Levítico 16 — Explicação das Escrituras

Levítico 16 — Explicação das Escrituras

Levítico 16 — Explicação das Escrituras




Levítico 16

16.1-34 Este capítulo é o clímax da primeira seção do Livro, os 16 capítulos que apresentam o caminho de acesso a Deus, do qual este ritual é o mais solene e eficaz, realizado uma vez ao ano, pelo qual o sumo sacerdote entrava no santuário para fazer expiação pelo povo.
16.6 Expiação. Heb kipper, “encobrir”. Um sacrifício expiatório cobre a transgressão, para nunca ser considerada e, portanto, punida. Este foi feito por Cristo de maneira eficaz, quando sacrificou em prol dos pecadores a Sua própria vida imaculada, de perfeita obediência a Deus, pagando assim uma penalidade que encobre os pecados dos que crêem. O justo sofreu vicariamente pelo injusto, 2 Co 5.21; 1 Pe 2.24. O mesmo pensamento jaz na palavra “reconciliação” no Novo Testamento; traduz a palavra grega katallage e significa a reparação legal e moral pelos danos causados pelos pecadores (Rm 5.11), restaurando assim as relações entre Deus e os homens, que tinham sido rompidas quando os homens violaram a lei de Deus, tornando-se réus da penalidade da morte que a justiça divina exigia. O efeito desta obra de Cristo é a retidão e a vida eterna para os que a aceitam pela fé, Ef 2.8-10. No dia da expiação, os homens tomavam parte numa cerimônia que prenunciava a morte de Cristo; o sangue dos animais não removia o pecado (Hb 10.4), mas sim, a obra de Cristo, da qual era símbolo, é que o removia. Cada sacrifício era uma “nota promissória” do pagamento completo que Cristo havia de fazer para liquidar as dívidas eternas dos pecadores. Este dia se repetia anualmente, quando o sumo sacerdote tinha que levar sangue para fazer expiação por si mesmo e por todo a seu povo (Hb 9.7); Cristo fez uma expiação eterna, uma vez para sempre, com Seu próprio sangue, e, sem ter pecados próprios, cumprindo a plenitude do significado daquelas ofertas, tornou-as obsoletas, Hb 9.12-28.
16.8 Bode emissário. Heb 'azazel, lit. “a força de Deus”. Pode ser o nome próprio de um dos picos de Sinai, para o bode ser precipitado penhasco abaixo, do próprio lugar onde foi dada a Lei. Ou pode ser um nome do próprio Satanás; compare “Lúcifer” antes da sua queda, Is 14.12n e Ez 28.1-19 com as notas. De qualquer maneira, esta cerimônia indicava que a culpa estava sendo simbolicamente afastada da terra e do povo. Em certo sentido, é um tipo de Cristo, Is 53.6.
16.11,12 Cristo tendo levado., nossos pecados para longe, não haverá, mais memória deles; 20.22 com, Hb 10.17 e Jr 31.34.
16.15 O ato de o sumo sacerdote entrar no Santo dos Santos era uma prefiguração da entrada de Cristo nos céus, depois da Sua morte e ressurreição, Hb 9.11-12. O propiciatório, heb kapporeth, lit. “cobertura”. A tradução grega o chama de hilasterion, “propiciação”, a mesma palavra usada para descrever o Senhor Jesus Cristo em Rm 3.25. A raiz hebraica produz a palavra traduzida. por “expiação” em 16.6n, e ”propiciação” em 16.17. Era a tampa da arca, e o lugar da expiação.
16.17 Propiciação. É a mesma palavra hebraica traduzida por “expiação”.
16.29 Perpétuo. Foi observado até ao Cativeiro na Babilônia (587 a.C.) e recomeçado depois da restauração (538 a.C.), até à destruição de Jerusalém no ano 70 d.C. Quando Israel falhou com Deus e teve que ser julgado, Deus não tinha mais a obrigação de guardar Sua Aliança com aquele povo. O permanecer na Terra Prometida dependia da Aliança condicional baseada na obediência e na fidelidade dos israelitas para com seu Deus. Afligirei a vossa alma. Esta expressão se refere à abstinência de comida; à humilhação e à lamentação pelos pecados, que eram o conteúdo básico do jejum, Dt 9.18, Ne 9.1-2; Jz 2.12. Havia a confissão dos pecados, 1 Sm 7.6, Ne 9.1-2; e havia orações de súplica, Ed 8.23; Dn 9.3. A prática se recomendam freqüentemente tanto no Antigo como no Novo Testamento (cf. as palavras de Jesus em Mt 17.21) e era um sinal exterior da autodisciplina e da humildade que eram sua finalidade e alvo principal, Sl 35.13; 69.10. Recorria-se ao jejum especialmente em face das calamidades, aflições, desditas e de perigos que se aproximavam, tanto pelas nações, como pelos indivíduos. Era empregado pelos hipócritas para ganharem reputação de piedade diante do s homens, embora, nem mesmo assim é possível impressionar a Deus, que sabe ler em seus corações. Exemplos inspiradores de pessoas que jejuaram foram: 1 ) Davi, 2 Sm 12.16; 2) Daniel, Dn 9.3; 3) Cornélio, At 10.30; 4) Paulo, 2 Co 11.27. Era uma maneira de buscar a Deus, obedientemente, abandoando os maus caminhos, 2 Cr 7.14.
16.34 A antiga Expiação era anual; a verdadeira Expiação, eterna, feita por Jesus Cristo, é um ato que é suficiente para sempre, Hb 9 25-26.