Levítico 8 — Explicação das Escrituras

Levítico 8 — Explicação das Escrituras

Levítico 8 — Explicação das Escrituras


Levítico 8

8.1-36 A consagração dos sacerdotes. Nenhum homem era, por si mesmo, digno de se aproximar de Deus, e daí a necessidade de sacerdócio mediador. Esse sacerdócio era um dom de Deus (Nm 18.7), já que o próprio Deus escolhia e vocacionava os sacerdotes, 8.4, 5; Hb 5.4. O sacerdote era um tipo de Cristo, nosso único e verdadeiro Mediador, Hb 8.1; 1 Tm 2.5. Os quatro passos para a consagração eram: 1) A lavagem, 8.6, símbolo da purificação e do novo nascimento, Tt 3.5; 2) O revestimento com as vestes sacerdotais, 8.7; 3) A unção, 10-12, indicando a santificação e prenunciando a unção do Espírito Santo, At 1.4-5, 8; 4) As várias ofertas, 14-29.
8.2 Arão e seus filhos. Cf. Êx 29. Esta foi a cerimônia da consagração, que depois passou a ser usada para todos os sacerdotes Notemos que havia uma distinção implícita entre os sacerdotes (Arão e seus filhos) e à resto dos levitas. A tribo de Levi, como um todo, foi separada especificamente para o serviço religioso, mas somente os descendentes de Arão, eram os sacerdotes que oficiavam nos cultos do Tabernáculo e (mais tarde) do Templo, em Jerusalém, Nm 11 47-54. Veja também a distinção entre sacerdotes e levitas na Parábola do Bom Samaritano Lc 10.25-37.
8.8 Urim e Tumim. Estas palavras em heb, ambas no plural, podem ser interpretadas por ”luzes” e “perfeições”, respectivamente. De várias passagens, como Nm 27.21; 1 Sm 14.37-42 e 28.6, deduz-se que eram objetos que se lançavam como sortes para determinarem as respostas de Deus às questões de interesse do Seu povo. Supõe-se ainda que os objetos eram pedras preciosas, que se conservavam no bolso que era a parte básica do peitoral do sumo sacerdote, e que tais pedras eram o meio de se descobrir a inocência ou a culpa de pessoas suspeitas, e de se saber a vontade divina de um modo geral. Cf. as notas de Ed 2.63 e Êx 28.15. O uso de Urim e Tumim não se menciona depois do reinado de Davi, a não ser na época da volta do Cativeiro em Babilônia 538-333 a.C., quando a falta de sacerdotes com Urim e Tumim era considerada uma irregularidade grave, Ed 2.63; Ne 7.65.
8.14 Puseram os mãos. Isto significava que os pecados do ofertante se imputavam à oferta pela culpa, que tinha que morrer para fazer expiação pelos sacerdotes. Nisto se vê um claro tipo de expiação substitutiva realizada pela morte de nosso Senhor Jesus Cristo, Hb 2.9-18; 1 Pe 2.24.
8.14-29 A última parte da consagração de Arão e de seus filhos, isto é, a parte das ofertas se divide assim: 1) A oferta pelo pecado, a imputação da justiça a Arão, 14; 2) O holocausto pelo qual se imputava a santidade, 18; 3) A oferta do carneiro completa a cerimônia, sacrificialmente efetuando a consagração, 22.
8.22 Consagração. Heb millu'im, que quer dizer “preenchimentos”, ou “ações de encher”, parcialmente porque “encher as mãos” era o termo técnico para designar a investidura dum cargo importante, e, parcialmente, para geminar a palavra “pacífico”, que também tinha o sentido de ser completo, pleno, próspero e saudável, Ef 3.9. Na antiga tradução dos 70 foi chamado “o cordeiro da perfeição”, já que completou a consagração do sacerdote, capacitando-o, doravante, a fazer sacrifícios a Deus. Compare com ”aperfeiçoasse”, em Hb 2.10.
8.23 O sangue derramados sobre a orelha, o polegar da mão direita e o polegar do pé direito do sacerdote simbolizavam sua consagração completa para ouvir, ensinar e observar a Palavra de Deus.
8.26 Pães... bolo. Foram trazidos, num cesto, vários tipos de pães (7.12, vd também 7.12n), que tinham sido preparados para a consagração dos sacerdotes, sob a direção espiritual de Moisés (cf. v. 2).
8.30 Óleo... sangue. Os sacerdotes da Antiga Aliança eram ungidos com óleo e com sangue, representando respectivamente duas bênçãos que haveriam de ser derramadas sobre o povo de Deus com a vinda de Cristo: a unção do Espírito Santo e o sacrifício expiatório, que não dependem de cerimônias físicas, mas são o fruto da obra de Cristo naqueles que o aceitam e que, por isso mesmo, são considerados um sacerdócio real de Cristo. Estes possuem as realidades espirituais que, no Antigo Testamento, são apenas promessas.
8.35 A obra Sagrada dos sacerdotes requeria um preparo feito com disciplina e dedicação; havia condições para se alojarem dentro do Tabernáculo para servirem melhor, 1 Sm 3.1-9. Os primeiros dez capítulos deste Livro nos ajudam a entender esta obra, que consistia em: 1) Expiação, caps. 1-7; e 2) Mediação, caps. 8-10. Primeiro o sacrifício, depois o sacerdócio propriamente dito. O sacerdócio não é para servir a pecadores, mas a santos, isto é, a gente convertida. Não é para o mundo que Jesus Cristo é sacerdote, mas somente para a Igreja, Jo 17.9, 19. Assim, percebemos que o homem só pode se aproximar de Deus pelo caminho da expiação e da mediação, e que Jesus é a plenitude deste Caminho, sendo o Sacrifício e o Sacerdote, Hb 9.11-12.

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