2019/08/24

Apocalipse 4 — Comentário Literário da Bíblia

Apocalipse 4 — Comentário Literário da Bíblia

Apocalipse 4 — Comentário Literário da Bíblia


Apocalipse 4

4.2 — A seção introdutória de 4.1,2 é uma reprodução das visões semelhantes do conselho angelical nos profetas no AT (e.g., Is 6.1-13; IRs 22.19-23 em 4.2b,8a-b,9a,10a). João tem um vislumbre do conselho celestial de Yahweh e assim é investido de autoridade profética. As teofanias do AT formam o contexto geral de 4.2, embora Ezequiel 1 esteja em primeiro plano, uma vez que são claras as referências a esse livro na continuação da passagem.

4.3 — Referências de Ezequiel 1.26,28, 9.2 LXX, 10.1 LXX e 28.13 foram combinadas, embora Êxodo 24.10 e especialmente Êxodo 28.17-20 encontrem reflexos aqui também. Tem-se cogitado que os capítulos posteriores de Ezequiel assim como o Êxodo têm uma relação com Ezequiel 1.26, uma vez que estão associados a um cenário de teofania em que a pedra de “safira” é mencionada. O “arco-íris” implica, como provavelmente também em Ezequiel 1.28, que as ações divinas de juízo retratadas nas visões seguintes serão contrabalançadas por considerações sobre a misericórdia (cf. a mesma implicação do arco-íris em relação à aliança de Noé, v. TDNT 3:342). Acima de tudo, o arco-íris evoca a ideia da glória de Deus, uma vez que Ezequiel 1.28 o iguala metaforicamente ao “aspecto do brilho ao seu redor [...] a aparência da glória do Senhor ” (assim Midr. de Sl 89.18; Midr. Rab. de Nm 14.3; b. Hag. 16a, todos citando Ez 1.28 como suporte; cf. Midr. Rab. de Gn 35.3).

4.5 — Daniel 7.9-28 e Ezequiel 1.26-28 estão no pano de fundo, já que ambos retratam a metáfora do fogo após a menção de um trono e seu ocupante. A própria formulação de 4.5a é influenciada pelas descrições teofânicas do fogo de Ezequiel 1.13 (cf. LXX), embora o cenário semelhante de Êxodo 19.16 seja evidente como uma extensão secundária. A segunda metade de 4.5 sem dúvida é moldada segundo Zacarias 4.2,3,10, em que há uma visão de sete lâmpadas seguida de suas interpretações (cf. Ap 1.12,20) e está associada com o Espírito de Yahweh (Zc 4.6). O vocabulário de Ezequiel 1.13 fundiu-se com a descrição de Zacarias. A primeira referência a Ezequiel 1.13, em 4.5, deu origem ao pensamento de Zacarias 4, já que ambos contêm a visão das “lâmpadas” (cf. LXX).

4.6a — O contexto mais proeminente para a imagem do “mar de vidro, claro como cristal” é Ezequiel 1.22 (o que é confirmado pela formulação “semelhante ao firmamento, como cristal brilhante” (ARA) e pelas já observadas alusões a Ezequiel). O mar de cristal forma o chão diante do trono celestial. Em virtude da presença do “mar” em outras passagens do AT como representação do mal (v. esp. Dn 7; cf. Sl 74.12-15; Is 51.9-11; Ez 32.2), pode ser também um indício de que João vê as forças caóticas do mar apaziguadas pela soberania divina, expressa na ressurreição de Cristo (como mostra o cap. 5).
4.6b-8a Ao descrever os seres viventes em 4.6b-8a, João continua a extrair elementos do retrato de Ezequiel 1 (v. 5-21), embora provavelmente fundida em seu pensamento com o mesmo retrato dos “seres viventes” de Ezequiel 10.12- 15,20-22. Além disso, as seis asas dos serafins de Isaías 6 foram usadas para complementar aqui o quadro de Ezequiel. As várias visões dos seres viventes, em Apocalipse e no AT (cf. IRs 6.24-28; 2Cr 3.13; Ez 1.6), argumentam contra a interpretação literal desses seres. É provável que sejam anjos celestiais representantes da ordem criada que oferecem louvor contínuo a Deus (cf. Sl 19; 104).

4.8b — A influência de Isaías 6 continua em 4.8b, uma vez que o triságio encontra seu contexto em Isaías 6.3, em que os serafins cantam “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”. Observe que as criaturas viventes aqui substituem “toda a terra está [não há verbo de ligação no hebraico] cheia da sua glória” por “aquele que era, que é e há de vir”. As últimas
três palavras incluem um prenúncio da futura vinda de Deus à terra, para enchê-la com sua glória de uma forma sem precedentes

4.9 — Em 4.9a, os seres viventes são retratados como adorando “ao que estava assentado no trono”. Essa cena de louvor oferecido pelos seres celestiais a Deus no seu trono é uma recordação geral bem semelhante a algumas teofanias do AT, especialmente a de Isaías 6.1 (cf. tb. cenários teofânicos em lRs 22.19; 2Cr 18.18; Sl 47.8 [46.9 LXX]; Dn 7.9; Eo. 1.8). Na última sentença de 4.9, a descrição do trono de Deus é expandida por um atributo de eternidade: o louvor é oferecido “ao que vive pelos séculos dos séculos”. Essa expressão ocorre no AT aproximadamente de cinco diferentes formas, exceto em Daniel e nos Apócrifos, mas os paralelos verbais mais próximos são encontrados em Daniel 4.34 Θ e 12.7, em que a forma participial dativa do verbo grego zaõ (“viver”), seguida da expressão temporal com o substantivo aiõti (“eternidade”), é única. As expressões de Daniel constituem a influência coletiva mais provável sobre 4.9b.

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