quarta-feira, 1 de julho de 2009

EFÉSIOS, LIVRO, CARTA, EPÍSTOLA, TEOLOGIA, ESTUDO
A Carta aos Efésios faz parte das Escrituras Gregas Cristãs, ou Novo Testamento, escrito por volta de 60-61 EC pelo apóstolo Paulo durante seu encarceramento em Roma. (Ef 1:1; 3:1; 4:1; 6:20) Foi levada à congregação de Éfeso por Tíquico (Ef 6:21, 22), a quem Paulo também usou para entregar uma carta aos colossenses. (Col 4:7-9) Visto que a carta aos colossenses foi escrita aproximadamente na mesma época em que Paulo escreveu aos cristãos efésios, existem diversas similaridades entre Efésios e Colossenses. Segundo Charles Smith Lewis, “dos 155 versículos em Ef[ésios], 78 podem ser encontrados em Col[ossenses] em diversos graus de igualdade”. (The International Standard Bible Encyclopaedia [A Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional], editada por J. Orr, 1960, Vol. II, p. 959) Sem dúvida, as condições em Colossos eram de alguma maneira semelhantes às em Éfeso, e Paulo achou por bem dar o mesmo tipo de conselho.

II. Por Que Apropriada Para os Cristãos Efésios.

Um papiro Chester Beatty (P46), bem como as versões originais do Manuscrito Vaticano N.° 1209 e do Manuscrito Sinaítico, omitem as palavras “em Éfeso”, do capítulo 1, versículo 1 . Todavia, estas palavras são encontradas em outros manuscritos e em todas as versões antigas. Ainda mais, os primeiros escritores eclesiásticos aceitaram-na como a carta aos efésios. Embora alguns tenham pensado que esta carta seja a mencionada como a enviada a Laodicéia (Col 4:16), deve-se notar que nenhum manuscrito antigo contém as palavras “a Laodicéia”, e Éfeso é a única cidade mencionada ali em qualquer dos manuscritos desta carta.

III. Conselho sobre materialismo.

Adicionalmente, um exame do conteúdo da carta aos efésios mostra que Paulo tinha em mente os cristãos em Éfeso; e seu conselho era especialmente apropriado em vista das circunstâncias prevalecentes em Éfeso, a cidade mais importante da província romana da Ásia. Por exemplo, Éfeso era conhecida como cidade fabulosamente rica, e havia a tendência de encarar as riquezas mundanas como a coisa mais importante. Na sua carta, porém, Paulo acentua as verdadeiras riquezas — “as riquezas de sua benignidade imerecida”, “as gloriosas riquezas” que Deus oferece como herança para os santos, “as riquezas sobrepujantes de sua benignidade imerecida”, as “riquezas insondáveis do Cristo” e ‘as riquezas da glória de Deus’. (Ef 1:7, 18; 2:7; 3:8, 16) Isto ajudaria os cristãos efésios a adquirir um conceito correto sobre as riquezas.

IV. Eliminação da imoralidade.

Éfeso era também cidade notória por sua licenciosidade e conduta desenfreada, sua crassa imoralidade. Consequentemente, Paulo, o apóstolo, estendeu-se sobre isso enfaticamente como uma das características da velha personalidade e disse que os cristãos precisam despojar-se da velha personalidade e revestir-se da “nova personalidade”. A dissoluta situação moral em Éfeso provocava entre os habitantes muita conversa a respeito da libertinagem sexual, não para condená-la, mas para regalar-se com ela; e os cristãos, aconselha Paulo, não devem ser semelhantes a tais pessoas, deleitando-se em conversar sobre a fornicação e contando piadas obscenas. — Ef 4:20-24; 5:3-5.

V. Contraste entre templos.

A ilustração de Paulo a respeito de um templo espiritual também era muito apropriada para a congregação cristã que vivia à sombra do espantoso templo pagão de Ártemis, que era considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo. Ao passo que “todo o distrito da Ásia e a terra habitada” prestavam adoração a Ártemis e estimavam muito o famoso templo em Éfeso, os cristãos ungidos constituem um “templo santo”, no qual Deus habita por meio do Seu Espírito. — At 19:27; Ef 2:21.

