Apocalipse 22 — Comentário Bíblico Online

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Apocalipse 22 

d) O rio da vida (Ap 22.1-5). João viu o rio puro' da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro (1). A figura é tirada de Ezequiel 47.1-12. Ali as águas corriam do Templo. Aqui elas vêm do trono.
De uma e da outra banda do rio, estava a árvore da vida (2). Na visão de Ezequiel, “à margem do ribeiro havia uma grande abundância de árvores, de uma e de outra banda” (Ez 47.7). Mas aqui é a árvore da vida. Essa frase nos leva de volta ao jardim do Éden (Gn 2.9). Ali o ser humano pecou e foi expulso do paraíso, para que não tivesse mais acesso à árvore da vida (Gn 3.24). Mas na nova Jerusalém, os redimidos a encontram crescendo em abundância.
Essa árvore produzia doze frutos, dando seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a saúde das nações. Ezequiel escreveu acerca de toda sorte de árvore à beira do rio que “nos seus meses produzirá novos frutos [...] e a sua folha, de remédio” (Ez 47.12).
Na nova Jerusalém nunca mais haverá maldição (3). A palavra grega não é a habitual anathema, encontrada diversas vezes no Novo Testamento, mas katathema, que ocorre somente aqui. Behm diz que essa é “provavelmente uma forma mais severa de anathema”.' Ela significa uma “coisa amaldiçoada”. Glasson diz: “Esse aspecto tal­vez lembre Gênesis 3.17-18. Depois da Queda [...] uma maldição foi imposta; espinhos e cardos começaram a crescer [...] Agora a maldição é afastada. Assim, os últimos capítulos da Bíblia equilibram os primeiros, e o Paraíso Perdido dá lugar ao Paraíso Recuperado”.'
Nenhuma coisa má pode entrar na nova Jerusalém, porque o trono de Deus e do Cordeiro está ali. E os seus servos o servirão (ou adorarão) sugere que a vida futura não será um tempo de ócio ou inatividade (cf. 7.15).
Além do mais, eles verão o seu rosto em perfeita comunhão; e na sua testa esta­rá o seu nome (4). Esse é um sinal de completa consagração a Deus e absoluto domínio da sua parte. Novamente (cf. 21.25) lemos que ali não haverá mais noite (5). Consequentemen­te, não necessitarão de lâmpada, nem mesmo da luz do sol (cf. 21.23); porque o Senhor Deus os alumia — toda luz que temos vem dele — e reinarão para todo o sempre. Isso não é apenas para os mil anos do Reino do milênio (20.5). Ao passarmos para o capítulo 21, mudamos do tempo finito para a eternidade. Aqui todas as coisas duram para sempre.
3. Epilogo (22.6-21)
Essa seção final nos traz as últimas palavras do anjo (vv. 6-11), de Jesus (vv. 12-16), do Espírito e da noiva (v. 17) e de João (vv. 18,19); a última promessa e oração (v. 20) e a última bênção (v. 21).
a) As últimas palavras do anjo (22.6-11). Antes de sair de cena, o anjo dá o seu endosso acerca do que tinha mostrado e contado a João: Estas palavras são fiéis e verdadeiras (6). Isso repete o que lemos em 21.5. Estas palavras provavelmente refe­rem-se a todo livro de Apocalipse. Elas são fiéis e verdadeiras porque o Senhor, o Deus dos santos profetas, enviou o seu anjo, para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer. A última parte dessa afirmação é tomada literalmente (no grego) de 1.1. O epílogo rememora o prólogo.
Eis que presto venho (7) é a palavra de Cristo por intermédio do anjo. Uma bênção especial é pronunciada sobre aquele que guarda as palavras da profecia deste livro (cf. 1.3). Swete entende que deste livro “aponta para o rolo quase concluído no joelho do vidente; ao longo do livro de Apocalipse ele se apresentou como aquele que escreve as suas impressões na época (cf. 10.4) [...] e a sua tarefa agora quase che­gou ao fim”.228
João não só viu, mas ouviu estas coisas (8). Ele estava tão dominado pela visão da nova Jerusalém que novamente caiu aos pés do anjo para o adorar, talvez pensando que fosse Cristo (cf. 19.10). Mas, como antes, ele foi admoestado a não fazê-lo (v. 9).
Então o anjo ordenou-lhe: Não seles (não ocultes ou detenhas) as palavras da profecia deste livro, porque próximo está o tempo (10). Uma ordem exatamente oposta foi dada a Daniel. Foi-lhe dito: “tu, porém, cerra a visão, porque só daqui a muitos dias se cumprirá” (Dn 8.26). Mas aqui o caso é diferente: porque próximo está o tem­po. Uma exegese honesta parece requerer uma interpretação que permita uma aplica­ção ao período da Igreja Primitiva. E por isso que este comentário entende que a predi­ção em Apocalipse 4-20 teve um cumprimento parcial no tempo do Império Romano, que tem tido um cumprimento contínuo ao longo da era da Igreja e que terá um cumpri­mento completo no futuro. Esse é o único ponto de vista que parece fazer justiça a todos os fatores envolvidos.
O período da provação acabou. Assim a voz diz: Quem é injusto (lit., aquele que erra) faça injustiça ainda; e quem está sujo suje-se ainda; e quem é justo faça justiça ainda; e quem é santo seja santificado ainda (11). Notamos que essas frases são equilibradas, o justo contra o injusto e o santo e o sujo. Cada um dos quatro verbos que começa com quem está no imperativo aoristo. Isso indica um caráter permanente (estabelecido), em vez de um processo contínuo. Swete apresenta uma boa interpretação desse versículo. Ele diz: “Não é apenas verdade que as dificuldades nos últimos dias tenderão a estabelecer o caráter de cada indivíduo de acordo com os hábitos que ele já formou, mas haverá um tempo quando será impossível mudar — quando não haverá mais oportunidade para arrependimento por um lado ou para apostasia do outro”.229
