2015/09/08

Significado de Êxodo 3

Significado de Êxodo 3

Significado de Êxodo 3


Êxodo 3
3.1 — Deus agora daria outro “rebanho” para Moisés cuidar: o povo de Israel. Assim como Jacó fez parte da família de Labão quando se casou com suas filhas Leia e Raquel (Gn 29), Moisés, por 40 anos (o ciclo de uma geração), integrou-se à família de Jetro, cujo nome significa sua fartura [isto é, a fatura do Senhor]. A palavra Jetro (em hebraico hotenô) está relacionada ao termo árabe que quer dizer aquele que circuncida, o que nos ajuda a entender o difícil fragmento de texto em Êxodo 4.24-26.

Já o termo Horebe, outro nome para monte Sinai, significa lugar desolado. Por causa da aparição de Deus na montanha (neste versículo e em Êx 19.20), este local deserto se tornaria sagrado, o monte de Deus (Êx 4.27). Frequentemente, esta área é identificada como jebel el-Musa, uma montanha no sul da Península do Sinai.

3.2 — E apareceu-lhe o Anjo do Senhor. Esta é a primeira ocorrência em Êxodo desta expressão (Êx 14.19; 23.20,23; 32.34; 33.2; compare com Gn 22.11,15). A sarça em chamas representava um extraordinário sinal, principalmente porque o arbusto não era consumido pelo fogo.

3.3-5 — O lugar se tornou sagrado; foi separado e diferenciado por causa da presença divina. Para mais detalhes sobre a vívida lembrança de Moisés desta experiência com Deus no final de sua vida, leia Deuteronômio 33.16.

3.4,5 — O dramático encontro de Moisés com o Deus vivo é um momento inesquecível na história bíblica. O Senhor o chama pelo nome, o que faz lembrar o chamado de Deus a Abraão no momento em que este estava para sacrificar seu próprio filho (Gn 22.11). A resposta de Moisés foi exatamente igual à de Abraão (Gn 22.1,11).

3.6 — Deus identificou-se como o Deus de teu pai — Aquele adorado por Abraão, Isaque e Jacó (v. 15). Ao mencionar estes nomes, o Senhor garantia a Moisés que Sua aliança com os patriarcas de Israel permanecia em vigor. Moisés cobriu o rosto, o qual havia se escondido por causa do medo (Êx 2.12,14). Agora ele escondia seu rosto da presença de Yahweh. Até o final de sua grandiosa vida, Moisés refletiria sobre esta experiência. Ao pronunciar sua bênção sobre a tribo de José, ele incluiria estas palavras: E com a benevolência daquele que habitava na sarça (Dt 33.16).

3.7 — Três dos quatro verbos mencionados em Êxodo 2.24,25 são repetidos: ver, ouvir e conhecer. Esta é a primeira declaração enfática. Este versículo conecta a introdução de Êxodo ao enredo deste capítulo.

3.8-10 — Portanto, desci para livrá-lo da mão dos egípcios. A expressão desci para livrá-lo fala da graciosa intervenção divina na terra (SI 40.1). Deus estava totalmente ciente dos problemas de Seu povo e agora Ele interviria nesta situação. E para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e larga, a uma terra que mana leite e mel. A terra boa e larga de Canaã era a grande promessa do Senhor para Seu povo (Gn 12.7; 15.12-21; Êx 6.8). Dela mana leite e mel. Canaã daria todo o sustento necessário ao povo. Algumas partes seriam destinadas à criação de rebanhos, e outras à agricultura. Sob a bênção de Deus, leite e mel jorrariam à vontade.

Ao lugar do cananeu, e do heteu, e do amorreu, e do ferezeu, e do heveu, e do jebuseu. Esta menção dos povos faz-nos lembrar de três coisas: 1) a terra era um lugar de verdade com pessoas reais morando lá; 2) para aqueles que lá estavam, a hora do juízo cumprir-se aproximava-se. A perversidade dos cananitas chegara ao limite final, e o julgamento divino recairia sobre eles (Gn 15.16); 3) mesmo que a terra fosse um presente de Deus, ela não estava deserta. Ela teria de ser tomada de seus atuais habitantes. Isso só poderia ser feito com o poder de Deus.

3.11—4.17 — As objeções de Moisés em servir como porta-voz de Deus eram, por fim, questões a respeito de Deus. 1) Ele estaria com ele? (Êx 3.11,12); 2) como Ele é? (Êx 3.13-25); 3) Tem poder suficiente? (Êx 4.1-9); 4) Deus poderia fazer com que Moisés tivesse habilidade suficiente? (Êx 4-10-17). Deus respondeu a todas estas perguntas.

3.12 — Deus prometeu estar com Moisés. O Senhor desceu para resgatar Seu povo (v. 8) e prometeu estar presente. Isto aponta para a futura encarnação do Verbo divino. Jesus desceria do céu; viria ao mundo para nos libertar de nossos pecados e estar conosco. O Senhor deu a Moisés um sinal, a prova final de que sua experiência ali na sarça era uma divina manifestação, e não uma ilusão. Aqui, o sinal era um lembrete: quando houveres tirado este povo do Egito, servireis a Deus neste monte. Todavia, a palavra sinal também pode significar um milagre de Deus, uma maravilha que demonstra Seu poder e Sua presença (Êx 7.3).