Visto que o templo de Ártemis era um refúgio, incentivavam-se os crimes, e a população criminosa de Éfeso aumentava. Ninguém dentro dos limites de certa área em volta de seus muros podia ser preso por qualquer crime que fosse. O resultado foi que se formou um aglomerado de ladrões, assassinos e pessoas dessa laia em volta do templo. As palavras de Paulo a respeito do furto, bem como da amargura maldosa, de brados e de injúrias, portanto, não deixavam de ter seu propósito. — Ef 4:25-32.

VI. Prática do demonismo.

Éfeso era o centro de todos os tipos de demonismo. Efetivamente, a cidade era conhecida em todo o mundo por suas muitas formas de magia. Os demônios, pois, estavam especialmente ativos em Éfeso, e, sem dúvida, para contrabalançar a influência da magia e da feitiçaria, e para ajudar os efésios de coração reto a se livrarem de tais práticas demoníacas, Paulo realizou milagres por meio do espírito de Deus; estes até mesmo incluíam a expulsão de espíritos iníquos. — At 19:11, 12.

Mostrando quão saturada de magia Éfeso estava e quão apropriado era o conselho de Paulo a respeito de lutar contra espíritos iníquos, existem os seguintes pontos: As “letras efésias” eram famosas em todo o mundo. “Parecem ter consistido em determinadas combinações de letras ou de palavras, que, ao serem pronunciadas com certa entonação de voz, eram, segundo se cria, eficazes em expelir doenças, ou maus espíritos; ou que, ao serem escritas em pergaminho e usadas, supunha-se funcionarem quais amuletos, ou fetiches, para proteção contra os maus espíritos ou contra o perigo. Assim, Plutarco (Simpósio 7) diz: ‘Os mágicos compelem os possuídos por um demônio a recitar e a pronunciar eles mesmos as letras efésias, numa certa ordem.’” — Notes, Explanatory and Practical, on the Acts of the Apostles (Notas, Explicativas e Práticas, Sobre os Atos dos Apóstolos), de A. Barnes, 1858, p. 264.

Inscrições descobertas nas ruínas de Éfeso indicam a densa escuridão mental na qual os efésios viviam e por que o apóstolo Paulo escreveu aos cristãos daquela cidade ‘que não mais andassem assim como também as nações andam na improficuidade das suas mentes, ao passo que estão mentalmente em escuridão’. (Ef 4:17, 18) As inscrições em muros e edifícios revelam que a população governava sua vida por meio de superstições, adivinhação e busca de presságios.

Por causa da pregação de Paulo, das obras milagrosas que realizou e do malogro dos exorcistas judeus, um bom número de efésios se tornaram cristãos. Sem dúvida, muitas dessas pessoas se haviam empenhado antes em alguma forma de prática de magia, pois o relato bíblico diz: “Um número considerável dos que haviam praticado artes mágicas trouxeram os seus livros e os queimaram diante de todos. E calcularam os preços deles e acharam que valiam cinqüenta mil moedas de prata [se denários: US$37.200].” (At 19:19) Em vista de tal prevalência da magia em Éfeso e da prática de muitas formas de demonismo, foi muito apropriado que Paulo desse aos cristãos efésios excelente conselho sobre combater as forças espirituais iníquas por se revestirem da “armadura completa de Deus”. Sem dúvida, alguns daqueles que se livraram da prática de magia seriam molestados pelos demônios, e o conselho de Paulo os ajudaria a resistir aos espíritos iníquos. Deve-se notar que a destruição de tais livros relacionados com o demonismo foi uma das primeiras coisas que aqueles cristãos primitivos fizeram, estabelecendo um padrão para os que atualmente desejam livrar-se da influência ou da molestação demoníaca. — Ef 6:11, 12.

VII. O papel de Cristo.

Por causa da gloriosa esperança que se lhes oferecia como co-herdeiros de Cristo, era bem apropriado que Paulo também escrevesse aos cristãos efésios que Cristo foi elevado “muito acima de todo governo, e autoridade, e poder, e senhorio, e todo nome dado, não só neste sistema de coisas, mas também no que há de vir”. (Ef 1:21) Nesta carta, Paulo atinge apogeus de grandiosidade ao descrever a posição enaltecida de Jesus Cristo e a dádiva da benignidade imerecida de Deus com amor, sabedoria e misericórdia para com os trazidos à unidade com eles. A descrição da maneira em que todas as coisas no céu e na terra serão unificadas sob Cristo, e a introdução tanto de judeus como de gentios na congregação, como “um só homem”, é a explicação mais completa encontrada na Bíblia a respeito do “segredo sagrado” de Deus, revelado nas boas novas a respeito do Cristo.

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