2015/09/08

Significado de Êxodo 6

Significado de Êxodo 6

Significado de Êxodo 6


Êxodo 6

6.1 — A resposta do Senhor, agora verás o que hei de fazer a Faraó, foi para encorajar Moisés. Nada havia acontecido até o momento porque Deus ainda não começara a agir.

Porque, por mão poderosa, os deixará ir; sim, por mão poderosa, os lançará de sua terra. A expressão mão poderosa aqui parece confrontar o poder humano do faraó, que tinha muitos sob suas mãos, com o poder supremo de Deus, que tinha todos, inclusive o rei do Egito, sob Suas potentes mãos (ver Êx 3.19,20; 6.6; 15.6,12). Assim, o sentido principal do versículo pode ser colocado desta forma: “por causa de minha mão poderosa, faraó deixará o povo ir; em razão da minha mão poderosa, faraó os expulsará da terra dele”.

6.2-9 — Aqui está o propósito de Yahweh revelado em Êxodo. Fazia parte dos planos do Senhor que a inútil e desencorajadora experiência de Moisés em seu primeiro encontro com faraó (Êx 5.1-9) servisse para que esta essencial declaração das intenções de Deus fosse registrada em Êxodo. Esta passagem é tão importante que alguns teólogos acreditam que ela seja o coração do Pentateuco. O Deus vivo explica Seu intuito quanto ao povo de Israel [revelar-se como o Deus único e fiel com quem Abraão, Isaque e Jacó se aliançaram; o Senhor todo-poderoso, Rei soberano, que os livraria da escravidão e lhes daria a Terra Prometida como herança] .

6.2 — Ao explicar Seu propósito para Israel, Deus encorajou Moisés após sua desalentadora conversa com faraó (Êx 5.1-9). Esta parte se edifica solidamente na revelação de Deus na sarça ardente (Êx 2.23—3.22). As palavras Eu sou o Senhor começam e finalizam esta seção (Êx 6.2,8). O Senhor é o nome de Deus, Yahweh.

6.3 — Os patriarcas conheceram o Senhor como o Deus todo-poderoso. Não que eles nunca tivessem ouvido o nome Yahweh, mas não conheceram Deus de uma forma íntima. Os patriarcas estavam cientes do grande trato com o Altíssimo e experimentaram a bondade dele de muitas formas. Contudo, não tiveram uma revelação divina da maneira como foi apresentada a Moisés e ao povo israelita desse tempo.

6.4 — Estabeleci o meu concerto com eles. Deus faz referência à aliança abraâmica celebrada em Gênesis (Gn 12.1-3,7; 15.12-21; 17; 22.15-18). Para dar-lhes a terra de Canaã, a terra de suas peregrinações, na qual foram peregrinos. Os primeiros pais de Israel peregrinaram pela terra de Canaã sem nunca possuírem mais do que locais de pasto, poços e sepulcros (Gn 23; Hb 11.8-10). Eles viveram como estrangeiros, sem a cidadania em sua própria terra.

6.5 — E também tenho ouvido o gemido dos filhos de Israel. Este versículo remete ao clamor dos israelitas em Êxodo 2.23-25. Com esta maravilhosa apresentação de si mesmo, o Senhor agora estava pronto para realizar Seu plano concernente a Israel (v. 6-8).

6.6-8 — Esses versículos expressam quatro aspectos do plano de Deus para Israel: (1) Ele libertaria os israelitas do Egito. Isto era mais do que a cessação dos trabalhos escravos; era o início do processo de salvação que Ele revelaria à nação israelita e que culminaria no perdão, na libertação dos pecados e na redenção da alma (Êx 14-31). (2) Ele faria deles Seu povo, uma nação de crentes. (3) Ele seria o Deus dos israelitas; teria um relacionamento pessoal com Seu povo. (4) Ele levaria o povo israelita a Canaã, a Terra Prometida.

6.9 — Apesar das poderosas palavras de Deus a Moisés, o povo ainda não acreditava no que este falava. O cruel sofrimento pelo qual os israelitas estavam passando os dominava completamente. Mas, por fim, eles acreditariam! Só precisavam experimentar a presença real do Deus vivo (Êx 14.31).

6.10,11 — O Senhor ratificou Seu prévio comando a Moisés (Êx 4.22,23). A recusa arrogante do faraó não era o fim da história, mas o começo.

