”
O Salmo 1 é uma introdução perfeita ao livro de Salmos porque seu assunto é a bem-aventurança daqueles que vivem vidas justas e o vazio e a miséria daqueles que são ímpios. Duas classes de pessoas são tratadas: os justos (piedosos) e os ímpios (maus). O salmo é um notável estudo de contrastes. Na descrição do “bem-aventurado” há uma série de negativos: Este homem não anda no conselho dos ímpios; ele não fica no caminho dos pecadores; ele não se senta na roda dos escarnecedores. É preciso mais energia para andar do que ficar de pé, e sentar implica consentimento e concordância com os escarnecedores de Deus.

Após as negativas, destacam-se as qualidades positivas da pessoa piedosa: “Seu prazer está na lei do Senhor...” Deleite implica estudo, prazer e pensamento. Meditar significa ponderar. Portanto, para deleitar-se e meditar na lei de Deus, é preciso primeiro tê-la em mente, como encoraja o Explorer’s Bible Study!

“Ele será como uma árvore plantada junto aos rios de água” (versículo 3) descreve alguém cujas raízes são profundas e sempre refrescadas pela água do Espírito Santo de Deus. A água é frequentemente usada para representar o Espírito Santo nas Escrituras. (Ver João 7:37–39). O homem abençoado plantado junto aos rios de água também dará frutos que glorificarão a Deus. Gálatas 5:22-23 usa a palavra “fruto” para descrever a operação externa do Espírito Santo: “Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.”

O versículo 3 termina com a frase “tudo o que ele fizer prosperará”. Isso não precisa ser considerado em um sentido comercial, equiparando o sucesso no mundo com o “prosperar” bíblico. O padrão de prosperidade do mundo é bem diferente do padrão de Deus. Uma definição mundana de sucesso pode medir “coisas”, status e bens materiais. A parábola de Jesus do fazendeiro rico (Lucas 12) termina com uma advertência para não ser rico em coisas, mas ser rico para com Deus. Jesus também surpreendeu seus discípulos em Marcos 10:23 dizendo: “Como é difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus”. A prosperidade na economia de Deus é frequentemente negligenciada pelo mundo: o maior no reino de Deus é o menor (Lucas 9:48).

O homem ímpio
“Os ímpios não são assim.” Toda pessoa que não é um professo servo de Deus nem sempre é um ofensor de todas as obrigações morais. Muitas vezes, eles têm altos padrões morais e são muito respeitados. Mas este não é o padrão final. Os testes de Deus vão até as raízes do caráter e dos motivos, e o padrão é a fidelidade a Deus. O teste é – servo de Deus ou não? Isso nos prepara para o nítido contraste neste salmo: piedoso ou ímpio. “Os ímpios não são assim.” O salmista não se debruça sobre os detalhes da impiedade. Ele se limita a indicar a fonte de sua vida. Neste salmo, temos as fontes do caráter moral. Toda verdadeira fecundidade de caráter é encontrada somente no jardim de Deus; em ser plantado pela mão de Deus e pelos rios de Deus. Toda esterilidade e inutilidade resultam de não estar lá. Uma pessoa pode ser respeitada e religiosa e ainda assim ser ímpia. Independentemente de sua própria justiça ou posição diante de outros, é aos olhos de Deus que alguém é caracterizado como “piedoso” ou “ímpio”. Os “ímpios” ficaram aquém do requisito de Deus. A Bíblia diz que eles são como palha que não tem valor nutricional. A palha não tem poder para se reproduzir e é levada pelo vento. O caráter, diante de Deus, se destaca em sua veracidade nua. O conselho dos ímpios não permanecerá e quem nele anda é lançado como palha. Nós escolhemos pessoalmente o caráter. A escolha é nossa. Escolhemos o que somos. O julgamento não faz o caráter, mas o declara. Culpar os outros pelo que fazemos e somos remonta ao diálogo com Eva e Satanás. Devemos assumir responsabilidade pessoal por nossa conduta e caráter. O caráter deve ser guardado com cuidado e amor. Um indivíduo está vivendo para Deus ou não. “Pois o Senhor conhece o caminho dos justos”.


Interpretação do Salmos

O Salmo 1 constitui um início inesperado para uma coleção de cânticos e orações, pois não é em si mesmo um cântico ou uma oração, mas um poema comentando como funciona a vida, de modo a constituir uma promessa e uma exortação implícita. Como peça de ensino, contrasta com a maior parte do Saltério, enquanto em Prov. 1–9 não teria parecido deslocado. Parte de sua sintaxe é a da prosa (notavelmente as três ocorrências hebraicas de ʾăšer, “quem/que/aquele”), mas seu aspecto poético se mostra substancialmente no uso de imagens e formalmente em seu uso criativo de paralelismo, repetição e escalonamento. estrutura.

Especificamente, este salmo de abertura recomenda atenção ao ensino de Yahweh – a palavra tôrâ vem duas vezes no v. 2. É frequentemente traduzida como “lei” (por exemplo, LXX, NVI). Em outros lugares, “ensinamentos de Javé” podem se referir ao material do Pentateuco (por exemplo, 2 Crônicas 17:9), e essa tradução encoraja a impressão de que o salmo se refere à meditação sobre o ensino em Gênesis-Deuteronômio, a Torá. O Salmo 1 teria, de fato, feito uma excelente introdução ao Pentateuco ou ao ensino que começa em Êxodo, embora “lei” seja um termo enganoso para descrever esses livros como um todo, ou mesmo para descrever a instrução direta sobre a vida que eles contêm. “Lei” sugere exigências que uma sociedade impõe a seus membros. Embora Gênesis-Deuteronômio inclua requisitos impostos à sociedade israelita, eles são estabelecidos por Deus, não pela própria sociedade. Além disso, os livros também compreendem a história do que Deus fez e como Deus se relacionava com as primeiras gerações de Israel e seus ancestrais. Eles não são meramente instruções sobre o que as pessoas devem fazer. Dito de outra forma, “lei” sugere algo em antítese a “graça”, enquanto Gênesis-Deuteronômio não opõe graça e tôrâ. A palavra em si significa “ensino”, não apenas “lei”, e pode, portanto, incluir tanto história quanto comando. Como um assunto para meditação contrastando com e contrariando a loucura dos zombadores, esta Torá abraça de forma importante a história das relações de Deus com Israel, bem como as instruções coletadas de Deus. A história molda as pessoas em uma comunidade que caminha no caminho do SENHOR tão decisivamente quanto os comandos.

O fato de que em outras partes do AT tôrâ se refere ao ensino de sacerdotes, profetas ou eruditos novamente sugere que o salmo implicitamente convida à meditação em algo mais amplo do que os mandamentos de Deus. O grande salmo da Torá, Salmos 119, enfatiza as promessas de Deus, bem como os mandamentos Dele. Tal ensino pressupõe toda uma visão de mundo. O mesmo vale para o ensinamento sobre o qual os fiéis devem meditar. Compreende promessas, bem como exortações, e uma visão de mundo inteira alternativa.

2 comentários:

Cláudia Lustosa disse...

Boa palavra.

Unknown disse...

Prezados. Muito bom o comentario biblico.

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