Levítico 17 — Explicação das Escrituras

17:1–9 Os comentaristas têm opiniões diferentes sobre os versículos 1–9. (1) A passagem proibia a morte de qualquer animal, mesmo para alimentação, sem oferecê-los no tabernáculo. (2) Proibiu a oferta de animais para sacrifício nos campos ou em qualquer lugar que não fosse o tabernáculo. (3) Proibiu o abate de animais de sacrifício para alimentação enquanto o povo estivesse no deserto. Isso mudou quando o povo chegou à Terra Prometida (Dt 12:15). Morgan explica:
A palavra hebraica [traduzida como “demônios” na KJV e “demônios-cabra” na ASV] é literalmente “os peludos”. Em Isaías 13:21 e 34:14 é traduzido como “sátiro” na Versão Autorizada e “cabras selvagens” na Versão Padrão Americana. O sátiro era um ser imaginário, meio bode, meio homem, de natureza demoníaca. No Egito, o homem-bode, Pan, era adorado. Parece que esta palavra reconheceu o fato de que essas pessoas no Egito provavelmente adoraram o falso deus. (G. Campbell Morgan, Searchlights from the Word, p. 38.)
17:10–14 Da mesma forma, era proibido comer sangue. O sangue era para expiação, não para nutrição. “A vida da carne está no sangue” (v. 11). O princípio por trás da expiação é vida por vida. Visto que o salário do pecado é a morte, simbolizada pelo derramamento de sangue, então “sem derramamento de sangue não há remissão”. O perdão não vem porque a penalidade do pecado é perdoada, mas porque é transferida para um sacrifício cujo sangue vital é derramado. O versículo 11 é um dos versículos-chave em Levítico e deve ser memorizado. Quando um animal era abatido, seu sangue era drenado imediatamente. Um animal que morreu acidentalmente era impuro se seu sangue não fosse drenado imediatamente.

17:15, 16 Isso se refere a uma pessoa que por ignorância comeu a carne de um animal que não havia sido sangrado. Provisão foi feita para sua purificação. Mas se ele recusasse esta provisão, ele deveria ser punido.

Notas Adicionais

17.1 Esta seção de leis que vieram de Deus para o povo de Israel, por intermédio de Moisés, no monte Sinai (26.46), é comumente chamada “Código de Santidade”, porque apresenta os condições que Deus requeria de Israel para que fosse realmente um povo santo. Estende-se até 26.45.

17.4 O mandamento de Deus exigia que todo o sacrifício de sangue fosse oferecido no Tabernáculo (mais tarde, no Templo em Jerusalém), e não onde quer que o homem escolhesse para si mesmo. O sacrifício certo, no lugar errado, ou feito de maneira errada nada valia; a desobediência nestas coisas traria a culpa do sangue, e não o perdão desejado.

17.7 Prostituem. A nação hebraica era simbolicamente casada com Jeová; tanto no Monte Sinai (Dt 4.13, 23), como nas planícies de Moabe (uma nova geração depois de a interior ter perecido), Dt 29.1. A prostituição simboliza a apostasia, a falta de fidelidade a Deus e, naquelas épocas, se relacionava mormente com a idolatria com seus ritos perversos.

17.10-14 A vida de um animal estava no seu sangue, Gn 9.4, e a vida era sagrada, pertencendo a Deus concedê-la ou retirá-la. O sangue era sagrado porque era usado nos sacrifícios, e simbolizava a vida que Jesus deu sobre a cruz para nos trazer a expiação, Hb 9.12-14, 22. Deus, proibiu a Noé comer sangue, Gn 9.4; aos cristãos gentios pediu-se que observassem este preceito para não ofender a seus irmãos judeus At 15.20.

17.11 Sangue. Como um princípio básico, a Escritura insiste que nenhuma expiação pelo pecado é possível sem o sacrifício de uma vida, da qual o sangue era uma representação visível. Quando se apresentava o sangue, era prova aceitável perante Deus que uma vida havia sido sacrificada. O sangue de Jesus satisfaz as condições que a justiça divina requer para a salvação do homem.

17.15 Quando um animal morria de alguma doença, ou era morto por algum outro animal, era provável que seu sangue não houvesse sido devidamente removido, portanto não podia ser uma comida lícita para o homem. Além disso, a doença que ceifou o animal podia ser ameaça à saúde daqueles que o comessem.

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