2016/10/24

Salmo 79 — Estudo Devocional

Salmo 79 — Estudo Devocional

Salmo 79 — Estudo Devocional




Salmo 79 

Apelo à misericórdia divina
Salmo de Asafe.

79 de Asafe. Este salmo é um lamento pela destruição de Jerusalém sob Nabucodonosor, ocorrida em 586 aC. Veja Sl 74, nota, e 2Rs 25.8-10, 2Cr 36.17-19.

79.1-13 Ó SENHOR Deus, até quando ficarás irado conosco? Nesta série de salmos que lidam, além de seus próprios temas, também com a ira e a raiva, chegamos ao momento em que somos orientados a confrontar a pessoa raivosa (veja o quadro “Raiva humana e ira divina”, Sl 76). O salmista primeiro mostra o estrago causado pela aplicação da ira (vs. 1-4) — e no caso da ira divina, sabemos que o castigo foi justo e merecido — para então, mesmo em tom de lamento e submissão, oferecer um confronto com a pergunta “até quando” (v. 5). fica irado com as nações que não te adoram. Continuando o enfrentamento, o salmista oferece uma alternativa que parece “mais justa”: o castigo às outras nações, que se comportam de modo pior. Então acrescenta mais uma reclamação, por outra aparente injustiça: não nos castigues por causa dos pecados dos nossos antepassados. A partir deste ponto, o salmo nos leva a pedir ajuda e misericórdia de Deus. E a primeira razão apresentada para receber esta misericórdia é a nossa própria necessidade, o completo desânimo trazido pela situação. A isto o salmista acrescenta um segundo motivo, a própria honra de Deus (v. 9), afinal todos sabem que era o povo dele que estava assim abatido. Mas essa glorificação do nome de Deus não é utilizada para disfarçar nossa triste realidade: somos pecadores, e precisamos do perdão de Deus, de que ele perdoe e esqueça nossos pecados.

79.10-13 “onde está o Deus de vocês”? Assim, aliando o envolvimento do nome de Deus com a miséria da condição humana (os gemidos dos prisioneiros), o salmista pede por libertação, que o castigo caia sobre os outros povos que zombam de Deus, para que, finalmente, o ânimo para expressarem gratidão e louvor voltem ao povo de Deus e nunca mais o abandonem.

79.12 castiga as outras nações sete vezes. Esta é a expressão de um sentimento do salmista, perfeitamente compreensível à luz da desgraça ocorrida com a destruição de Jerusalém. Somos encorajados a sempre expressar nossos sentimentos a Deus com total transparência, que ele os acolherá. Porém, para orientar nossa ética e nossa conduta prática, tal como outras passagens do Antigo Testamento com conteúdo semelhante, esta pode ser melhor interpretada à luz da fé em Jesus, seus ensinos e sua obra, que nos esclarece: “Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados… Mas eu lhes digo…” (Mt 5.21-22; 38-39; 43-44) referindo-se especificamente ao modo de tratar os que nos maltratam ocasionalmente e também aos inimigos. Portanto, especialmente desde o perdão trazido pelo sacrifício de Jesus, somos orientados a deixar a vingança exclusivamente para Deus, pois se nós a buscarmos, ela acarretará um círculo vicioso de violência. Podemos pedir que Deus nos proteja e nos livre dos que nos perseguem e nos maltratam sem, contudo, nos deixar dominar pelo ódio e pelo consequente desejo de vingança. Jesus nos convida a ser firmes quando necessário, mas não ressentidos e rancorosos. Veja também Sl 73.18-28, notas, e o quadro “Orações vingativas” (Sl 94).

79.13 Então nós… te daremos graças para sempre. Dar graças a Deus e cantar-lhe louvores, em um contexto cristão, passa a ser o resultado do triunfo do amor e da paz, e não do rancor e da vingança. Esse é o difícil e tremendamente revolucionário ensino de Jesus que promete que os mansos, os humildes e os que trabalham pela paz herdarão a terra e serão tratados por Deus como seus filhos (Mt 5.5,9).


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