6.12 — Moisés se queixou, usando o argumento de que, se seu próprio povo não lhe dera ouvidos, como faraó o faria? Mais uma vez, Moisés lembrou o Senhor da sua pouca habilidade como orador (Êx 4.10), alegando: eu sou incircunciso de lábios.

6.13 — A resposta do Senhor a Moisés consistiu na repetição da ordem inicial. A obediência integral a este mandamento não era algo que podia ser negociado, mas uma coisa que deveria ser cumprida.

Após a descrição da genealogia nos versículos 14 a 27, a história continua no versículo 28. Lá, ficamos sabendo que havia mais interação entre Moisés e o Senhor dos que estes versículos sugerem.

6.14-27 — O registro da história da família de Moisés, Arão e Miriã interrompe rapidamente a narrativa. Contudo, este não é apenas um texto com fins de registro público, mas algo para se celebrar! Todos os sacerdotes de Israel viriam desta família.

6.14-16 — Rúben foi o primogênito de Jacó com a sua esposa Léia (Gn 29.32; 35.23; 49.3,4). Seus filhos também estão listados em Gênesis 46.9 e Números 26.5-11.

Simeão foi o segundo filho do patriarca Jacó com Léia (Gn 29.33; 35.23; 49.5-7). Seus descendentes diretos são mencionados em Gênesis 46.10 e Números 26.12-14. Jemuel, em algumas listagens, é nomeado como Nemuel (Nm 26.12). Saul, descendente de Simeão, era filho de uma cananéia. Este fator também é notado em Gênesis 4-10. É um registro nefasto, o que sugere que o problema da associação com as pessoas cananeias fez com que Deus não levasse diretamente a nação de Israel do Egito para Canaã, onde tal prática não poderia continuar (ver Gn 38).

Levi foi o terceiro filho de Jacó com Leia (Gn 29.34; 35.23; 49.5-7). Seus filhos também são mencionados em Gênesis 46.11 e Números 26.57-62 (1 Cr 6.1-30). Apesar de sua propensão para o pecado junto com o irmão Simeão na vingança do estupro de sua irmã Diná (Gn 34; 49.5-7), Levi viveu uma longa vida — 137 anos. Com base em Êxodo 6.17-27, fica claro que o propósito desta passagem é descrever a história da família de Moisés, Arão e Miriã, e não a descendência de cada uma das três tribos. A menção do histórico familiar de Rúben e Simeão, aqui, aparenta ser simplesmente uma “cortesia”, baseada na precedência destes entre os filhos de Jacó.

6.17-19 — Cada um dos três filhos de Levi deu origem a várias famílias (1 Cr 6.1-30) que desempenhariam papéis importantes na adoração a Deus. Todos os verdadeiros sacerdotes e levitas viriam delas.

6.20 — Os versículos acima levaram à menção de Anrão, um descendente de Levi, de quem Moisés e seus irmãos eram filhos. De acordo genealogias similares (Nm 26.57-59; 1 Cr 6.1-3), Anrão, o filho de Coate, era um neto de Levi. Joquebede, sua esposa, era também sua tia, filha de Levi. Mais tarde, a Lei proibiria os casamentos entre parentes tão próximos (Lv 18). Todavia, nas famílias mais antigas de Israel, deve ter havido este tipo de enlace consanguíneo.

Ela gerou-lhe a Arão e a Moisés. A linguagem utilizada na Bíblia permite que um ancestral distante seja ligado a um descendente não direto, dando a ideia de que foi “imediatamente sucedido” . Sendo assim, em outras palavras, Joquebede “gerou-lhe a família que resultou, posteriormente, no nascimento de Moisés”. Os reais nomes da mãe, do pai e dos irmãos de Moisés não são citados. Quando o profeta nasceu, muitas gerações já haviam passado desde que Anrão, o neto de Levi, e Joquebede, a filha de Levi, tinham se unido. Na verdade, a família dos descendentes de Anrão multiplicou-se em milhares (Nm 3.27,28).

De certa forma, é surpreendente para o leitor moderno perceber que a linguagem é utilizada desta maneira. Para o antigo semita, às vezes, era mais importante preservar o nome dos ancestrais relevantes do que o nome das pessoas mais próximas, incluindo a citação dos próprios pais.

A descendência de Moisés e seus irmãos foi certificada como sendo da família de Levi. Este era um ponto importante, pois Arão se tornaria o pai dos sacerdotes da nação. Veja os comentários acerca das genealogias em Gênesis 5 e 10, onde se encontram também citações desta lacuna de gerações.