3.13 — A mente de Moisés estava maravilhada, mas borbulhando de dúvidas. Por isso, perguntou o nome de Deus. O pedido requeria um marco de autoridade. Moisés estava ausente do Egito há 40 anos e, mesmo em seus anos de juventude, esteve afastado de seu povo. Provavelmente, ele se perguntava como seria levado a sério. Assim, Moisés precisava de algo que desse credibilidade à sua mensagem, um nome que garantisse que a mensagem seria recebida propriamente.

3.14 — Eu sou o que sou. Aquele que falou a Moisés declarou ser o Eterno, o Criador e soberano Senhor. Somente o Criador de todas as coisas poderia nomear-se de Eu sou, no sentido absoluto. Todas as outras criaturas estão em débito com Ele por causa de sua limitada natureza. Além de dizer quem é, Deus declarou a Sua relação com o povo de Israel. O tempo futuro do verbo hebraico relacionado ao nome de Deus foi usado no versículo 12:0 Em Sou estará com o Seu povo. Assim, Deus afirmou Sua aliança com o povo de Israel usando Seu nome. Muitos se referem ao Eu Sou como o nome pactuai de Deus.

3.15 — Assim dirás aos filhos de Israel: O Senhor, o Deus de vossos pais... O termo traduzido como Senhor representa o nome hebraico Yahweh. A palavra que significa Eu Sou, usada no versículo 4, é muito similar. As traduções para o português frequentemente usam Senhor com a inicial maiúscula [ou todas as letras] quando representam o nome de Yahweh. Neste versículo, Deus não só declarou a Sua existência absoluta, como também manifestou o relacionamento com Seu povo. Não se tratava apenas de Sua pura e simples existência, ou mesmo do fato de Ele ser eterno. Acima de tudo, Ele revela que estará com Seu povo. Este é o Seu nome que manifesta graça, relacionamento, aliança e condescendentes maravilhas. Ele não é uma nova divindade, e sim o mesmo que fez uma aliança eterna com os patriarcas — Abraão, Isaque e Jacó — e foi adorado por eles (v. 6). Todavia, Ele tem um nome. É Yahweh.

A última parte do texto contém uma parelha de versos: Este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração. Como em outras passagens importantes do Antigo Testamento (Gn 22.11 -18), a repetição e a reafirmação são usadas em sentido enfático. Assim, elas indicam a suprema importância do nome divino que é eterno e perpetua-se de geração em geração.

3.16,17 — As instruções foram agora dadas a Moisés para que ele pudesse ouvir novamente qual era a sua parte no plano divino (v. 8-10).

3.18 — E dir-lhe-eis. Moisés foi instruído com precisão sobre o que falar a faraó. Deus não disse para ele usar seus próprios argumentos, mas apenas para servir de porta-voz divino.

3.18 — Deixa-nos ir a caminho de três dias para o deserto. Aparentemente, a expressão a caminho de três dias é um modo de falar oriental; e o pedido um argumento pequeno para um fim maior. O primeiro pedido seria para que pudessem retirar-se para uma jornada de três dias, a fim de adorar ao Deus vivo. Visto que este pedido não seria concedido (v. 19), é certo que a solicitação para todos serem libertos também não seria. O fato de que os israelitas tinham de ir a outro local para oferecer sacrifícios ao Senhor poderia ter sido uma repreensão tácita à terra do Egito. A maldade dos egípcios poluiu a terra e a tornou imprópria para adoração a Deus. Os israelitas precisavam de um solo neutro para louvar ao Senhor em pureza.

3.19 — Eu sei, porém, que o rei do Egito não vos deixará ir, nem ainda por uma mão forte. As palavras hebraicas eu sei que são bastante fortes. Podem ser traduzidas como: “mas, quanto a mim, eu sei que o rei do Egito não dará a permissão para ir”. O raciocínio de muitos acerca deste versículo é importante. Ele fala do conhecimento de Deus no sentido de que Ele já sabia previamente como as coisas aconteceriam, embora não determinasse como as coisas aconteceriam. Veja a nota em Êxodo 4.21, para a interpretação e o desenvolvimento deste tema. A mão forte aludida é a mão do Senhor. Deus foi Aquele que forçou faraó a libertar os israelitas (Êx 3.20; 6.1).

3.20 — Porque eu estenderei a minha mão e ferirei ao Egito. A mão misericordiosa de Deus estendida a favor dos israelitas e a de ira contra os egípcios são um tema constante em Êxodo. (Para saber mais sobre o braço forte de Deus, leia Êx 6.6; sobre a mão direita de Deus, leia Êx 15.6,12). Com todas as minhas maravilhas que farei no meio dele. As maravilhas são as dez pragas narradas nos capítulos 7 a 12. A palavra maravilhas em hebraico (niphla 'ot) se refere às coisas que somente Deus pode fazer; coisas para inspirar reverência em Seus adoradores e medo em Seus inimigos.

3.21,22 — Deus humilharia tanto o líder do povo egípcio que as pessoas comuns daquela terra se colocariam favoravelmente à disposição de Israel. Os israelitas, que até então tinham sido escravizados no Egito, não sairiam de lá de mãos vazias. Eles despojariam os egípcios meramente pedindo pelos bens preciosos (leia Êx 11.2; 12.35,36). Mais tarde, os filhos de Israel dariam muitos desses objetos valiosos a Deus como oferta para o tabernáculo (Êx 35). Assim, Deus enriqueceria a população escrava, para que esta pudesse começar uma nova vida e ofertar parte dessa riqueza a Ele em agradecimento.



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