Êxodo 3 — Explicação das Escrituras

Êxodo 3

3.1 De acordo com o discurso de Estêvão, Moisés tinha passado 40 anos como pastor de ovelhas, antes desta vocação (At 7.30). Já tinha passado 40 anos no Egito, recebendo elevada cultura, e agora, após 40 anos de vida no campo, estava preparado para ser guia, pastor, profeta e legislador do seu povo.

Moisés mantinha o rebanho. O hebraico expressa que esta era sua ocupação regular. Entenda por “rebanho” ou ovelhas ou cabras, ou os dois misturados. Tanto antigamente como nos dias atuais, as pastagens sinaíticas sustentam esses animais, e não o gado com chifres. De Jetro, seu sogro. A palavra traduzida como “sogro” é de aplicação muito mais ampla, sendo usada para quase qualquer relação por casamento. Zípora usa isso de Moisés em Exo 4:25, 26; em Gn 19:12, 14, é aplicado aos “genros” de Ló; em outros lugares é usado para “cunhados”. Sua aplicação a Jetro não prova que ele seja a mesma pessoa que Reuel, o que a diferença de nome torna improvável. Ele era sem dúvida o chefe da tribo neste período, tendo sucedido a essa dignidade e ao sacerdócio, quando Reuel morreu. Ele pode ter sido filho de Reuel ou seu sobrinho. A parte de trás do deserto, ou seja, “atrás” ou “além do deserto”, através da faixa de planície arenosa que separa a costa do Golfo Elanítico das montanhas, para as regiões gramadas além. Ele veio para o monte de Deus, mesmo Horebe. Em vez disso, “o monte de Deus, caminho de Horebe”, ou “em direção a Horebe”. Por “o monte de Deus” Sinai parece ser entendido. Pode ser assim chamado por antecipação (como “a terra de Ramsés” em Gn 47:11), ou porque já havia um santuário lá para o verdadeiro Deus, a quem Reuel e Jetro adoravam (Êx 18:12).

3.2 Não se consumia. Luz e calor sem destruição. Moisés podia, através desse milagre, compreender a natureza da comunhão com Deus. O anjo do Senhor. Literalmente, “um anjo de Jeová”. Tomando toda a narrativa como um todo, estamos justificados em concluir que a aparição foi a do “Anjo da Aliança” ou “a própria Segunda Pessoa da Trindade”; mas isso não é declarado nem implícito no presente versículo. Aprendemos com o que se segue. O anjo “apareceu em uma chama de fogo do meio do espinheiro” - não de “um espinheiro - o que pode ser explicado por haver apenas um no local, o que, no entanto, parece improvável, pois é uma árvore comum; ou por Moisés ter falado tantas vezes sobre isso, que, quando ele veio escrever para seus compatriotas, ele naturalmente a chamou de “arbusto”, significando “o arbusto de que todos vocês ouviram”. diz do Batista (Jo 3:24) que “ainda não foi lançado na prisão, ou seja, prisão na qual todos vocês sabem que ele foi lançado. Seneh, a palavra traduzida como “arbusto”, ainda é o nome de um arbusto espinhoso, uma espécie de acácia, comum no distrito do Sinai.

3.3 Maravilha. É a simples curiosidade que, às vezes, leva a pessoa a pensar nas coisas sobrenaturais justamente quando estaria apenas interessado em seus afazeres diários.

3.4 Vendo. Deus exige uma prova de nossa fé, quando de suas revelações, para que se nos revele mais profundamente.

3.6 Aqui, Deus, especificamente, se revela como o mesmo Deus das promessas feitas aos Patriarcas, um por um: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3 e 3.6-14).

3.7 Conheço. Já antes da própria criação do mundo Deus previa as aflições de seu povo. Fato este tornado mais claro após a obra por Deus realizada (Hb 4.14-16).

3.8 Desci. Ainda que Deus esteja presente em todo lugar, em alguns encontros com certos homens, como nesta ocasião, Deus se manifesta de modo especial.

3.10 Nota-se que quando Deus se compadece dos aflitos, e promete sua intervenção, é o próprio homem que recebe uma comissão sobrenatural para ser o instrumento nas mãos divinas.

3.11 Quem sou eu? O ser humano sempre deve reconhecer sua impossibilidade de fazer as obras de Deus. Mas Moisés está levantando a primeira de uma série de objeções.

3.12 Eu serei contigo. A promessa da presença real de Deus é a resposta total à fraqueza humana (compare a missão e a promessa descritas em Mt 28.18-20).

3.14 Eu sou. Este verbo, numa forma que produz o passado, presente e futuro ao mesmo tempo, dá o nome transliterado Jeová (Yahweh), que indica a natureza eterna e imutável de Deus.

3.15 O Senhor. Quando os nomes SENHOR ou DEUS se escrevem em letra maiúscula, é uma tradução da palavra hebraica (Yahweh) que vem do verbo “ser”, e mostra que Deus é eterno e imutável.

3.17 Cananeu. A raça que estava habitando Canaã era de descendência semítica, semelhante nos costumes e linguagem ao povo de Israel - mas, sem a vocação divina; era pagã e brutal.

3.19 Eu sei. Deus sempre quer oferecer a oportunidade para o arrependimento e a obediência, mas sabe quão duro é a coração do homem: assim também Jesus nos conhece (cf. Jo 2.24-25).

3.21 Mercê. Mediante a revelação divina em milagres e, na pregação, muitos egípcios chegavam a respeitar a fé de Israel (Êx 9.20).

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