domingo, 19 de abril de 2009

LUCAS, EVANGELHO, VISÃO, GERAL

Evangelho de Lucas
Tema:
Jesus, o Médico de almas.

Certos aspectos deste Evangelho indicam que um erudito o escreveu. Por exemplo, possui introdução clássica e rico vocabulário. Isto se ajusta ao fato de que Lucas era médico culto. (Colossenses 4:14) Embora só se tornasse crente depois da morte de Jesus, ele acompanhou Paulo a Jerusalém depois da terceira viagem missionária do apóstolo. Portanto, depois da prisão de Paulo ali e seu encarceramento em Cesaréia, esse cuidadoso pesquisador pôde reunir informações entrevistando testemunhas oculares e consultando os registros públicos. (1:1-4; 3:1, 2) Talvez seu Evangelho tenha sido escrito em Cesaréia, em alguma época durante o confinamento de dois anos do apóstolo ali, por volta de 56-58 EC.

Particularidades Exclusivas: Pelo menos seis dos milagres de Jesus são exclusivos do Evangelho de Lucas. São eles: uma pesca milagrosa (5:1-6); a ressurreição do filho duma viúva, em Naim (7:11-15); a cura duma mulher encurvada (13:11-13); a cura dum homem que sofria de hidropisia (14:1-4); a purificação de dez leprosos (17:12-14) e a restauração da orelha do escravo do sumo sacerdote. — 22:50, 51.

Também exclusivas no relato de Lucas são algumas das parábolas de Jesus. Estas incluem: os dois devedores (7:41-47); o samaritano prestativo (10:30-35); a figueira estéril (13:6-9); a lauta refeição noturna (14:16-24); o filho pródigo (15:11-32); o rico e Lázaro (16:19-31); e a viúva e o juiz injusto. — 18:1-8.

Incidentes Comoventes: O médico Lucas preocupava-se com mulheres, crianças e idosos. Ele foi o único a mencionar a esterilidade de Elisabete, sua concepção, e o nascimento de João. Só seu Evangelho relatou a aparição do anjo Gabriel a Maria. Lucas foi movido a dizer que o bebê de Elisabete pulou em sua madre quando Maria falou com ela. Só ele falou a respeito da circuncisão de Jesus e de sua apresentação no templo, onde foi visto pelos idosos Simeão e Ana. E devemos ao Evangelho de Lucas o que sabemos sobre a infância de Jesus e de João, o Batizador. — 1:1–2:52.

Quando Lucas escreveu sobre a pesarosa viúva de Naim que perdera seu filho único, ele disse que Jesus “teve pena dela” e daí restaurou a vida ao rapaz. (7:11-15) Registrado somente no Evangelho de Lucas, e também comovente, há o incidente envolvendo Zaqueu, chefe de cobradores de impostos. Sendo de estatura pequena, ele subiu numa árvore para ver Jesus. Que surpresa quando Jesus disse que ficaria na casa de Zaqueu! Lucas mostra que a visita resultou numa grande bênção para o alegre anfitrião. — 19:1-10.

No Estilo de Médico: Este Evangelho contém muitos termos ou palavras com significado ou importância médicos. Tais palavras não foram usadas, ou pelo menos não no sentido médico, por outros escritores do N.T. Mas, é de esperar que um médico usasse linguagem médica.

Por exemplo, somente Lucas disse que a sogra de Pedro tinha "febre alta”. (4:38) Ele também escreveu: “Eis um homem cheio de lepra” (5:12) Para os outros evangelistas, era suficiente mencionar a lepra. Mas não era assim com o médico Lucas, que indicou que a doença do homem estava em estágio avançado.

Detalhes Sobre Costumes: Lucas disse que depois do nascimento de Jesus, Maria “o enfaixou”. (2:7) Era costume banhar um recém-nascido e então esfregá-lo com sal, talvez para secar a pele e torná-la firme. Daí, o bebê era envolvido em faixas, quase como uma múmia. As faixas mantinham o corpo estirado e aquecido, e passá-las por sob o queixo e por cima da cabeça talvez servisse para treinar a criança a respirar pelo nariz. Um relatório do século 19 a respeito de costumes similares de enfaixamento cita as palavras de um visitante em Belém: “Tomei a criaturinha em meus braços. Seu corpo estava rijo e inflexível de tão apertadamente enfaixado em linho branco e púrpura. Suas mãos e pés estavam bem cobertos, e sua cabeça, enfaixada com um xale pequeno, vermelho-claro, que passava por baixo do queixo e por sua testa em pequenas pregas.”