b) As últimas palavras de Jesus (22.12-16). E eis que cedo venho (12; cf. v. 7). A essa promessa da sua vinda, Cristo acrescenta: e o meu galardão (misthos, recompensa ou salário) está comigo para dar a cada um segundo a sua obra. Cada pessoa receberá uma recompensa de acordo com o que fez.
O versículo 13 é uma combinação das palavras encontradas em 21.6 e 1.17; também 2.8. A mesma honra que é conferida a Deus é reivindicada por Cristo (veja os comentári­os em 1.17).
Em várias versões bíblicas, os versículos 14 e 15 não estão entre aspas indicando ser palavras de Jesus. Mas elas são incluídas por Phillips. Por conveniência, nós as coloca­mos dessa maneira em nosso esboço. Essas palavras declaram uma bênção para aqueles que cumprem os seus mandamentos (v. 14, de acordo com a KJV) — o melhor texto grego diz: que lavam as suas vestiduras — porque dessa forma terão direito à árvore da vida e poderão entrar na cidade pelas portas.
Do lado de fora ficarão os cães (15). Esse é um termo usado para pessoas impuras, tanto no Antigo (Si 22.16) quanto no Novo Testamento (Mt 7.6; Mc 7.27). Swete diz que nesse caso, cães significam “aqueles que foram pervertidos por vícios repugnantes que corrompiam a sociedade pagã”.' O século XX tem visto uma recorrência alarmante do tipo de viver pagão que caracterizava o primeiro século, de tal forma que essas palavras recebem novo sentido.
Junto com os feiticeiros, e os que se prostituem (gr., fornicadores), e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira — que é melhor tradu­zido por “pratica a mentira” (NASB, cf. NVI). Isso mostra a seriedade do engano aos olhos de Deus. Obviamente é Cristo que fala agora, ao dizer: Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas (16). Ao longo do livro, desde o capítulo 3, são os anjos que pronunciaram quase todas as falas. Agora Jesus coloca seu endosso pessoal nas palavras que eles pronunciaram. Foi Ele que os enviou com as men­sagens e visões para as igrejas — primeiro, para as sete igrejas da Ásia, e agora para todas as igrejas em toda parte.
Jesus declara em seguida: Eu sou a Raiz (cf. 5.5) e a Geração de Davi — a Raiz e o Rebento (Renovo) da família de Davi —, a resplandecente Estrela da manhã. Essa é uma figura bonita e um aspecto familiar para aqueles que levantam antes do amanhecer e observam esse anunciador impressionante de um novo dia. Cristo é a Estrela do Alvorecer, o que James Stewart chamou em uma assembleia em Edimburgo de “a Estrela Escatológica”. Para cada cristão, Cristo é a Promessa de um novo dia. Swete escreve: “A Estrela da manhã da Igreja brilha hoje com a mesma intensidade que nos dias de João; Ela não cai ou se põe”.231
c)    As últimas palavras do Espírito e da esposa (22.17). E o Espírito e a esposa dizem: Vem. A maioria dos comentaristas toma isso como o Espírito profético na Igre­ja reagindo à promessa (v. 12) com um clamor: Vem. Todos os que ouvem devem se unir a esse chamado para a sua vinda. Fausset escreve: “Vem' é a oração do Espírito na Igreja e nos crentes, em resposta ao chamado de Cristo: 'Eis que cedo venho', claman­do: Mesmo assim, 'Vem' (vv. 7, 12); o versículo 20 confirma isso”.232 Por causa da refe­rência no versículo anterior à “estrela da manhã”, provavelmente essa é a interpreta­ção que deveria ser adotada.
Isso requer uma transição abrupta no meio do versículo. Porque o convite: E quem tem sede venha, é claramente um convite evangelístico para vir a Cristo. Isso fica ainda mais evidente na frase seguinte: e quem quiser tome de graça da água da vida. Somente ao fazermos isso estamos prontos para a vinda de Cristo.
d)   As últimas palavras de João (22.18-19). Swete diz o seguinte acerca desses dois versículos: “Certamente é Jesus quem continua falando, e não João, como muitos comen­taristas têm presumido”.' Mas Plummer escreve: “Aqui está o apêndice solene ou o selo da veracidade do livro, semelhante às palavras introdutórias em 1.1-3. Esse é o cumpri­mento do dever designado a São João em 1.1, não um anúncio do próprio Senhor (cf. as palavras em 1.3)”.234 Pelo que tudo indica, a última ideia é a preferível.
De qualquer forma, uma advertência séria é anunciada aqui contra todo aquele que ousar adulterar o ensinamento desse livro. Ninguém deve acrescentar ou tirar quaisquer palavras dele, sob pena de sofrer castigo muito sério. Essas palavras, é claro, se aplicam ao escrito original como divinamente inspirado. Essa regra de procedimento não  limita o trabalho paciente de estudiosos da Bíblia na composição dos manuscritos exis­tentes e no estudo de palavra por palavra, para chegar ao texto mais correto possível. Essa ordem proíbe uma atitude que despreza a autoridade da Palavra de Deus e acres­centa ou tira quaisquer palavras do seu ensinamento.
e) A última promessa e oração (22.20). Aquele que testifica estas coisas é Jesus (cf. v. 16). Ele diz: Certamente, cedo venho — a última promessa da Bíblia. A última oração é: Amém.' Vem, Senhor Jesus. Em nossos dias, essa deveria ser cada vez mais a nossa oração. A última bênção (22.21). Ela é breve, mas adequada: A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós.' Isso é suficiente para toda alma confiante.


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