A ordem dos filhos é dada aqui: Arão é três anos mais velho que Moisés (Êx 7.7). Miriã não é mencionada neste versículo, pois a maioria das listas de descendentes em Israel citava apenas os filhos homens. Contudo, os leitores da Torá nunca a esquecerão, assim como nós também não podemos fazê-lo (Mq 6.4). Junto com seus celebrados irmãos, ela foi o presente de Yahweh para Israel.

6.21-23 — Isar, o segundo filho de Coate (v. 18), e Uziel, o terceiro, também fundaram famílias importantes. Dentre os nomes que são mencionados está o de Corá, o sacerdote que posteriormente lideraria uma rebelião contra Moisés (Nm 16). Os filhos de Corá (v. 24) sobreviveram ao seu julgamento (Nm 26.11) e tornaram-se uma famosa família de músicos, cujos louvores se tornariam parte dos cantos dos templos por gerações (SI 84; 85; 87). Eliseba era o nome da mulher de Arão. O nome dela em hebraico [‘Eliysheba] significa Deus é um juramento, ou é por Deus que alguém jura. Em grego, corresponde ao nome Isabel (Lc 1.5). O pai de Eliseba era Aminadabe (hb. ‘Ammiynadab, que significa meu parente [o Senhor] é nobre) que vinha de uma conhecida família da tribo de Judá (Nm 1.7; 2.3; 7.12,17; 10.14), a qual, mais tarde, figurou na linhagem de Davi, e consequentemente na do Messias (Rt 4-19,20; 1 Cr 2.10). Os filhos Nadabe e Abiú se tornaram conhecidos em Israel por usarem seu ofício sacerdotal para propósitos malignos (Lv 10.1-7; Nm 3.2-4). Já Eleazar e Itamar eram sacerdotes fiéis.

6.24 — E os filhos de Corá: Assír, e Elcana, e Abiasafe; estas são as famílias dos coraítas. Os filhos de Corá também eram levitas. Estavam envolvidos especialmente com o louvor.

6.25 — Finéias, filho de Eleazar, foi um homem que Deus usou poderosamente durante um dos momentos mais sombrios da jornada espiritual de Israel (ver Nm 25).

6.26,27 — Estes são Arão e Moisés. O estilo de expressão de toda esta passagem (v. 14-27) aparenta vir de um período diferente do tempo de Moisés e Arão. Este é um exemplo de trecho que pode ter sido adicionado ao livro de Êxodo em um período posterior. Como foi mencionado na introdução, não se fazia necessária nenhuma discussão sobre a autoria do livro. É preciso, entretanto, ter em mente que o livro por inteiro e todas as suas passagens são autênticos, oficiais e inspirados. Escribas posteriores podem ter sentido que era muito necessário inserir o histórico familiar de Moisés e Arão como um parêntese na linha narrativa, para que os leitores pudessem ficar cientes da ligação que Moisés e Arão tinham com o povo de Israel. A repetição da expressão estes são Arão e Moisés, com inversão dos nomes, não apenas identifica estes homens, como também celebra a sua memória.

6.28-30 — Estes versículos repetem o conteúdo de Êxodo 6.10-13. A expressão o Senhor falou poderia ser traduzida como “o Senhor tinha falado” (Êx 4-19; 12.1). É provável que este conteúdo (Êx 6.14-27) exigisse uma recapitulação. Já a frase eu sou incircunciso de lábios quer dizer não tenho facilidade para falar (veja Êx 6.12).

Índice: Êxodo 1 Êxodo 2 Êxodo 3 Êxodo 4 Êxodo 5 Êxodo 6 Êxodo 7 Êxodo 8 Êxodo 9 Êxodo 10 Êxodo 11 Êxodo 12 Êxodo 13 Êxodo 14 Êxodo 15 Êxodo 16 Êxodo 17 Êxodo 18 Êxodo 19 Êxodo 20 Êxodo 21 Êxodo 22 Êxodo 23 Êxodo 24 Êxodo 25 Êxodo 26 Êxodo 27 Êxodo 28 Êxodo 29 Êxodo 30 Êxodo 31 Êxodo 32 Êxodo 33 Êxodo 34 Êxodo 35 Êxodo 36 Êxodo 37 Êxodo 38 Êxodo 39 Êxodo 40

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