O Evangelho de Lucas também nos permite conhecer melhor os costumes no que tange a funerais no primeiro século. Jesus estava perto do portão de Naim quando viu que “um morto estava sendo carregado para fora, o filho unigênito de sua mãe [viúva]”, e “acompanhava-a também uma multidão considerável da cidade”. (7:11, 12) O sepultamento, em geral, era feito fora da cidade, e os amigos do falecido acompanhavam o corpo ao sepulcro. O esquife era uma maca, possivelmente feita de vime, com varas que se projetavam das pontas, que permitiam a quatro homens carregá-lo nos ombros à medida que a procissão se dirigia ao local do sepultamento.

Em outra ilustração registrada por Lucas, Jesus falou a respeito dum homem atacado por salteadores. Um samaritano prestimoso “lhe atou as feridas, derramando nelas azeite e vinho”. (10:34) Este era o modo costumeiro de cuidar de ferimentos. O azeite de oliveira servia para suavizar e amenizar as feridas. (Isaías 1:6) Mas que dizer do vinho? A revista The Journal of the American Medical Association disse: “O vinho era um dos principais remédios na Grécia. . . . Hipócrates de Cós (460-370 AC) . . . fez uso extensivo do vinho, prescrevendo-o como curativo para feridas, como agente arrefecedor da febre, como purgante e como diurético.” A ilustração de Jesus aludia às propriedades antissépticas e desinfetantes do vinho, bem como à eficácia do azeite de oliveira em ajudar na cura de feridas. Naturalmente, a lição da parábola é que o genuíno próximo age com misericórdia. É assim que devemos lidar com outros. — 10:36, 37.

Lições de Humildade: Lucas foi o único a relatar uma ilustração feita por Jesus ao notar convidados que escolhiam os lugares mais destacados numa refeição. Nos banquetes, os convidados se recostavam em divãs colocados em três lados duma mesa. Os que serviam tinham acesso à mesa pelo quarto lado. Costumeiramente, um divã era ocupado por três pessoas, cada uma de frente para a mesa enquanto se apoiava sobre o cotovelo esquerdo e se servia com a mão direita. As três posições indicavam que a pessoa ocupava o lugar superior, o intermediário ou o inferior no divã. Quem ocupasse a posição inferior no terceiro divã tinha o lugar mais baixo na refeição. Jesus disse: ‘Quando fores convidado para uma festa, escolhe o lugar mais baixo e o anfitrião te dirá: “Vai mais para cima.” Então terás honra na frente de todos os que contigo foram convidados.’ (14:7-10) Sim, consideremos os outros, humildemente, como superiores a nós. De fato, ao aplicar a ilustração, Jesus disse: “Todo aquele que se enaltecer será humilhado, e aquele que se humilhar será enaltecido.” — 14:11.

Também destacando a humildade, e exclusiva do Evangelho de Lucas, há a ilustração a respeito de um cobrador de impostos e um fariseu orando no templo. Entre outras coisas, o fariseu disse: “Jejuo duas vezes por semana.” (18:9-14) A Lei exigia somente um jejum anual. (Levítico 16:29) Mas, os fariseus levavam o assunto do jejum ao extremo. O homem, na ilustração, jejuava no segundo dia da semana, porque se pensava que fosse neste dia que Moisés subiu ao monte Sinai, onde recebeu as duas tábuas do Testemunho. Acredita-se que ele desceu do monte no quinto dia da semana. (Êxodo 31:18; 32:15-20) O fariseu citou seu jejum bissemanal como prova de sua piedade. Mas, essa ilustração deve motivar-nos a sermos humildes, não autojustos.

Essas jóias do Evangelho de Lucas provam que ele é singular e instrutivo. Os incidentes registrados ajudam-nos a reviver eventos tocantes na vida terrestre de Jesus. Beneficiamo-nos também das informações de como eram certos costumes. Contudo, seremos especialmente abençoados se realmente aplicarmos tais lições, como as sobre misericórdia e humildade, tão bem ensinadas neste Evangelho de Lucas, o médico amado.


Veja: Esboço da Bíblia: Evangelho de Lucas.

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